Bêbado babão

Porre de cerveja importada é chique demais, não é, não, Sassa? Foi ao Frangó, hoje à tarde, para comemorar a aprovação de um aluno meu num concurso para dar aulas na PUC. Começamos às onze e meia, e só fomos terminar às cinco da tarde. Teve Erdinger, alici, aquele salaminho apimentado espanhol, Guinness draught, e mais cinco marcas belgas diferentes. Saí de lá trançando as pernas. Eu e minha digníssima fomos comprar ingressos para o show da Banda Vexame, ali no Sesc Pompéia, e aproveitamos para visitar uma instalação babaca: uma "caverna de Platão", com sombras de tubarão (???) nadando pelas paredes, e um "poço de Narciso", com o rosto de um boiola estampado no fundo. No final da instalação, havia barraquinhas com almofadões no chão, onde as crianças entravam e ficavam ouvindo histórias. Estava tão bebum, que entrei numa das barraquinhas e acabei dormindo. As crianças saíram, assustadas, e um guarda ficou de butuca, tentando decidir qual a melhor atitude a ser tomada. Minha digníssima me acordou, dando um toque de que era melhor sair de fininho. O álcool acaba com a vida da pessoa. Que degradação! Dia desses, ainda acabo lambido por cachorro.

P.S.: Nada de gracinhas, Sassaroli. Já sei em que está pensando, seu desgraçado. Tem dono, sim, senhor, ouviu? (Ele é alto, loiro e malha lá no Roldan... Afff!)

Manual de Redação da Folha

O do Estadão é melhor, mas o da Folha é mais divertido. Merece, por isso, minha preferência quando estou enfezado. O verbete "trombadinha", por exemplo, é maravilhoso: "Não use esta designação depreciativa para criança infratora". Ah, então, tá. Mas "criança infratora" é o quê? Designação elogiosa, por acaso? E se a infração da criança não for dar trombada? Na pág. 270 de minha edição, há um guia de opções politicamente corretas que é hilário. Ex.:

ANTES DE ESCREVER... fujão, maricas, amarelão, poltrão, bundão, cagarolas,

VEJA SE VOCÊ NÃO QUER SIMPLESMENTE DIZER... medroso, covarde,

MAS TAMBÉM NÃO EXAGERE, ESCREVENDO... timorato, ignavo, pusilânime, indivíduo extremamente acautelado.

Hahahahaha.... Rindo assim, a coisa escorrega que nem quiabo.

O frango se estrebuchando

Bem em frente ao galinheiro

Café torrando no globo

E um radinho violeiro.

 

Gosto de broa de milho,

Com manteiga Aviação

Cheiro de pena queimada

Botucatu no verão.

 

Feijão, arroz, batatinha

E frango com limão rosa.

Pela casa, o dia todo,

Netinhos em polvorosa.

Franz Nassif

Epa, Sassa... Mexeu com o Nassif, mexeu comigo. Não concordo em gênero, número e grau. Sabe por que eu gosto das análises dele? Porque são o avesso da ideologia. O que mais nos irrita nos grotôes mais pantanosos do PT não é exatamente a cegueira ideológica? Ontem, chegando à Universidade, fui recepcionado por um Fiesta ideológico. Um Fiesta, mesmo, o carro. Todo arrebentado, com um alto-falante estridente balançando sobre a capota, ia chamando o povo à greve. A privatização do ensino, o sucateamento da universidade, os terceirizados, a exclusão dos pretos e dos pobres, o governo do estado querendo acabar com o ensino público e gratuito: aquele melê que você conhece. O interessante é que eu pude ver de perto a cara do Fulano que berrava essas coisas todas. O carro passou bem rente a mim. A expressão com que ele falava era assustadora, Sassa. Vociferava gesticulando, de dedo em riste. Os olhos estavam fixos no pára-brisa, como se ele ensaiasse aquele discurso na frente de um espelho. O mais engraçado é que ele falava o tempo todo a respeito de fatos - o orçamento do estado, os mecanismos de acesso à universidade, a situação salarial do funcionalismo, e por aí vai. Falava sobre fatos, mas não dava a mínima bola para eles. Os fatos eram um detalhe, uma desculpa para ele destilar ideologia. O Nassif é o avesso disso, meu velho. Às vezes concordo com ele, às vezes, não. Mas sempre confio nele. Sei que os fatos, na sua coluna, são soberanos. Nada está submetido à sua opinião prévia. Ele não vai ao fato munido de uma análise já pronta, na qual o mundo terá que dar um jeito de caber. O Nassif enfrenta cada situação com olhos desprevinidos, e isso é fantástico. Tenho com ele o mesmo entusiasmo que tenho com o Bolívar Lamounier, com o Raul Jungmann e com bons vinhos e cervejas: a derrota do prêt à porter, a vitória do indivíduo, do herói romântico.

Puxei o saco até dizer chega, né? Pois que seja. Como dizia o Velho Guerreiro, "ele merece". E, antes que eu me esqueça, um brinde a Franz Schubert!

Von Mises

http://www.mises.org

Este é o site do Ludwig von Mises Institute, em homenagem ao grande economista da escola austríaca. Mestre de tantos economistas de primeira, inclusive Friedrich Hayek, que ganhou o prêmio de economia de 1974. Todos cabeças-de-planilha, como diria o grande jornalista-companheiro Luis Nassif, um cabeça-de-bagre.

O pessoal é tão coerente com seu liberalismo que não aceita doação governamental. Se vira lei, as ONGs BONGs da vida, ó!

