Jabá

Tudo bem, Sassaroli. É jabá. Mas o Faustão é jabá (pago) do começo ao fim e, juntando todos os "artistas" que se apresentam por lá, não dá a metade de um dos membros do conjunto que se apresenta aos sábados no Rasgueira (r. Gabriele D'annunzio, 1346, tel.: 5042-3070). Chorinho da melhor qualidade. A feijoada estava divina, e o dono me prometeu umas Brahmas de graça no sábado que vem se eu desse esta palhinha aqui no blog.

Olhaí, ô meu, eu fiz a minha parte...

A vida Continua

 

Alguém acenda a luz!!!

 

Perozzino,

Como você sabe, gosto de todas as mulheres, inclusive as exóticas. Eis que bandeei para uma aventura mais pesada. Haja fôlego! Na foto acima, você pode não acreditar, mas estou por baixo. Nunca acreditei que conheceria as trevas ainda em vida.

Um abraço.

 

E a Merda Começou 2
“Nem por isso um bronco --pelo contrário, era bem ligado ao seu meio social, com um senso crítico permeado de bom humor. Não deverá ser substituído.”  Logo, todo gordo boa praça, que gosta de mulher, de futebol e de cerveja é bronco, exceto o Bussunda. E o grande sábio sabe que ele não deverá ser substituído.

“Óbvio: ainda é cedo para discutir em público o tempo que resta ao "Casseta & Planeta". A turma de humoristas ainda está abalada com a morte. Neste momento, seria desrespeitoso e desumano especular sobre os prejuízos financeiros dessa "indústria do humor". Uhruuu, seria desrespeitoso discutir, diz ele, mas por que não fazê-lo. O foca acaba de esquecer a visão “generosa" (palavra que odeio) dos Cassetas e assume seu lado Frei Beto para ir na jugular do empreendimento capitalista em si. Perozzi, eis aí o que chama da condenação do sucesso e exaltação do fracasso.

Mas seria ingênuo imaginar que a cúpula da maior emissora do país vai demorar em elaborar cenários para o horário nobre das terças-feiras, peça relevante na sua grade de programação --inclusive financeira, já que o "Casseta & Planeta" é uma "máquina de fazer dinheiro" . Olha o foca destilando seu rancor, ganha 5 míseros paus por mês do Otavinho (que vive com aquela cara de crise de consciência) e odeia quem ganha mais.Quer vingança

Inevitável foi dizer o "Pânico" era sangue novo no humor na TV, e o "Casseta" era algo que bombou nos anos 90, está na fase do "vamos faturar ao máximo" e garantir uma boa aposentadoria logo mais. Xi, agora o pior dos rancores, o da aposentadoria, esta catarse brasileira. Cony que o diga, nos garfa 19 pilas por mês. Brasil, um país de todos . . . esperando por um barranco.

Antes de ser apenas um comediante, o pançudo Bussunda era um cronista social com as constantes referências de seus personagens ao "Brasil churrasco", ao mastigar do torresmo, ao queijo derretido, ao pagode do domingão na laje, às peladas. Argh, agora o foca volta a ficar bonzinho, camarada, já está aliviando, desencarnou Frei Beto e fala do Bussunda boa praça, engajado, gente como a gente. E que texto: ao mastigar do torresmo, ao queijo derretido. Um novo machado desponta na cena brasileira.

Destilado o rancor com o sucesso, ele dá esta primeira ajeitada para encerrar com chave de ouro e difarçar o sentimento que “toca seus piores instintos”. Vejá aí:

Aqui, na redação da Folha Online, não encontramos em nossos arquivos nenhuma foto de um Bussunda sério, mal-humorado. Estava sempre sorrindo. Com exceção das imagens em que faz paródia de Lula --os dois tinham em comum o corpo acima do peso, a paixão pelo futebol e o jeitão Zeca Pagodinho, outro polêmico garoto-propaganda de cervejarias. Ah, eu sabia, o foquinha amaciou com o Bussunda e, como não poderia deixar de ser, o colocou na mesma estatura do seu Guia Genial e mais Zeca “assinei o contrato e dái” Pagodinho.

Perozzi, jornalismo brasileiro é isso aí. O pior que eu conheço.

