Procura-se umas Ilusões Perdidas, remunera-se bem (IV)

Enfim, mais que na hora, a pobreza da discussão tucano-petista (hoje eu afogaria todos no piscinão do Maluf) nos leva a comparar numerozinhos aqui e ali. Trata-se de pensar quais as modernizações trazidas pelo Lula que nos garanta um caminho mais rápido para um capitalismo pleno, de se perguntar o ele fez que terá impacto na cara do Brasil daqui a 20 anos. Modernização mesmo só o mensalão. Lula tocou a coisa de jeito que recebeu de FHC (esse fez muito para nosso destino de longo, o tempo mostrará isso, anota aí.), piorou uma coisinha aqui (Provão e politização das agências de regulação, por exemplo), melhorou outra coisinha ali (talvez a estrutura da dívida pública), mas essencialmente o Brasil não avançou se você pensar no reflexo do que foi feito para daqui a 20 anos. Porquê? Por que o PT não acredita no capitalismo, ele estava tentando ganhar tempo, eles não sabem no que acreditar, não tem rumo.

 

Por isso, minha crença num Brasil melhor se foi de vez, não pelo que se descobriu sobre a quadrilha petista (tá certo que nem eu imaginava tanto), mas pela reação apática das pessoas e pela falta de visão das oposições, era a grande chance da democracia dar uma bica no traseiro daqueles enganadores que por 25 anos fizeram de tudo para sabotá-la, nem vou repetir todos os momentos cruciais para o país em que o PT escancarou sua visão mesquinha do poder, e PSDB e PFL, que haviam iniciado a modernização do Brasil, com todos os erros que já conhecemos, pisaram feio na bola. Você sabe que sempre defendi o impeachment, era fundamental para nosso futuro. Titubearam feio, são uns bundões de merda estes tucanos e pefelistas. Vamos pagar caro por isso.

 

Antes que você me diga que o país ia rachar com o impeachment, não acredito, era só colocar na mesa o que foi ocultado e a casa caía. A oposição foi tomada pelo preconceito de classe às avessas, não ficava bem tirar o primeiro operário a ser presidente do país (FHC disse isso no Roda Viva). Collor, por muito menos levou um pé no traseiro, ficava bem, afinal vinha da elite branca e malvada, como gosta de dizer o Lembo.

 

Quer saber, meu sonho é me mudar para a Áustria. Vantagens há aos montes: falam uma língua que eu não entendo, logo meu ouvido perderá a função de penico do mundo; nada muda por lá há uns 10 séculos, a vaquinha é a mesma deste que os romanos partiram, quando foi a última vez que você leu uma notícia sobre a Áustria?; nos deram Popper, Von Mises, Hayek, Wittgenstein, Musil, deixe me ver, quem mais? Valha-me meu Padin Ciço, deram Adolf Hitler também... fudeu! Só me resta Passárdaga.

 

 

PQP, acabei de me lembrar do nome do Comandante Zero, Eden Pastora. Sou fã dessa minha memória para nomes, mesmo que ela me faça pagar 70% de minhas contas em atraso. Fui ao Google checar e o Comandante Zero já tem até site, checa lá Perozzi: http://www.edenpastora.com . É meu amigo, sua revolução já era.

 

Um abraço raivoso, tô atacado hoje. Vou indo. Acho que vou pegar umas laranjas velhas e tacar nos pedestres lá da rua (isso não é um pleonasmo, afinal no deserto não tem rua e tinha pedestre), se reclamarem darei seu endereço.

 

Tchau tangerino.

 

(acertei um cara na rua aqui, não é que ele é o sócio do Juiz Nicolau.)