Schop é Pop!

Já que a leitura de banheiro precisa ser estreitinha para caber sobre a caixa de sua descarga, aqui vai uma sugestão ótima. “Como Vencer um Debate sem Precisar Ter razão” de Arthur Shopenhauer, tradução, introdução e notas de Olavo de Carvalho. Editora Topbooks (bela editora essa, tem muita coisa de primeira).

 

Nas palavras de Olavo de Carvalho, este é um manual de patifaria intelectual. É impressionante como reconhecemos ali estratagemas com que nos deparamos todo dia na academia (não é a de ginástica, cacete), nos Jornais, na vida em geral. O Schop é do caralho.

 

Outro dia li mais um artigo encomendado de Luis Nassif descendo o cacete no nosso velho colega Samuel Pessoa, que parece que será coordenador de economia do Alckmin. Um coquetel de bobagens. Pegou um artigo do Samuel e o esculhambou, em resumo o grande jornalista econômico acusou Samuel de só fazer perguntas e não dar nenhuma resposta. Ele gosta de chamar certos economistas de cabeça-de-planilha, não foi diferente com o Samuel. Eu prefiro uma cabeça-de-planilha a uma cabeça vendida. Primeiro pegou um artigo do sujeito, como se fosse tudo o que ele havia escrito. Depois o acusou de só fazer perguntas, que é isso, companheiro Nassif! Inegavelmente é preferível alguém que faça as perguntas certas àquele que dê as respostas erradas. Por último, nada melhor para coordenar um grupo de economistas, do que um que pergunte muito, afinal se ele soubesse as respostas não precisaria dos outros.

Mas deve ser um exagero meu, Nassif é aquilo que se convencionou chamar de jornalista isento. Me engana que eu gosto.

 

Um Lux de Luxo para você.

Caro Perozzi,

 

Catcho! Você enviadou nosso bolg! Só faltou colocar fundo rosa com letra lilás. Somos senhores circunspectos e taciturnos, você já é quase avô. Não fica bem. Acho que o Conde Lelo Mascetti não vai querer entrar para o clube, afinal, ainda que falido, ele mantém sua pose, seu ar de “superiore a gl’inferiori”. Vai se sentir a “iguale a i diferenti”, o que é inaceitável para ele e sua tradição que remontar a 3 séculos antes de Remo e Rômulo, embora já fosse chegado numa loba e também numa cachorra, quem não é?

 

Ma, vamo la. (como diria Francesco Talliarini, inventor do próprio). Se você quer assim, fica assim. Ecco, prego, martelo e pronto!

 

Sacanagem, meu velho amigo, ficou muito bom.

 

Arrivederci!!

 

PS: o seu amigo Pascoale saiu no Guia do Estadone de ieri.

Zweitausendeins Merkheft

O catálogo da Zweitausendeins. Com o meu alemãozinho de merda, só dá mesmo para entender o assunto, e assim mesmo mal e mal, sacumé? E quem é que liga? Poderia ser um gibi em japonês, dava na mesma. O importante é que os olhos fiquem ocupados, enquanto o intestino se desimcumbe de suas tarefas precípuas. Recomendo!

Novo visu

Sassaroli, meu velho, eu já estava cansado daquele aspecto de quarto de pensão. Resolvi dar um tapa no visu do blog, e turbiná-lo com algumas invençõezinhas geniais. Há duas categorias novas: Quadrinhas ao Gosto Popular, onde você terá a oportunidade de exercitar sua veia poética (se a heroína já não a destruiu toda), e Literatura de Banheiro, onde você nos contará tudo a respeito dos seus momentos mais íntimos. Por favor, Sassaroli, restrinja-se às obras lidas no banheiro. Não sei se me faço entender. As que você apenas, digamos assim, "contemplou" não nos interessam, capisci? Ecco...

Mais uma coisa. Tipo 2 (10pt) nas mensagens da categoria "Geral", está bem? É pequeno, mas é a única maneira de combinar com o tamanho do título, que é fixo. Caracteres em azul, para você,  em vermelho para mim. Combinado? Ciao, bruto!!!

Cármen Miranda

Se precisasse mais, eu citaria o jeitinho de ela cantar "Me Respeite, Ouviu?", com Mário Reis, ou qualquer música do Assis Valente, ou aquelas famosíssimas que ela carimbou no nosso ouvido, como "Isto é lá com Santo Antônio". Mas não precisa, não. Olhe aí embaixo:

 

Brasil zil zil zil zil

http://www.jacobdobandolim.com.br/jacob/vejajacob.php

Classificação:

O site dedicado ao Jacob é maravilhoso, e nele fiquei sabendo de uma coisa surpreendente e triste. Não existe nenhum registro cinematográfico do Jacob do Bandolim tocando. A única coisa que resta são 35 segundos de um vídeo sem áudio, que mostra um repórter entrevistando-o na porta de sua casa. Como o vídeo tem 12MB, achei melhor colar o link. Não estou pedindo para ver a tia Ciata dando passe no Pixinguinha, nem para ver o Ernesto Nazaré tocando no Cine Odeon. Jacob morreu no final da década de 60, meu velho. Aparecia toda hora na televisão. Nâo sobrou nada. Nadica de nada. Nicas de pitibiribas. País de merda!!!!

Mil vezes me apaixonei

Subindo a escada rolante

Pela mulher que, descendo,

Sumia no outro instante.

Lula diz que não sabia.

Ora, vejam, que gracinha.

Um corno também não sabe

Mas, no fundo, ele adivinha.