E a Merda Começou!

Amigo Perozzi, 

 

Como sabemos, a esquerda politicamente correta é a grande praga contemporânea. Ou se acaba com ela ou ela caba com a inteligência. O bestialóide não perde chance de se mostra presente.

Mal Bussunda morreu e já começam as idiotices pela imprensa.

 

Primeira Aberração:

Juca Kfouri  que vai bem até que se torna engajado (lembremos que é amigo de Aldo Rebelo e que como ele acha que se deve proibir termos estrangeiros – leia -se de língua inglesa – no país, tanto que usa sítio ao invés de site) vem com esta pérola:

“Bussunda era excelente humorista. E um humanista.

Tinha plena consciência do país em que vivia e era inconformado com as injustiças.”

João Gilberto é excelente cantor, se é humanista não sei, é quase um não humano,dizem. Mas não deve ter a menor consciência do país em que vive e das injustiças que praticamos e nem por isso é menos genial, nem por isso deixa de ser essencial.

Milton da Costa (o grande lógico brasileiro) em etrevista disse que raramente lê jornal, acha um desperdício de tempo, nem por isso deixa de ser menos importante.

O sujeito passa anos enfurnado em seu laborátorio de biologia, cria lá uma droga que salva milhões, mas Juca diria que ele não era um humanista (de fato é um biologista, digamos), que não tem consciência de porra nenhuma e que vá para o paredão. Ah, Juca que va tomar no cú.

Segunda Aberração:

Um foca da Folha (desculpe-me pela redundância, há 15 anos só há focas na Folha, a maioria bem velha, é verdade), chamado Sérgio Ripardo,  corre para fazer a primeira análise do fato, senta que lá vai comédia, Perozzino:

“Não foi só o Bussunda que morreu hoje na Alemanha. Morreu também o "Casseta & Planeta", uma das cinco maiores audiências da Globo.” Dá-lhe Mãe Diná, o cara pode não ser bom, mas como seca o sucesso dos outros.

“Ele personificava o espírito de galhofa do programa. Encarnava um tipo brasileiro, de fácil identificação pela periferia e esnobado pela elite: o gorducho boa praça, louco por futebol, mulher e cerveja.” Opa, concluímos que só pobre via o C&P e que só eles gostavam do Bussunda. Que rico não gosta de futebol, nem de mulher, nbem de cerveja. Logo, rico é tudo chato, gay e milita no Opus Dei. E Max Weber vai para galera celestial, já tem sucessor.

(continua, que estou puto!)

Nossas incompletas terças.

 Hei, hei, hei . . . Bussunda é nosso Rei!!!

 

Perozzi,

 

À merda o mundo. Perdemos Bussunda. Lá se vai parte de nossa alegria das terças. Lá se vai nosso Lula cover, bem melhor que o original, pois não se levava a sério.

Ao sair para almoçar. Zezinho, sempre ele, me avisou: Marcão  me disse que aquele Casseta gorducho morreu. Marcão é o o guarda da rua.

Zezinho é analfabeto, já tentamos até choque elétrico para ele ir para escola, mas não foi. Até se pergunto quem está jogando, ele se embaralha. Pensei comigo: mais uma das dele!

Procuro Marcão, que nada. O guarda deve estar guardando alguma outra coisa.

 

22 passos, entro na Cantina, Raimundo me confirma.O peixe desceu pesado, cara! Um baque.

 

Então,

Viva Bussunda!

Ele vive no nosso deboche ao politicamente correto;

Ele vive na nossa irreverência contra a gentalha;

Ele vive enquanto a gente não se levar a sério mais do que o necessário.

As terças só ficaram incompletas, não morreram.

Bussunda viverá enquanto as terças existirem.

Viva Bussunda!

Que o velho espírito quintetiano mantenha sua tradição e vamos ao velório relembrar as melhores piadas do Casseta.

 

EM PRIMEIRA MÃO: Bussunda no céu:

 

- Aí fala sério, São Pedro. Quer dizer que me esforçei pra cacete e ainda assim não deu para escapar? Não vai ter capetinha daqui para frente?

 

Até terça, Perozzino.