Procura-se umas Ilusões Perdidas, remunera-se bem (III)

Santa Maria Madalena!, essa de você dizer que o Palocci humildemente (Oh! Essa maldita qualidade divina!) continuou o que Malan havia feito bateu fundo. Por partes: Malan foi um puta ministro e é um cara fenomenal, pois mesmo o PT tendo sido sujo ao extremo com ele, e vamos ficar só naquela cena explícita de canalhice oportunista do Mercadante (referência obrigatória da sarjeta petista) com a história da caneta e do salário mínimo, Malan não se altera ao escrever e falar sobre o governo atual, um gentleman (se fosse humilde pegaria bem, mas...). Você imagina o Malan pedindo o extrato do caseiro? Falar hoje que o Malan não resolveu o problema do crescimento é papo dos engenheiros de obra feita. Falar é fácil, vai lá pilotar a economia para tirá-la da hiperinflação e depois passar vivo por umas cinco crises bravas. Guido Mantega Derretida teria enchido as calças na crise mexicana e chamado a mama. Malan liderou uma equipe de economistas brilhantes que nos tirou da inflação crônica de 30 anos, coisa que muitos de seus críticos tentaram, mas quase nos fizeram morrer na praia. Cito dois: o quercista da primeira à última hora Beluzzo e a brilhante academia econômica da Unicamp, e Bresser Pereira (de quem até gosto, mas que deveria olhar o próprio rabo). Mendonça de Barros explicou isso outro dia, quem faz a estabilização tem dificuldade em fazer a economia deslanchar, pois o conhecimento da dificuldade que foi fazer a primeira obra, inibe a ousadia exigida pela obra seguinte, o crescimento. Com Roberto Campos foi a mesma coisa, ela achava que o Delfim ia botar tudo a perder.

 

Segunda parte: seu encanto com o PT está voltando com tal força que você já está achando o Palocci boa praça. Perozzi, quando assumiu a Fazenda, o cara achava que déficit nas contas externas era saldo negativo nas contas da quadrilha em Caiman. Tudo bem, ele levou para lá uns tucanos de boa vontade para tocar a coisa. Aliás, eu sempre dizia que o PT não tinha quadros nem para administrar o Zôo de São Paulo. O mensalão mostrou que eu estava errado (argh, maldita humildade!). Trocando em miúdos: a macacada ia se dar mal lá no Zôo, já a população de ratões do banhado (seu ignorante, é um roedor comum no Brasil) teria crescimento de dar inveja aos coelhos. Aliás, dia desses provarei a você que a corrupção do PT é pior do que a do Barbalho, do Maluf e tantos outros.

 

PQP! Esse assunto me cansou há muito tempo. Nem leio mais a Dora Kramer (cujo texto eu adoro e que deve dar um caldo dos bons, um mulherão) e fico escrevendo um tempão só porque você fica com estes devaneios sebastianistas. Um dia é Ciro, outro dia é Lula, depois vem o Chaves, aí você fica tarado pela Heloisa Helena, muda pro Christovan Buarque. Santo deus, você deve ter acreditado até no Pita como salvação para São Paulo. Quer saber de uma coisa? Vá te catar!!!!

 

(continua de novo e não reclama, foi você quem provocou)

Procura-se umas Ilusões Perdidas, remunera-se bem (II)

Dizer que Nine Fingers é pessoalmente honesto e que teve que jogar as regras do jogo é demais para mim. Dá um tempo! Não me ofenda! Vamos deixar de relativizar conceitos tão caros. Você se empolga com estes discursos de boca mole dele e já volta a achá-lo um deus. No fundo você quer voltar a acreditar em nosso ignóbil presidente. O ‘p’ é tão pequeno que nem vemos. Pronto, virei poeta concreto.

 

Sobre a honestidade pessoal dele, confira o que escreveram e disseram César Benjamin e Paulo de Tarso. Nem vou falar daquela longa moradia de graça e das relações com o compadre, o chequinho maneiro que pagou o apê no Abecê. Claro que é ele e metade do país, mas o restante não chegou à presidência. O ideal seria que todo  presidente tivesse até sua operação de hemorróidas transmitida ao vivo. Afinal, é fundamental entender a origem das idéias de nossos líderes.