Guia 4 Rodas

É campeão absoluto no gênero. Prático (cabe direitinho sobre a tampa da cuba de descarga), versátil (possui desde verbetes curtos, como "Ituberá" e "Bacabal", para meditações de menos de um minuto, até exposições de várias páginas, próprias para ocasiões mais solenes, como os clássicos "Campos do Jordão" e "Salvador"), absorvente (não me refiro ao papel, é claro) e variado (sempre há uma cidadezinha do interior de São Paulo que ainda não consultamos). Algumas de minhas melhores férias foram planejadas assim. Nas últimas edições acrescentaram roteiros comentados que são uma cachaça. Só paro de ler quando a coxa começa a formigar.

Entre Atos e Longe dos Fatos

Perozzi,

Hoje me lembrei de um daqueles dois documentários baba-ovo sobre a quadrilha petista e acho que foi no Entre Atos (nome melhor impossível, já que são 30 anos de encenação) que seu Guia Bestial aparece dizendo que o Lech Walessa foi um operário que chegou a presidente, mas que era manipulado pela igreja.

A desfaçatez deste cidadão é tão grande que ele tinha, até bem pouco tempo, na sala ao lado da sua o indigerível, intragável e insuportável proto-padre Frei Beto, um santo enviado direto do apocalipse.

Seu homem em Brasília é muito cara de pau, tá louco.

Fecho com uma citação biblíca em alusão a teologia da libertação, mais uma de nossas jabuticabas :

"Ninguém pode servir a dois senhores: com efeito, ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro.". (Lucas 16,13 // Mt 6,24)

 

Explico seu jornalista ignorante: dois senhores sõa Deus e Marx.

 

Um tchau biblíco

 

PSDB x PFL

As brigas entre tucanosm entre tucanos e pefelistas e entre pefelistas é tão freqüente que dá vergonha. mais olha uma sinal vermelhopro Alckmin: Tasso diz que PFL e PSDB podem romper. Uhn, tô achando que tem candidatura fritando. E ver para crer ou ver e não crer, como muita coisa neste terra brasilis.

Da chapa quente, um abraço.

O Primeiro Presídio a gente nunca esquece

Perozzi,

Vejo no UOL que seus companheiros do MLST irão para o presídio. Eu os mandaria para um presídio agrícola, daria uns 100 metros quadrados para cada um, uma enxada, um kilo de feijão e um chapeú de palha. Pronto, viraram agricultores. Quem conseguisse ser produtivo teria sua pena inalterada, quem não conseguisse também.

Reforma agrária nos presídios. E fala Carlão Estoura-tudo, o chefe da guarda:

Olha aí bonitão: ou você mostra que sabe plantar ou a gente lhe mostra o tamanho de um nabo campeão de bilheteria que o Jorjão pé de mesa acabou de produzir.

De trás das grades, um abraço fraterno.

 

Esquerda Coerente

Pero Perozzi,

Este MLST tem aquela coerência dos velhos tempos da esquerda, quando o crepto-stalinismo petista não havia surgido.

CoVeja só, o MLST é a sigla para Movimento de Libertação dos sem-terra. Se é para libertar, alguém tem que estar preso. Então fizeram aquele novo arranjo floral no Congresso e, finalmente, o movimento faz todo o sentido, já têm a quem libertar.
 
Pena que não juntaram aí todos os meliantantes deles do MST, PCC et caterva.
 
Brasil, um país de todos. . . que conseguiram uma boquinha.
Chupetinha

Esta aqui saiu hoje no blog do Nassif, Sassaroli. Sei que você não gosta muito do cara, mas, na minha opinião, é perfeito. Veja lá:

Faltou alguém no julgamento de Carajás: as lideranças que insuflaram velhos, mulheres e crianças a avançar sobre a polícia -- conforme documentou, na época, uma repórter de uma afiliada da Globo no local -- enquanto mantinham-se protegidos, longe dos conflitos. Conseguiram os cadáveres sem correr riscos, nem criminais.

Seria importante que não ficassem de fora no julgamento desse ato de vandalismo que ocorreu na Câmara. Nem se pense apenas no líder presente, membro da Executiva do PT. Mas também nos que, de longe, ajudaram na montagem da baderna e, principalmente, outras lideranças que, com acesso à mídia, vêm se constituindo em insufladores de todo tipo de violência, a pretexto de reagir contra a violência do modelo econômico.

Dentre todos, nenhum tem sido mais irresponsável que dom Tomás Balduíno, da Pastoral da Terra. Defendeu e estimulou não apenas a invasão de terras, como a destruição de estações de pesquisa agronômica da Embrapa e, agora, a selvageria que assolou a Câmara. Pouco se lhe importa os riscos de vida, das vítimas e dos próprios agressores.

Dom Tomás é a prova viva de como foram felizes os legisladores que, no início da República, tornaram laico o Estado brasileiro. Que receba a eterna gratidão da Nação o parlamentar gaúcho Demétrio Ribeiro, autor da lei que Rui Barbosa quase desvirtuou, separando Estado e Igreja.

Agora vai

Perozzino,

O PT acaba de divulgar nota expulsando o Bruno Maranhão do partido. Ufa, fiquei aliviado.Agora, as coisas começaram a mudar no Brasil. Bruno Maranhão é pinto, o problema é só o resto.

Ah, acharam uma fita mostrando que tudo foi planejado. Uau, quase morri de supresa! Será que não tem do PCC?