 

Letra Completa

Perozzi,

Tirei aquela letra de um site (ia até indicar o FDP aqui) mas vi que havia erros e estava incompleta. Por isso, coloquei a letra completa, digitada por este que lhe escreve, letrinha por letrinha. De maneira que estou dispensado deste blog por uma semana. Tirei do livro "Cole - A Biograaphy Essay" de Brenda  Gill, Delta Publishing.

Veja se tirei suas dúvidas.

Cole e Ella precisa mais?

Bye.

You're the Top!

 (Refrão 7)

You’re the top!

You’re the Tower of Babel.

You’re the top!

You’re the Whitney Stable.

By the River Rhine,

You’re sturdy stein of beer,

You’re dress from Saks’s,

You’re next year’s taxes,

You’re stratosphere.

You’re my thoist,

You’re Drumstick Lipstick,

You’re da foist

In da Irish svipstick.

I’m a frightened frog

Tha can find no log

To hop,

But if, Baby, I’m the bottom

You’re the top.

You're the Top!

 (Refrão 5)

You’re the top!

You’re a Waldorf salad
You’re the top!

You’re a Berlin ballad.
You’re a baby grand of a lady and gent,

You’re an old Dutch master,

You’re Mrs. Astor,

You’re Pepsodent.

You’re a romance,

You’re the steppes of Russia,

You’re the pants on a Roxy usher.

I’m a lazy lout that’s just about to stop,

But if, Baby, I’m the bottom

You’re the top.

Refrão 6

You’re the top!

You’re a dance in Bali.
You’re the top!

You’re a hot tamale

You’re na angel, you, simply too, too, too diveen,

You’re a Botticelli,

You’re Keats,

You’re Shelley,

 You’re Ovaltine.

You’re a boon,

You’re the dam at Bouder,

You’re the moon over Mae West’s shouder.

I’m a nominee of te G.O.P.

Or GOP,

But if, Baby, I’m the bottom,

You’re the top.

 

You're the Top!

 (Refrão 3)

You’re the top!

You’re a Ritz hot toddy.

You’re the top!

You’re Brewster body.

You’re the boats that glide on the sleepy Zuider Zee,

You’re a Nathan panning,

You’re Bishop Manning,

You’re broccoli.

You’re a prize,

You’re a night at Coney,

You’re the eyes

Of Irene Bordoni

I’m a broken doll, a fol-de-rol, a blop,

But if, Baby, I’m a botton

You’re the top!
 (Refrão 4)

You’re the top!

You’re na Arrow collar.

You’re the top!

 You’re a Coolidge dollar.

You’re the nimble tread of the feet of Fred Astaire,

You’re an O’Neill drama,

You’re Whistler’s mama,

You’re Camembert.

You’re a rose,

You’re Inferno’s Dante,

You’re a nose

On the great Durante.

I’m just in the way, as the French would say

“De trop,”

But if, Baby, I’m the bottom

You’re the top.

 (continua)

 

- This blog is not that good... - And who said it was?
   

"This ditty is not so pretty" me lembra sabe o quê? O Orlando Silva cantando Sertaneja. Lá pelas tantas, depois de um lindo tobogã musical ("nos teeeeuss olhinhos"), que cantores bêbados de festinha tentam imitar, achando que aquilo é um teste de fôlego, ele diz assim: "vai ouvir os passarinhos, que cantam mais do que eu". A letra toda é uma bosta, e só vale, mesmo, pela melodia e pela interpretação divina de um Orlando ainda menino e, eu diria, por essa frase. Se o cantor estiver um passo aquém da genialidade, faz um papel ridículo. O subtexto, na cabeça de quem ouve, será, inevitavelmente algo do tipo: "mais do que você, até a minha vizinha canta". No caso do Orlando Silva, a reação é o silêncio reverente e, no meu caso, lacrimoso. (Tenho pudores. Fecho a porta para ouvir, ou a digníssima me flagra num momento de fraqueza.) A mesma coisa vale para esse verso. "This ditty is not so pretty", numa canção apenas mediana, seria deixa para chute no saco ("in fact, it is not...", e coisinhas do gênero). Aqui, a gente só pensa assim: "porra, se essa não é bonita, então nem a Michelle Pfeifer se salva".