 

Seu Guia Genial se comunica bem com o povo porque ele nunca teve um compromisso mínimo com a verdade, o bom senso e a coerência. Fala o que o povo quer ouvir, mesmo que seja merda. Para mim isso se chama oportunismo. Um líder precisa ter responsabilidade ao se dirigir aos seus liderados. Clássico exemplo de oportunista, Hitler fez do anti-semitismo impregnado na sociedade alemã uma de suas bandeiras, o resultado levou o Papa Bento a questionar Deus na semana passada. Não canso de repetir, adoro esse Papa, vou acabar voltando às minhas origens católicas, embora adorasse os cultos luteranos. Na dúvida entre Paulo e Lutero, fiquei comigo mesmo.

 

Tudo bem, seu guia é um cara que veio do povo, mas Jânio, Lacerda, Getúlio e tantos outros não vieram do povo e também se comunicavam muito bem com a plebe. Não gosto do tipo, ainda mais numa sociedade permissiva e de princípios tão frouxos como a nossa. Um dia escreverei sobre minha admiração por certa faceta do puritanismo anglo-saxão.

 

(continua de novo, que tô atacado!)

Procura-se umas Ilusões Perdidas, remunera-se bem (I)

Perozzi,

 

Caralho, é inacreditável essa sua tendência a embarcar em ondas emotivas e perder seu senso crítico. Depois você fica reclamando do romantismo. Perozzino, quantas vezes você pensou em largar a redação e ir para a Nicarágua lutar com os sandinistas? Você queria ser um novo Lord Byron gritando Soy Loco por ti America!!! Tenho certeza de que você teria dado um novo Comandante Zero, à esquerda. Como o original, aliás.

 

Você é um sujeito de bem, quer tanto que o Brasil dê certo que embarca em qualquer canoa que passa. Qualquer chance deste país virar uma terra respeitável o toca tanto que seu senso crítico renuncia à própria existência e deixa esse seu enorme coração cair na avenida. Sinto muito lhe dizer isso, meu velho amigo, mas a quarta-feira de cinzas o aguarda logo ali. Opa, olha o respeito! Chato é isso que está preso ao seu saco.

 

COMUNICADO IMPORTANTE: o dia em que você virar uma pessoa “do bem” este blog acaba, corro vomitar quando vejo um idiota classificando alguém de “do bem”. Tenho a impressão de que foram nossos gloriosos atores que difundiram esta expressão pelos meios iletrados nacionais. Mais um motivo para eu reforçar meu preconceito em relação aos atores, gente sensííívellll, mas como são fraquinhos de pensamento. Com as exceções de sempre: Autran, Marília Pêra e minha querida sobrinha Amandita. Ih, sobraram dedos.

 

Pronto, já afaguei seu ego, você já está seguro de minha amizade, de minha admiração e de que não recusarei o próximo convite para uma feijoada. Voltemos, então, ao arroz com feijão deste blog: o uso da borracha no lombo como método educacional. Tá certo, que para essas suas viajadas, um choque elétrico seria mais apropriado, mas a Eletropaulo cobra caro.

 

(continua e se segura aí)

Dr. Ricardo é broca.

Falo da quadrilha do Nine Fingers mais tarde. Minha dúvida agora é a seguinte: você vai levar sua mulher ao dentista porque ela faz você de motorista mesmo ou você fica meio inseguro com a broca do Dr. Ricardo?

Um abraço clorifórmico.