 

Finishing

Outro dia, titio Gianotti, num daqueles debates que levam ao nada da Globonews, lembrou daquele idéia de que o Deus brasileiro é um Deus que ri.

 

Discordo do velhinho: eu acho que nosso Deus brasileiro rola às gargalhadas, enche as calças com nossas peripécias nacionais.

 

Brasil, um país de todos... esperando sentados.

 

Te vejo no juízo final, com meu livrinhos de anotações, Baby.

Sem título

MST, MLLT, PCC, PT, PC do B, PCB, PTB, PP, DKW, KGB, PURÊ, DENDÊ , etc é tudo farinha do mesmo saco (nova essa!). Quando nem a otoridade máxima segue a lei, o que esperar dos bandoleiros? Há anos, FHC não foi muito diferente, que se passa a mão na cabeça destes bandidos travestidos de movimento social. Conheço gente que teve terras invadidas, a descrição é pavorosa.

 

Você viu o caso do velhinho que morava numa fazenda que foi invadida, acho que no Vale do Paraíba? A fazenda enrolada sei lá por que motivo e o velhinho estava lá há 20 ou 30 anos. O MST invadiu e deu 15 minutos para o homem se retirar; no dia seguinte, como eles têm bom coração, deixaram a família voltar para pegar suas coisas. O líder da invasão disse que ele foi não foi expulso, mas convidado a se juntar ao movimento. O segundo botão de minha camisa, que é o mais atento e politizado de todos, me pergunta: ué, não são as FARC que usam essa tática? Sim, com a diferença de que na Colômbia a coisa chegou ao ponto em que eles simplesmente matam quem não se juntar à guangue, ops!, ao movimento social.

 

Eu acho um sinal muito bom, e uma surpresa, que no Brasil ainda não tenhamos grupos para-militares de oporsição a esses grupos. Obviamente, que seriam bandidos de ambos os lados.

 

É isso, quando a lei começa a ser relativizada como se fosse uma sessão de interpretação de textos bíblicos comandada pelo Foucault, dá nisso.

 

De minha parte, eu quero mais é que a coisa esquente, o Brasil precisa se encontrar com seu lado mais obscuro. Fundamental se colher o que se plantou.

 

(volta já menos pessimista)

Cadê José Francisco?

No Roda Viva da semana retrasada, o Bob Jeff (não entendi por que foi convidado mais uma vez, acho que ele, o Dirceu, o Genoino, o João Paulo e todos deveriam ser banidos da mídia e saudados com ovos nas ruas) disse sobre o caso Dimas em Furnas: eu e o presidente conversamos sobre como montar o caixa para o PTB e o PT em Furnas, etc. Aí o Markum perguntou: mas o Sr. Conversou isso com o Presidente? E Bob respondeu que sim.

Precisa mais? Cadê os promotores? Todos na sede do PT ou comendo hóstia. Nunca antes neste país se viu tamanho descaramento.

(me aguarde)

Brasil mostra a tua cara

Definitivamente acho que esse debate não chega a lugar nenhum devido a uma pequena dificuldade de 30 anos: Lula é um mito para a esquerda, o mito do operário presidente, naturalmente bom, incorruptível, honesto ao extremo da loucura. Contra os mitos, mesmo quando sua máscara cai e seu putrefato rosto verdadeiro vem à luz, não há argumento racional que valha. Vale a paixão. Depois do mensalão, achei que você tivesse percebido que Lula era, afinal, um ser humano como o Zezinho porteiro do meu prédio (este sim é quase tudo aquilo, e trabalha, o que faz toda a diferença na compreensão do mundo real). Mas bastou o homem, falo de Lula (melhor esclarecer!), subir nas pesquisas e o sonho do Brasil sindicalista, justo, puro, moreno, cheiroso, alegre, generoso, do bem (pessoa de bem eu gosto, não gosto é da expressão “pessoa do bem”), da economia solidária, onde lucro é pecado, putas beijam na boca e aves não ficam gripadas volta a dominar seu coração romântico, como o manjericão da receita do Paganini.

(e volto)

Terceiramente

Terceiramente, prefiro carregar o ACM e o Pauderley ao MST, MLST, o PCC,o CV, o PC do B e toda a imbecilidade da esquerda brasileira. Nossos fardos custam barato perto dessa gente e o grupo de ACM faz boa administração na Bahia há muitos anos. Além disso, Vovô Antonio Carlos inventou os projetos de redistribuição de renda (deve ter sido por alguma maldade daquela vendida ao capeta). Vai para o céu o desgraçado. O PFL com seus imensos defeitos ajudou o início da modernização do país nos anos FHC. Eu prefiro sentar à mesa com Marco Maciel, Bornhausen, César Maia do que aguentar o mau hálito de Berzoini e cia. Mas, deixa eu te falar uma coisa, eu não ia cobrar a conta de ontem, pois sei que você sempre foi contra a reforma agrária, sabe que é uma perda de tempo e dinheiro.

 

(se segura que eu tô voltando)

 

Opa!!!

First of all, saí para lá seu tarado por blog. Tá me estranhando? Que negócio é esse de senir minha falta. Dá um cata na véia ou senta numa forminha de gelo para se acalmar.

 

 Segundamente, o dinheiro do Valério era roubo de estatais e de empresários achacados pelo governo. Pura e simplesmente.Não sei para que complicar o que já está esclarecido.

 

(eu volto, que falta muito!)