Como nosso blog é cultura, lanço aqui a pergunta: quem é esse "LeRoux"? E o que quer dizer "masy"? Não será "mazy"? Ou "Mary"? Ou sei lá o quê? Dá para perceber que o cara (ou a fulana) está numa pior, mas não dá para saber quem é.

E chega de música americana por hoje.

Ella Fitzgerald e Wálter Abrahão

Porra, assim não vale, Sassa. Me pôs na parede, brother. Com a Ella Fitzgerald, é claro que você leva a taça. Lembra do Wálter Abrahão? Aquele cara que queria ferrar a Erunda (unda, unda, unda) só porque ela teve a idéia de extinguir o tribunal que ele presidia... Pois é. Quando ainda trabalhava (como locutor da Tupi), ele tinha umas marcas registradas. Uma era para o zero a zero. Dizia assim: "O jogo está oxo, senhores!" (Lembrava 'chocho', Sassa. Melhor que muita coisa dos irmãos Campos.) O Edu, do Santos, que vivia fora do peso (e nem por isso era um cuzão), era vítima constante do sotaque piracicabano do futuro conselheiro. Dizia: "O rapáis tá gorrrrrrrrdo!" E, quando o Pelé pegava na bola, para não dizer seu santo nome em vão (economizando pecados na juventude, para poder pecar à vontade na velhice), o Walter Abrahão dizia apenas: "ELE com a bola."

Ela é divina. É americana, mas nâo tem igual. Merda, Sassaroli, eu CONCORDO com você! Pronto, já disse. E, de agora em diante, seu canalha, trate de evitar golpes tão baixos.

(Esse cara é mesmo capaz de qualquer coisa...)

Sing the Song

Perozzi,

Falamos aqui à toda hora de cantores e cantoras, então acabei de criar uma categoria (ou catiguria, como diria o nine fingers) só para eles.

A primeira será a Deusa das Deusas, Ella Fitzgerald. Nada igual. Não me canso de comprar seus Cds. Para homenagear Ella, que é o must, vou colocar aqui a letra composta por Cole Porter, maravilhosamente cantada por ela. Depois faço um blog sobre ela.

OBS: meus objetivos são: melhorar as dicas musicais deste blog, melhorar as quadrinhas deste blog, americanizar este blog, civilizar este blog, dar classe a este blog. Ah, estava me esquecendo, irritar meu parceiro neste blog.

YOU’RE THE TOP

(Verso 1)

At words poetic, I’m so pathetic
That I always have found it best,
Instead of getting’em off my chest,
To let’em  rest  unexpressed.
I hate parading

My serenading
As I’ll probably miss a bar,
But if this ditty

Is not so pretty,
At least it’ll tell you

How great you are.

(Refrão 1)
You’re the top!

You’re the Collosseum.
You’re the top!

You’re the Louvre Museum.
You’re the melody from a symphony by Strauss,
You’re a Bendel bonnet,
A Shakespeare sonnet,
You’re Mickey Mouse.
You’re the Nile,

You’re the Tow’r of Pisa,
You’re the smile

On the Mona Lisa!
I’m a worthless check, a total wreck, a flop,
But if ,Baby, I’m the bottom,
You’re the top!
(Verso 2)

Your words poetic are not pathetic

On the other hand, boy, you shine

And I can feel after every line

A thrill divine

Down my spine.

Now gifted humans like Vicent Youmans

Might think that your song is bad,

But for a reason who’s just rehearsin’

Well I gotta say this my bad:

(Refrão2)

You’re the top!

You’re Mahatma Gandhi.
You’re the top!

You’re Napoleon brandy.
You’re the purple light, of a summer night in Spain,
You’re the National Gall’ry,

You’re Garbo’s sal’ry,
You’re cellophane.
You’re sublime,

You’re a turkey dinner,
You’re the time,

Of the Derby winner,
I’m a toy balloon that is fated soon to pop,
But if, Baby ,I’m by the bottom

You’re the top!
 

(continua)

 

Nossos Sites Favoritos

Da série "Nossos Sites Favoritos", subgrupo "Destes Nos Gostamos", apresentamos a dica da noite:

www.fmi.org

Delicie-se!