Hehehehe....
Aos poucos, Sassaroli, o discurso moralista dos tucanos vai apresentando a sua conta. Não quero dar uma de tia comentando a gravidez precoce da sobrinha, mas eu bem que falei. Não poderia dar outra coisa. No impeachment do Collor, a conta não veio, porque a classe média estava a fim de dar o troco, por causa do confisco da poupança. Agora, que a classe média vai muito bem, obrigado, e os bancos estão rindo de ás a ás, todo mundo lavou as mãos. O Lula, que tem uma capacidade impressionante de se manter em sintonia com a média do sentimento nacional, já lançou o desafio: ponham no ar as cenas da CPI. Cada vez que o Alckmin aparecer na TV falando em "banho de ética", perde pontos. A hipocrisia fica visível demais. A população menos informada sente nos ossos que seu herói é um homem pessoalmente honesto que se viu obrigado a jogar o jogo com as regras que encontrou, e que, com essas mesmas regras, nem Jesus Cristo poderia jogar de outro modo sem perder as rédeas da situação. O PSDB, que já não tem candidato digno do nome, agora ficou sem discurso. Ou, pior ainda, ficou condenado a fazer um discurso que ele sabe de antemão que não irá colar. A condução da economia não é brilhante, mas está longe de ser desastrosa. A situação internacional favorável não foi aproveitada, mas, novamente, a população sente que, no fundo, há uma armadilha que o PT não desmontou, mas ninguém sabe muito bem como desmontar - a dos juros mais altos do planeta. Serra, afinal de contas, era uma esperança de que os rumos mudassem, pois era absolutamente claro para todos os tucanos que o Malan não estivera à altura do desafio. Ninguém agüentava mais aquela política passiva diante de juros astronômicos - política que o Palocci humildemente se limitou a repetir. (Continuo mais tarde, pois tenho que levar minha mulher ao dentista.)
Socorro Padre Quevedo

(estes idiotas do UOL pensam que isso aqui é o Painel da Folha, mil caracteres é pouco para minha capacidade.) Continuando

 

Inspiro-me no intelectual mercadanteano, Reinaldo de Barros, defendendo a Paulipetro na eleição de 1982: lá não tem só brincadeira não, tem também muita coisa séria. A China não é só trabalho escravo não. Tem muita gente assalariada lá, tudo bem que é um salário de merda, mas tem. O que o Otaviano não consegue entender, nem quer, é que a China está passando por um capitalismo primitivo nas condições de trabalho, mas cada vez mais avançado no uso da tecnologia. Uma hora deve explodir, mas estou com Hayek e Friedman, o capitalismo vai produzir a abertura do sistema. É imperativo para eles se abrirem para o mundo, eles precisam vender sua produção, o germe chegará devagar. Também acho que num determinado momento eles perceberão que a mão de obra barata não conseguirá compensar as deficiências das estatais e aí a reforma começará.

 

Na política externa já estão dando olé faz tempo. Outro dia falava com um amigo que discutiu longamente com um diplomata chinês que participou das negociações Brasil-China. Eles nos apoiavam para o CS da ONU e a gente reconhecia o país do Mao (onde só tem gente do bem, expressão da moda) como economia de mercado. Ele confessou que até hoje não acredita na ingenuidade do Itamaraty em acreditar que eles cumpririam o acordo sabendo que o Japão estava na parada para o CS. Pior, o Trio Diplomacy (Garcia , Samuca e Amorin) reconheceu a China como economia de mercado antes de se decidir o caso CS. Eis um exemplo de grande profissionalismo, dos chineses.

 

Taí um pauta para um jornalista distante dos bundões que dominam nossos jornais: será que pelo menos lá em seu condomínio de São Bernardo, o Lula conseguiu eleger seu candidato a síndico?

 

Bem, meu amigo, é com o espírito em alfa e o corpo em beta que me despeço. Não sem antes recomedar que se corte o chá de santo daime do Otaviano.

 

Rhá! ... Rhá!... Rhá!... Rhá!

 

(seu burro, não estou rindo, estou invocando energia cósmica. Aprendi com a Baby Conçuelo du Brazil (minha homenagem à numerologia), que eu acho que ainda dá um caldo, e nem preciso de chá do capeta para isso)

Socorro Padre Quevedo!!!!

Perozzi,

 

Padre Quevedo, que deveria ser mais pop que Padre Marcelo, diria: Iszsztooo nõõ equixissteeee!!!

 

Vou até guardar este artigo do Otaviano, é uma peróla. O lazarento, racista do caralho, esqueceu de incluir minha avó Ana. Aposto que foi só porque ela era uma descendente de alemães e suiços que benzia bem pra burro lá no interior, estes sociológos não gostam de europeus. Eu mesmo cansei de usar os talentos dela. Embora eu desconfie de que o que me curava mesmo era comer aquela broa (pão caseiro alemão, seu italiano ignorante!) que ela fazia com o mel que ela mesmo produzia no pomar.