MLST do B

Sassaroli, antes mesmo que você me apresente a conta da invasão do Congresso, vou logo pagando a parte que me cabe. Achei um nojo, e é balela dizer que o PT não tem nada a ver com a coisa. O chefão desse tal MLST tem assento na direção nacional do partido, e eles sabiam perfeitamente bem com quem estavam lidando quando deram esse espaço ao cabra. Tudo bem, a direção do partido tem que refletir a composição que venceu a disputa interna. Mas, se o Marcola for uma das forças vencedoras, terá que decidir: ou bota o cara prá correr, ou arca com os custos da composição. Não fosse assim, o PFL poderia ser o partido do Marco Maciel e do Cláudio Lembo (dois "homens de bem", para usar a expressão de que você não gosta), mas não do ACM e do Pauderney Avelino (que ontem ganhou um espação na mídia regurgitando obviedades contra a "manada" que invadiu a Casa). Enfim...

Por outro lado, acho que a porção hegemônica no PT verá na ocasião uma oportunidade muito bem-vinda de dar um pé na bunda desse cara. Será expulso, sem muitos trâmites, nem óbices. E concordo que é pouco. O MST todinho, com "L" no meio, ou sem, é um enclave de atraso e autoritarismo no Brasil. O que o MLST fez ontem no Congresso é basicamente o que é feito nas fazendas que o MST invade, sem que os donos possam chamar a polícia e mandar prender, como fez o comunista do B no meio do bafafá. Não dá. Mas, fazer o quê? Vocês, tucanos, para comer o filezinho do Serra, têm que engolir junto o xarope amargo do Pauderney, não têm? Cada um com sua cruz, meu caro. A minha, ontem, doeu no lombo que nem te conto.

Mas não tem nada, não. O Lula se reelege e, com o Ciro no ouvudo dele, ninguém segura o homem. Dá-lhe barbudo!

Declaração de amor

Sassaroli, estou ficando viciado em blog. Leio um pouquinho, e venho ao blog, para ver se você já disparou o seu torpedo diário. Corrijo um trabalho, e venho novamente. Tomo um cafezinho, e dá-lhe blog. Acho que ele é uma espécie de pontuação dos meus dias. Quando só leio, é uma vírgula. Quando escrevo, é um ponto final, ou um parágrafo, conforme o caso. Estou chegando à conclusão de que não posso mais viver sem você. Eta viadagem braba, né? rs... Vou terminar o relatório para a Fapesp. Depois, eu volto. Baccio.

O X do problema

Sassaroli, gostaria de ter mais clareza sobre a origem do dinheiro do Marcos Valério. Acho que ninguém tem. Em todo caso, duvido muito que, no final das contas, não tenha relação com "caixinha" de fornecedores de estatais, nomeações para a mesa de operações do Banco Central, e coisas do gênero. Numa palavra: loteamento do Estado. Não é possível fazer uma comparação ponto a ponto entre o comportamento do PT e do PSDB quanto a isto, mas acho que, vista de cima, a situação que ambos tiveram que enfrentar é basicamente a mesma: construção de maiorias parlamentares pela divisão do Estado entre os partidos aliados. São trinta mil cargos, Sassa (com o PT, a coisa subiu para 33 mil). Tem muito cabo eleitoral atrás de uma sombrinha mansa nesse bolo, mas não é razoável pensar que os partidos se matem por esses cargos apenas para ver o Zé Mané da Vila Gumercindo vestindo a camisa do partido daqui a quatro anos. O problema básico que todos os partidos tentam resolver é como conseguir dinheiro para a campanha, eventualmente (vide Collor) embolsando as sobras. Para isso, chantageiam: ou nos dá tais cargos, ou não aprovamos mais nada. É claro que todo mundo faz caixa 2 - é o dinheiro que chega em malas e cuecas. Mas é claro também que ninguém precisaria fazer caixa 2 se a origem do dinheiro fosse confessável. Isso é um problema enorme no Brasil. Custa nossos impostos. Ou se desmonta esse esquema, mediante financiamento público de campanhas, fidelidade partidária, e coisas do gênero, ou continuremos pagando a conta. Nem petistas honestos, nem tucanos honestos sentem-se confortáveis com esse esquema. Mas grande parte do PFL e do PMDB querem mais é que a farra continue, pois eles lucram com isso. O PP, então, nem se fala. Temos que sair disso.

Be Happy!

Perozzi,

É incrível como você se seduziu pelo Lula 2006 e voltou a  engolir este papinho de que o PT fez o que todo mundo faz. Primeiro, mensalão nunca existiu, existia loteamento de cargos. Grana no atacado na mão da moçadinha do congresso foi a primeira vez. Nem me venha, essa inovação financeira foi petista. E não é caixa dois não, é compra de votos pura e simplesmente. Ta lá provado. O relatório da CPI é perfeito.

Veja que raciocínio engraçado esse de vocês: roubaram mas tanta gente rouba, então é moralismo e cinismo. Seria lindo se os juízes seguissem esta sofisticada regra jurídica petista, Kelsen adoraria tê-la criado: é ilegal mas é rotineiro, então se absolva. Continuemos na mesma linha: a polícia pega o sujeito roubando um carro, leva pro juiz e ele diz: cês tão loucos, solta o cara, tá cheio de nego roubando que nem ele.

Quem foi pego de calças arriadas foi o PT, pelo que o Duda disse dava para caçar a legenda. Bem disse o Bob Jeff, naquele dia do depoimento do Duda o processo de impeachment deveria ter sido proposto e bye bye Brasil. Repito, é uma injustiça histórica que a quadrilha petista não tenha sido enxotada pela democracia brasileira, eles que sempre a vilipendiaram e sempre trabalharam contra o país. É impressionante que você tenha esquecido o que essa gente fez ao Brasil desde 1980.