 

De Putas e Feministas

 

 

Esse já é nosso, que venha o próximo!

 

Perozzi,

Impressão minha ou você assumiu de vez a sua lambança ideológica evo-lulo-chaves-heloisiana? Se não é isso, o que é então este uso escandaloso da tinta vermelha em nosso blog? Deve ter visto aquele filme sobre a vida do camarada Che, como se chama mesmo? E aí ficou tocado pela coisa toda e esse seu coração romântico o levou a viajar. É sempre assim, algo o emociona politicamente e você viaja na maionese, pelo menos é na Hellmans e o capitalismo fatura. $$$

Já que você falou das putas da Alemanha. Estive ontem na Pinacoteca.Aí fui dar uma volta pelo Parque da Luz recém restaurado. Puta que pariu, tá cheio de putas lá. Caralho, uma puta mais velha que a outra. Muito deprimente.

Um parêntesis: não troco um tijolinho dos prédios de Ramos de Azevedo por toda a obra de Niemeyer. Cria engenhocas modernas para os outros e mora numa casa colonial mineira. Ah, a causa? Comunisti, tutti la meme chose!

Já que você falou em feminismo, vai aqui uma reclamação. O GNT era um canal bem legal, com documentários e programas interessantes. Aí decidiram transformar aquilo em canal da mulher. Coisa destas feministas idiotas que assolam o mundo. A programação virou um lixo. Encheram de cozinheiro dando receitas, programas de auditório, etc e tal. Sobrou o programa do Dapieve e do Marcelo Madureira (esqueci o nome) e Manhattan Connection. Aquele Saia Justa é uma merda, umas senhoras mal informadas, que não se preparam para o que vai rolar. Conclusão: meu conceito de mulher é bem mais positivo do que o das feministas. E Deus é sábio: deu beleza à Luana Piovani, mas que coco quando ela fala.

Bye

Seu garçon faça o favor de me trazer depressa!

Perozzi,

Continuas despudoradamente um bêbado. Bebe desgraçado, bebe enquanto fico eu aqui conspirando em favor do capitalismo selvagem globalizado. Ofereceu um traquinho para Deus e para o seu guia? Precisa, se não ele vai falar que você está gordo.

Bebeu mesmo, nem o nome do bar você sabe.

Dica importante, dá uma checada aí para ver se a pessoa que está do seu lado é uma mulher; se for, vê se é a sua digníssima; se for; vai até a sala e checa se a casa é a sua. Se for mesmo . . . vai dormir seu bebum.

Como guia de restaurante e bares você é igual ao Nine Fingers, fala, fala e não diz nada. Afinal, o bar é bom ou ruim?

Durma com os anjos.

Volto já com bombas.

 

Não sei quem tocando não sei onde

Data: 16/06/2006 - Hora: 23:30 + ou -

Local: Bar desconhecido

Bar na Vila Romana. Indicação do Nassif, mas já não me lembro o nome. Três mesas ocupadas, uma delas por amigos dos caras do conjunto. Violão, pandeiro e... UMA GAITA. Solando músicas do Abel Ferreira, Severino Araújo, por aí vai. São Paulo tem dessas coisas, né? Bebi muito. Good night, chap.

E o Juliano?

Perozzi,

Como foi o papo com o Juliano?

Falei com mãe Diná hoje e ela me disse que ele está em crise existencial. Peguei meu dinheiro de volta. Isso eu sei faz 25 anos.

Dê notícia dele, estou preocupado. Tá certo, isso tambpém faz 25 anos. Mas amigos são tudo na vida. Se der para incluir aí uma bolada da megasena fica mais tudo, dá um charme especial.

I'll be back, como disse o Gen. MacArthur ao deixar o Hawai ou as Filipinas, esqueci agora, antes dos japorongas chegarem.

 

A Gente é Simprinho!

Xi,

Vai de mal a pior a coisa.

Antes era a ode ao fracasso, agora é a ode à simplicidade. Só está faltando a ode à humildade. No Brasil, quando o sujeito é um bolha, é defendido com o argumento: mas trata-se de um homem humilde, simples. Ainda que incompetente, gatuno, parvo, a simplicidade e a humildade lhe garantem os céus.