 

Vó Ana era uma fera, enfrentava lobisomem só no olhar. Não admitia que se saisse da linha. Assaltar seu pomar, onde havia a carambola e ameixa mais deliciosas do universo, podia, mas só depois da permissão pessoal dela.

 

Eu diria que ela, de início, era adepta da cura prânica indiana, não resolvendo o problema, ela passava para a cura plântica alemã, que consiste em plantar a mão na altura do ouvido do filho da mãe. Não havia energia ruim que não deixasse o corpo em paz.

 

Seu benzimento mais incrível era quando o doente ficava na cozinha, onde havia um poço enorme que supria toda a água da casa, e ele circundava a casa toda com um machado na mão diversas vezes e, a cada volta, ao passar pela porta de trás dava uma machadada num tronco velho que sempre ficava bem ali ao lado da porta. Não me lembro de quantas voltas dava, mas as pessoas saravam. E, viva Drummond!, minha história era mais bonita do que a de Otaviano de Fiori.

 

Também que mal espírito ficaria ali com um mulher daquelas e ainda mais com um machado na mão?

 

Outro dia mesmo citei FHC: a academia produz mais ideologia que ciência. É uma competição em criatividade para adaptar os fatos à ideologia que se defende. Ainda neste domingo comentei por telefone o abuso que se faz da chamada Teoria do Caos para atacar a ciência clássica como sendo a representante do mundo que não muda, do mundo velho e conservador, etc. Mas todos estes FDP saem correndo para tomar um antibiótico quando a infecção pega pesado. Eu acho que eles deveriam ser obrigados a procurar remédios desenvolvidos pela ciência do caos, o mundo ficaria bem melhor. Claro está que aqui só estou defendendo a seleção natural, nada mais.

 

(continua) 

Pajelança chop-suey
O Brasil está ficando maluco, Sassaroli. Olhe só o que o sr. Otaviano de Fiori escreveu hoje na página 3 da Folha: "As causas do nosso atraso em relação à China são duas. A primeira é o obstinado espírito cientificista das faculdades ocidentais, dominadas por um pensamento cartesiano que privilegia a matéria esquecendo o espírito." É do peru, não é, não? Quase caí da cadeira, rapaz! Justamente o Descartes, chegadinho que era numa substância pensante, ser assim, sem mais, acusado de puxar a sardinha para o lado da substância extensa. E eu que pensei que a China estivesse dando certo por ter substituído o comunismo pelo escravismo! Nada disso. Salários de fome são só um detalhe. O segredo, mesmo, é a espiritualidade e a superstição. Veja só a proposta do dr. Otaviano para, seguindo os passos da China, melhorarmos a saúde aqui de Pindorama: "Por que não incluir [no currículo de nossas faculdades de medicina] o do-in, a herborística yorubá, as pajelanças dos povos da floresta, a medicina ortomolecular, a quiroprática, a iridiologia, a cromoterapia, os florais de Bach e, sobretudo, a mais antiga e comprovada delas -a cura pelas mãos, chamada cura prânica na Índia e cura magnética no Ocidente?" Eita!!!!
Ciro só o Monteiro!

Perozzi,

 

Acho que o Brasil inteiro está meio que se lixando para o que ocorre em Brasília. Todo mundo está de saco cheio. Cada vez mais, Brasília enterra o Brasil. O povo vai reeleger o Lula, porque acha que tanto faz. Acho que as pessoas se entregaram, querem levar sua vida e esquecer Brasília. Já lhe disse isso, Brasília é uma grande cagada do Juscelino, criou uma cidade distante do país e ainda afundou o Rio de Janeiro. Aquilo poderia virar um grande kartódromo. No fundo, sabemos que o Ronivon e que o Bispo Rodrigues vão sair logo da prisão. Sabemos que isso já é campanha eleitoral. Estão pegando os bagrinhos para esconder tubarões. Já que perguntar não ofende: e o Waldomiro Diniz, não vão prender?