Mendonça elogiou o Malan, que deve ter guardado a entrevista, pois isso é raro. Manda seu ministro Guido Mantega segurar o leme com 5 crises mundiais pela frente. Ah, como eu queria uma crise global de uma semaninha, só para ver os caras se borrarem em Brasília. Seria lindo, mas não precisa ser agora, pode ser no ano que vem. Mais cedo ou mais tarde ela virá. Malan é gentleman porque no lugar dele teria mandado metade do PT tomar no cu, a outra metade se fuder e enfiado a mão na cara do Mercadante, só isso. Têm certas coisas que devem ser resolvidas no braço. Mercadante é aquele que elogiou o Plano Collor e desceu a lenha no Plano Real, enfim um economista petista.

Bolsa Família? Só vamos lembrar que quem inovou nesta merda que chama de proteção social foi FHC. O genial Lula ao assumir queria fazer o Fome Zero porque dar dinheiro para pobre era errado pois o FDP gastava com pinga. Isso é que é preconceito de classe. Mais tarde, vendo o fracasso da idéia se voltou para os planos do FHC. A idéia pode ser boa, mas é potencialmente perigosa, meu velho. Um exemplo para você sentir a bomba: o governo petista com sua frouxidão com o MST fez com que a massa do movimento crescesse assustadoramente, qual o motivo? As facilidades atraem todo tipo de gente, mesmo quem não tem nada a ver com o treco. Estes programas podem levar muita gente a optar pela ajuda e desistir do trabalho. Espere e verás. Outro probleminha: qual o limite para a economia sustentar essa gente?

Cada povo tem o governo que merece. Por isso FHC é uma aberração na história brasileira, nunca deveria ter estado lá. Mas acidentes acontecem, felizmente.

Mas é isso, meu velho amigo, se é para você ficar feliz, que venha Lula II A Omissão. O Brasil quer. O Brasil merece. Assisto sentado e de cabelo em pé.

Para pensar: os ataques do PCC em 2006 e a estranha coincidência de rebeliões nos anos eleitorais em São Paulo me levaram a pensar em Invasões Bárbaras de Denys Arcand, sobretudo o episódio do roubo do notebook do filho executivo. Vale uma revisão do filme.

Ciao bello!

Fumante é uma pessoa mais interessante . . . no necrotério

Perozzi,

Uma reclamação rápida. Esse negócio do cigarro matar os fumantes lentamente é uma desgraça.

Meu vizinho de baixo é um maldito fumante. Tosse como um cachorro engasgado o dia inteiro. Pior, quando ele acende aquela porcaria, tenho que fechar a janela se não meu escritório vira fumódromo. Um inferno este cara e morre lentamente. Não podia ser depressa?

Já deixei ordem na padaria: quando ele chega dizem que um amigo lhe deixou um maço de cigarros pago, mas tem que fumar o maço todo nas 2 horas seguintes. A tosse tem aumentado desde então, mas acabar que é bom, não. As indústrias poderiam dar uma ajudinha, adicionar mais elementos aceleradores da decrepitude pulmonar do fumante, mesmo para os fumantes passivos seria melhor no médio e longo prazo.

Outro dia vi que alguém escreveu um artigo para o site Carta Maior (Só Bobagens) defendendo que os fumantes eram pessoas mais interessantes. Aquelas coisas esquerdizóides libertárias, que têm origem na idéia de que tudo que está aí (lembra de alguém que dizia isso?) representa a classe dominante e precisa ser combatido, inclusive o TODDY. Um desses militantes me respondeu um dia, depois que lhe indiquei uma boa escova de dente: mas é de cerdas naturais? Eu só uso de cerdas naturais. E olha nós comprando uma escova de cerdas de pêlo de saco de jumento, o que faz sentido. Ah, o autor do artigo era um português. Juro, não tô de sacanagem. Você sabe que eu não tenho preconceito contra português, até conheci um inteligente outro dia.

E o FDP tosse que nem um condenado aqui. Como vou me concentrar na leitura?

Fuma, fuma que te fa male!! (quando você estranhar meu italiano é porque estou usando um dos 29 dialetos da bota)

TRAGÉDIA ANUNCIADA II

Concordei em parte com você de que um discurso moralista não ganharia a eleição, o que é um péssimo sinal, de fato o povo quer propostas concretas para seus problemas imediatos, o que também é um mau sinal. Vejo hoje no Estadão que o governo vai contratar a rodo, vai abrir as burras (83 mil vagas, dos quais 33 mil já efetivados, acho que é isso). Pelo jeito, num novo mandato Lula, o país explode a crise de dívida. Eu acho as crises sempre muito didáticas, mas nossa tragédia nacional é que não aprendemos nem com a catástrofe.

 

Outra coisa, Lula está na frente deste jeito porque faz campanha sozinho há 4 anos e, este é o fator chave da eleição, está distribuindo grana como um doido no nordeste através do Bolsa Família. É sempre o que lhe digo, no curto prazo ele se reelege, o povo come, mas isso vai salvar nosso futuro ou afundá-lo ainda mais? That’s de question? Se o Lula não fizesse uma declaração por dia e não fosse o arrogante e cara de pau que é, para mim era indiferente. Se pudesse elevar os juros para 25% ao ano, eu ficaria ainda mais feliz, já o Brasil...