 

Sobre Bob Jeff não se pode negar que, apesar de bandido, prestou um grande serviço ao país ao desmarcarar o crepto-stalinismo petista (como diz o Reinaldo Azevedo), por isso acho que ele não merece perpétua, 92 anos tá de bom tamanho.

 

Perozzi, você é incorrigível. Acreditar em Ciro é loucura. É um deseliquibrado, picareta dos grandes. Você vai cair na mesma armadilha do Guia Genial que nos conduz no momento. Só me falta você começar a acreditar em Heloísa Helena e defender Babá para as Relações Exteriores. Ciro? Volta lá é caga mais que a massa intestinal não defecada está fazendo mal ao seu bom senso.

 

Também não gosto de multidões. Qualquer coisa que exceda dez  pessoas me desencoraja. Não vou a estádios, a shows, à sessão de macumba, nem à missa (se o padre não for, talvez). Por coincidência, nesta semana tomei a decisão de que nunca mais ir a reuniões de condomínio. A solidão é uma necessidade diária para mim, nem que seja de uma mísera hora. Nem que seja para meditar sobre o back office da gostosa do site pornô, mas esse tempo é meu.

 

Aí vem você com esta poesia de merda, perfeita para se ler enquanto se está sentado no trono. Para levantar o nível poético deste blog vou citar uma paródia de Bandeira que fizemos nos tempos de cursinho.

 

Vou me embora para Passárdaga

Lá sou amigo do rei

Lá terei a égua que quero

No barranco que escolherei.

 

Puta que pariu! Isso tem 25 anos! Noves fora, até que tenho dado um cansaço na vida desde então, ela não tem muito do que reclamar. Uau, Eva Cassidy começou justamente agora a cantar ‘Fields of Gold’ no CD que acabei de receber dos States. É uma voz divina, como disse um crítico na Amazon. Pena que ela tenha morrido tão cedo. Aliás, também recebi, entre os 60 CDs que comprei, uma caixa do Tom, ‘The Man From Ipanema’.Uma beleza. E fiquei olhando por um bom tempo as fotos dele e pensando como pode ter morrido tão cedo. Tá piorando este mundo, meu velho.

 

Caralho, vou botar um paletó e dar uma chegada no Velório do Araçá tomar uma café na faixa e rever velhos desconhecidos.

 

Até a eternidade.

Sem açúcar, sem afeto

Sassaroli, agorinha mesmo estava assistindo na TV à prisão do Bispo Rodrigues e do Ronivon Santiago, e fiquei pasmo, não com o que vi, mas com meu jeito de ver. Os dois filhos da puta estavam ali, algemados, e eu não senti nem uma pontinha de alegria. Fiquei indiferente. Se estivessem soltos, graças a uma chicanazinha esperta de advogados, para mim dava no mesmo. Devo ter mudado muito, pois há pouco tempo eu desviava meu caminho só para passar em frente à sede da PF na Lapa e sentir que ali, naquele prédio, o Maluf havia passado a noite ao lado do filhão. Agora, não. Estou inundado pela sensação de que tanto faz como tanto fez. Ronivon foi preso? Bom, azar dele, e sorte dos outros, que são tantos. Por pouco não achei aquilo uma injustiça. Assisti à entrevista do Bob Jeff, na segunda-feira, com a mesma fleugma. Sabia que milhares, talvez milhões de pessoas acham esse escroto uma espécie de herói, e não me abalava com isso. Tomava K-Suco de tangerina e mordia um sanduíche de carne moída enquanto ele ia tecendo considerações elegantes, respitadíssimo pelos entrevistadores, que pareciam ainda mais desacorçoados que eu. Cumpriam tabela, como se diz no futebol.

Antes de virar budista, deixe-me dar ao menos um sinal de vida, nesta manhã desmotivada. Se o Ciro for mesmo vice do Lula, prepare-se, pois farei boca-de-urna aqui no blog. É um dos poucos políticos que ainda conseguem me entusiasmar. O Serra, também, mas menos. Meti a ripa no romantismo, outro dia, mas acho que, no fundo, eu sou um romântico. Qualquer caminho, para mim, perde a graça se houver muita gente andando por ele. Acho que é por isso que, nos tempos da Faculdade, eu detestava assembléias estudantis. Numa outra encarnação, eu devo ter sido linchado. Multidões me enojam. Lambaeróbicas, torcidas organizadas, palavras de ordem, a Gisele Bündchen, tudo isso me dá uma sensação ruim na boca do estômago.

Porra, estou um saco, hoje. Vou tomar um café forte para ver se melhoro. Enquanto isso, fique com esta poesia do Fernando Pessoa, que li no banheiro, enquanto cagava:

Sou vil, sou reles, como toda a gente.

Não tenho ideiais, mas não os tem ninguém.

Quem diz que os tem, é como eu, mas mente.

Quem diz que busca é porque não os tem.

É com a imaginação que eu amo o bem.

Meu baixo ser, porém, não mo consente.

Passo, fantasma do meu ser presente.

Ébrio, por intervalos, de um Além.

Como todos, não creio no que creio.

Talvez possa morrer por esse ideal.

Mas, enquanto não morro, falo e leio.

Justificar-me? Sou quem todos são...

Modificar-me? Para o meu igual?...

- Acaba lá com isso, ó coração!

Miojo Lamen

 

 

(continuando)

 

Papa do Dia: cada vez gosto mais de Bento XVI, é o papo católico mais protestante da história. Nada daquela verborragia da tradição latina. Claro, objetivo, direto. É quase um inglês. E que belo gesto esta visita a Auschwitz e as orações com os sobreviventes e rabinos. Falta a ele investir no diálogo mais midiático com os islâmicos sérios. Ateu cristão que sou, sempre me emociono com esses atos ecumênicos.

Tá bom, você vai dizer que ele proíbe a camisinha etc e tal, mas o Eliseu, farmacêutico aqui da esquina, é totalmente a favor e dá desconto se eu levar dois pacotes de 4 e ainda tenta emplacar um Biotônico Fontoura para ver se eu gasto todas numa noite. Capitalista FDP, diria Heloísa Helena. Falando nela...

 

Candidata do Dia: Heloísa Helena disse que tem certeza de que está preparada para governar o país. Disso eu não tenho dúvidas, o problema é que o Brasil não está preparado para ser governado por ela. Nem Alagoas. Nem o Cú do Judas. Mas se ela ganhar, eu quero ser assessor da Luciana Cabeluda Genero, para canalizar toda aquela energia revoltosa para algo mais prazeroso que a revolução. Uhn, deve dar um transa bem animal naquele gabinete. Com Marx, Lênin e Tche por testemunha.Tenho a impressão de que ela é ninfo.

 

Música do Dia: “Variações sobre um tema de Paganini” com Cláudio Arrau ao Piano (CD da Philips), muito melhor que esse seu “Macarrão sobre uma Receita de Paganini” com Perozzi ao fogão. Dica: da próxima substitua o pinholi por amendoim, pelo menos vai lembrar o Lig Lig.

 

Confissão do Dia: a música quase me faz acreditar em Deus. Algumas passagens dos Concertos de Bradenburgo com o TafelmusiK dirigido por Jeanne Lamon e McCoy Tyner solando em My Favourites Sings de Coltrane são minhas experiências religiosas mais profundas. Mas isso é puramente pessoal, se desse para ser coletivo eu já estaria escrevendo uma encíclica.

 

Constatação do Dia: as comadres foram xingar a Richtofen de assassina na saída da prisão. Tá bom, a novela das oito deve ser aquela merda de sempre, mesmo sem o Antonio Fagundes. Mas por que ninguém vai esperar os mensaleiros em Congonhas com ovos galados e tomate italianos? E la nave va...

 

Um abrazzo Allegro Affettuoso e Andante, que me vou.