 

O ponto central é se o Lula consegue montar um plano que nos faça avançar, ele teve 4 anos e, como você disse, ele foi humilde (para mim incompetente) e continuou o que FHC vinha fazendo. Os economistas do PT são Mercadante (mais uma porta produzida pela academia campineira de economia, com os deslizes de caráter que conhecemos), Guido Mantega (precisa dizer alguma coisa?) e Reinaldo Gonçalves (tão bom e isento economista que criou um índice que mostrou que o Presidente Dutra foi o melhor e o FHC foi o pior na vulnerabilidade externa da economia; o que faz todo sentido, já que a economia de 1950 para 2005 não mudou em nada. E esse cara tirou seu doutorado, é pago pelo estado para ensinar economia, deve ser puro Marx, a jovens coitados lá no Rio).

 

Meu voto para Alckmin, embora eu sempre tenha preferido o Serra, é porque acho que ele pode montar um grupo de pensantes para dar o próximo passo pensando no Brasil de 2020. Também sempre curti seu estilo discreto e recatado, é um exemplo daquela responsabilidade ao se dirigir ao povo de que falei ontem, não sair falando qualquer coisa porque pega bem. Lembre-se que mesmo nos piores momentos da crise ele não se aproveitou, não tirou partido da coisa, em suma, não usou o conhecido método petista de aproveitar toda oportunidade para fazer proselitismo, mesmo que seja para dançar sobre cadáveres, como acabou de fazer nosso Guia depois dos ataques do PCC. A isso José Simão apelidou de picolé de xuxu, tudo bem, eu prefiro xuxu à merda. Mas se o povo quer merda, votar no PT será o caminho mais curto.

 

Mas no Brasil dominado pela mentalidade católico-marxista, Lulinha criar uma empresa do nada e ficar rico durante a presidência do papai é negócio normal (como disse o bobo alegre de sempre Luiz Nassif em sua coluna), mas a filha do Alkmin ser assalariada na Daslu é um escândalo, é motivo para as fofoquinhas maldosas das luluzinhas da esquerda. Alto lá, não estou defendendo a Daslu sonegadora, mas acho que , desde que cumpra a lei, ela tem todo direito de existir.

 

Música do Dia: Nobody Does It Better com Carly Simon (que bocão!!) em homenagem à Edilva que não erra nas 3 médias que tomo no café da manhã.

 

I can’t Believe: Gabriel Chalita vai lançar um disco. É o enganador multimídia número um do Brasil. Chalita é o chá de santo daime da nossa classe média, ignorante mas in, que é o que conta. A Veja esculhambou o sujeito, o Aliás do Estadão dá um página mas não li, estou sem chá de Boldo e o Eparema tá caro.

Pergunta que não quer calar: o que seria pior, Chalita no Ministério da Educação do Alckmin ou Renato Janine Ribeiro no do Lula? façam suas escolhas!

 

Negócio da China: Chalita e Janine poderiam criar o primeiro serviço de personal filosófico do mundo, daria muita grana, mas aí tem que trabalhar.

 

Fui.

TRAGÉDIA ANUNCIADA

Perozzi,

 

Continuo atacado!

 

Veja só, num país onde o IBOPE constatou que mais de 70% das pessoas entrevistadas confessou que, se estivesse em condições de garfar o dinheiro público, garfava sem peso na consciência, o que podemos esperar? Por isso que um papo moralismo não pega. Muita gente faria a mesma coisa, ou Maluf ganhou eleições em SP pela sua linda voz?

 

Quando um presidente é pego com a mão na butija, parte de sua família também, a cúpula do partido é acusada de montar uma quadrilha, e a população vota em peso pela sua reeleição, bom sinal não é. Quase todos fazem, é verdade, mas é daí? Os que forem sendo pegos devem pagar.

 

Na década de 70, acho que no governo de Kakuei Tanaka (eta memória boa), houve um escândalo (Lockheed, chequei no Google) e se bem me lembro alguns envolvidos praticaram arakiri. Se a moda pegasse no Brasil, eu queria ter uma fábrica de espadas, por dois motivos: para ficar rico, pois sou um capitalista porco, e para fazer espadas bem cegas, com corte bem ruim para o FDP sofrer muito para enfiar aquilo na barriga. Mas acho que até no Japão isso ficou fora de moda.

 

Para mim, a cena mais impressionante daquela crise foi ver a família do João Paulo Cunha nas galerias do Congresso dando a maior força pela sua absolvição. Rapaz, eu não teria coragem de olhar na cara do meu filho com aquele monte de acusações, sem falar nas desculpas esfarrapadas que o sujeito deu e depois retirou. Se os corruptos fossem acossados nas ruas pelas pessoas, vaiados nos restaurantes, nos shoppings, se fossem condenados a uma vida de permanente esculhambação, as coisas começariam a mudar. Mudariam ainda mais rapidamente se seus filhos fossem pressionados em suas escolas, recusados nos times de futebol, de vôlei, não fossem convidados para as festas de aniversários dos colegas, aí sim os ladrões sentiriam na pele as conseqüências de seus atos recaindo sobre as gerações futuras. Outro dia vi o Pitta almoçando com a namorada e o filho num restaurante, na maior cara de pau. Se eu fosse o cozinheiro teria feito xixi na sua sopa, método muito bem usado pelo Necchi em seu bar.

 

Mas no Brasil, a PUC Minas, que deveria educar jovens, convida o quadrilheiro Zé Dirceu para uma palestra. A esquerda não vê problema no mensalão porque foi pela causa justa que o PT defende. Já lhe disse, roubo é roubo, seja lá porque motivo. Ladrão de galinha e Cacciola é no fundo a concretização do mesmo problema, mau caráter. Por isso, acho Barbalho menos nefasto que Dirceu, este é defendido por atores, escritores, e outros tipinhos que vivem de mamar na Lei Rouanet (um dia também falarei por que ela deve ser extinta). Tudo bem ninguém é preso, mas Barbalho voltou ao parlamento e fica lá no fundão escondido, está querendo só o salário e as oportunidades de negócios que o cargo lhe oferece (que hoje são diminutas, visto que o tipo é manjado). Já o herói guerrilheiro, que, como se sabe, nunca pegou num canivete, é exaltado por grupos e pela militância como gênio da raça.

 

(continua)

The last, and perhaps the least

Finalmente, o mensalão. O nó da questão, aqui, é encontramos um mecanismo de construção de maiorias no Congresso que não passe pelo loteamento do Estado. Mensalão é isso: dinheiro redistribuído à base aliada que foi captado, na outra ponta, achacando fornecedores de estatais. Repito o óbvio: Collor fez, Itamar fez, FHC fez, Lula fez, fará novamente, e até Jesus Cristo faria, se não quisesse chutar o balde e dar uma de Dom Quixote. O grande problema dos petistas, neste caso, é que têm que se defender sem confessar o crime. O dos tucanos, porém, é maior: têm que acusar, sabendo que fizeram exatamente a mesma coisa. Má consciência. A população percebeu isso com uma clareza meridiana. Cada vez que ouve o Alckmin falar em "banho de ética", percebem que ele está sendo hipócrita. E está, mesmo.

Nenhum mate em três à frente, Sassaroli. O governo do PT foi mediano. Esteve longe, muito longe de ser um desastre. Até nisso foi semelhante ao segundo governo FHC. Mensalão, cada um teve o seu. E o povo está de barriga cheia, e gosta disso. Quem não gosta?

Votar com o bucho

O grande trunfo do governo talvez sejam resultados sociais razoáveis num ambiente econômico marcado por juros astronômicos. A distribuição de renda melhorou. Pouco, mas melhorou. Esse é o grande problema do Brasil. Miséria. Gente abandonada à própria sorte. O bolsa-família, com tudo que possa ter de imperfeito, é um dos principais eleitores do governo Lula. Se os miseráveis estão votando nele por isso, acho que estão certos. E acho que devem recusar o voto a qualquer governante que não se disponha a aprofundar ainda mais a política de proteção social que começou com FHC e continuou com Lula. Quando votavam em troca de dentadura, ninguém achava ruim. Agora, votam em troca de uma política de governo. Não é melhor assim? O mundo (e não apenas o Brasil) precisa se acostumar com a idéia de que o desemprego sistêmico exige o aprofundamento, e não o fim, de programas de proteção social. Quem não consegue lugar dentro do sistema produtivo tem que receber dinheiro desse sistema para sobreviver, ou então terá toda a razão em pensar que o melhor mesmo é seguir os passos do Marcola. Nesse ponto, não tem jeito. Sou de esquerda, mesmo. E acho que estamos todos condenados a ser de esquerda, nesse sentido, mais cedo ou mais tarde. O piso da sociedade não pode estar abaixo da cadeia: teto e comida garantidos. A partir daí, a discussão é possível. Antes disso, a barbárie está justificada. Tenho dito.

De zero a dez, cinco

Que o PT não tem quadros, não tem, mesmo. Ninguém duvida disso. Não acharia isso uma falta irreparável, caso o partido simbolizasse rumos claramente identificáveis. Os quadros viriam naturalmente agregar-se ao projeto. Não é o que aconteceu. O que mais parecia se aproximar de um projeto era a herança "esquerdista" do petismo, que eles tiveram o bom senso de não levar muito a sério. O que levaram mais a sério dessa "herança (verdadeiramente) maldida" talvez tenha sido o programa de reforma agrária, enterrando ainda mais dinheiro público na guerra pela vitória no "número de assentamentos". Até aí, no entanto, eles apenas deram seqüência a um erro populista que vinha do passado. No mais, concordo com o Ciro Gomes: faltou rumo. A condução da economia foi totalmente passiva, e seu maior mérito foi não ter metido o país em nenhum tipo de aventura. Jogaram o feijão-com-arroz direitinho, e fizeram um governo sem brilho, mas também sem grandes problemas.

Melissa

Hehehehe.... Ficou vermelhinho, foi? Tá com raivinha? Calma, Sassa... Sente-se aqui, tome um chazinho, respire fundo e ouça o que o titio Perozzi vai lhe dizer. Quando o Mendonça diz que quem fabrica estabilização não sabe fabricar crescimento, não está, com isso, recomendando o nome do Malan para o Nobel de Economia. Está dizendo que o nome certo, naquele momento, era outro - o do Serra, ou o dele. Duvido que o seu "gentleman" preferido tenha guardado o artigo do Mendonça em seu álbum de recordações. Do mesmo modo, quando eu digo que o Palocci limitou-se a copiar as receitas do governo tucano, não estou com isso dizendo que ele foi particularmente genial. Estou dizendo, em primeiro lugar, que ele não se meteu a besta, acalmou os mercados e permitiu que o governo entrante não entrasse pela tubulação do confronto. E estou dizendo também que, do ponto de vista daquilo que realmente importava (e ainda importa) - baixar os juros - deixou como estava para ver como é que iria ficar. E ficou: aí estamos nós, há quase dez anos encalhados. Ou não?

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