Miojo Lamen

Perozzi,

 

Nunca tive saco para a culinária. Nas poucas vezes em que tentei, a comida ficou boa, mas o apetite se foi. Além do maldito calor do fogão (viva o microondas!), a gente fica aquele cheiro desgraçado do tempero e uma sensação de que acabou de sair da estiva. Um banho resolve, mas até voltar o prato já era. Prefiro a opção sem trabalho, limpo e de barriga cheia (nossa, entrei pro Bolsa família do Lula). Para ser um cidadão perfeito como quer nossa esquerda de merda (como nossa direita também é de merda, logo temos uma nação de...) eu deveria entrar para uma ONG de direitos humanos, ler todos os artigos do Stédile na Caros Amigos e acreditar que o Mercadante realmente não sabia de nada, como ele fez crer à nação no depoimento do Duda. Confesso que já progredi, hoje eu acredito que o Lula não sabia de nada, mesmo estando ciente de tudo. Ele sempre foi assim, a gente explica, mas entender são outros quinhentos.

 

Voltemos ao antepasto.Tivesse você optado por um Frescarini com um molho Pomarola, estava puto do mesmo jeito, mas teria ouvido muito mais música.Aliás, você tem razão, não me lembro de nenhuma sinfonia de Schubert, devo ter algumas aqui, vou ouvir. Por falar nisso, tentei escrever um artigo ouvindo Cláudio Arrau tocando Brahms. Deixei o artigo para lá.

 

Como você me explicou que posso colocar fotos aqui, vou começar duas séries de realismo fantástico (sai de mim Gabo capeta!!!): a primeira será “Cônscio, um cidadão Brasileiro” e a segunda será “Chaves é uma Porta”. Aguarde que vou arrebentar com estas novas criações.

 

Porre do Dia: vi que a Tia Marilena Chauí relançou seu livro Cultura e Democracia. Então, pergunto: isso não é a mesma coisa que vender comida da pior qualidade e requentada? Fico imaginando a reação envergonhada de Celso Furtado, Sérgio Buarque de Holanda ou Patativa do Assaré diante de uma idéia dessas. Mas, enfim, os cafés filosóficos precisam de seu chantili, mesmo que azedo.

 

Artigo do Dia: no Estadão, Denis Rosenfield (que acho obcecado demais com o PT, como se a quadrilha merecesse), fala da doutrina dos direitos humanos e da causa social do crime. Desta vez, ele se segurou.

 

(continua)

Paganini ai funghi porcini

Ontem resolvi testar uma receita do século XIX. Saiu no caderno de cultura do Estadão. Foi criada pelo Paganini que, além de virtuose, parece que era um "buon gustaio". Ele deveria ter deixado também a receita para comer como um poco, permanecendo magro como um cadáver. Eu, pobre mortal, continuo pagando a minha gula com uma barriguinha horrorosa, que me dá ares de verdureiro. A receita, no final das contas, nem era tudo aquilo. Raviolões com recheio de carne moída, parmesão e pinholes (que substituí por nozes) amalgamados numa massa de caldo e miolo de pão. No molho, mais carne moída, tomates e funghi porcini. O molho engole o recheio. Mal se podiam distinguir as nozes (de sabor mais forte, aliás, que os pinholes da receita original) por trás daquele molho "à bolonhesa" com funghi. Um molhinho bem leve de tomate, com um pouquinho de pimenta-do-reino teria ficado bem melhor. A receita tem tudo que não gosto no romantismo: profusão de elementos e efeitos que confundem os sentidos. Acho que é por isso que prefiro música romântica de câmera. Chopin, canções de Schubert, obras para piano de Schumann, e por aí vai. São lindas. Sinfonia de Schubert, você já ouviu? Eu não gosto. São tantos sabores misturados, que vira uma lambança. Pelo menos não engorda, ao contrário destes raviolis, que devem ter me deixado um pouquinho mais feio do que eu já era.

Desentupimento de blog

Antes de mandar uma mensagem longa, tenho sempre que mandar uma curta, que abra o caminho. A turma do UOL deveria chamar a Rotorooter, ou usar um pouco de Diabo Verde virtual.

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