Viva os arrogantes competentes, pois deles será a vida, já que o céu não tem mais lugar.

Sobre o Consenso de Washington, que tem mais méritos do que falhas, cabe perguntar qual foi o único país que seguiu seus preceitos de fato, não esses remendos mulambos feitos nas coxas que a América Latrina (Viva Paulo Francis) fez? Qual foi, meu velho?

Chile. Vai lá ver como eles estão mal. Mas obviamente que isso ninguém fala. Titio Milton Friedman mostrou o caminho e a coisa andou. Mas claro que nós temos Maria da Conceição, muito melhor em economia e em lágrimas. Enfim, é a economia da Unicamp dando pau em Chicago. A gente enche o peito e sente aquele orgulho do que é nosso e que ninguém tasca.

Minha dica de site, já que eles me financiam: www.cia.gov

Um abraço.

O Brasil tá embolorando

 

Tá bom. Eu confesso. Também adoro Art Tatum, e tranco a porta para ouvir o João Gilberto (seria capaz de um assassinato se a digníssima entrasse no meio da música para me mostrar uma "oferta especial" anunciada numa revista). Mas, porra... Vá procurar uma gravação do Carlos Galhardo nos anos 40 prá ver se você acha, Sassa. Outro dia, comprei um CD do Louis Armstrong tocando na década de 20 na banda do King Oliver. Isso. Década de 20. Não foi na Amazon, não. Foi na Cultura. Peguei na prateleira, paguei no caixa e saí com o CD na mão. Agora, dê uma passadinha lá na Cultura e tente encontrar um CD com o João Gilberto (o segundo, na foto) cantando como crooner no período pré-bossa-nova. Se achar, ganha um biscoito.

Aliás, fica aqui a sugestão ao Ministério da Cultura: ao invés de torrar dinheiro com cineastas incompetentes, gastem toda (TODA!) a verba do Ministério salvando nossa memória. Mais detalhes num post anterior, sobre o Jacob do Bandolim.

Não é o Walt Disney de cachimbo, seu vendido!

Por fim, para aporrinhar ainda mais um americanófilo vendido aos interesses do capitalismo internacional que usa o jazz (ou a bossa-nova, tanto faz) para legitimar as garras do Tio Sam e a ideologia neocolonialista do Consenso de Washington, aqui vai a minha recomendação do dia: Carlos "Beijando-Teus-Lindos-Cabelos" Galhardo. Não, é claro, cantando a indefectível valsa de qualquer festinha de bodas-de-prata que se preze (que tem uma primeira parte maravilhosa e uma segunda parte horripilante). Ele é grande, mesmo, cantando samba, meu irmão. Voz macia, sem nem um pingo de retórica, nada de pretensões líricas, limpinha que nem água mineral. Estou ouvindo agora "Deus no céu e ela na terra". É do cacete. Os conjuntos de rock enterraram a arte dos cantores. Malditos gringos! Maldito Consenso de Washington! God bless Nine-Fingers!

 

A citação abaixo tinha, é óbvio, a única e exclusiva intenção de estragar o seu dia. Mas vou aproveitar o mote.

Gosto de tudo que o Ari Barroso fez de mais simples. As mais pomposas são quase sempre um equívoco. Aquarela do Brasil é, por exemplo, é uma bela música associada a uma patriotada mais falsa do que nota de sete. Compare com Brasil Pandeiro, do Assis Valente, por exemplo. É uma patriotada, não há dúvida, mas perfeitamente desfrutável: tem humor, tem graça, e é dita por uma voz autenticamente popular (e não falsamente erudita). Quando Ari deixava a pompa e a cerimônia de lado, ficava genial. Olhe só que delícia de letra:

Meu bem

Eu dei

Não sei

Em quem

Um beijinho que me fez mal

Numa noite de Carnaval.

Esta, sim, é da pontinha. Como bem diz a Vera Loyola, simplicidade é tudo...

Argentina 6 a 0.

O que é que os outros sentem nessa hora?

O Brasil tem time para mais do que isso.

Para que se apequenar?

"Aqui jaz alguém que detestava o jazz"

Autor: Ari Barroso

Epitáfio sugerido para o seu (dele, Sassa..) túmulo.

Unidos não seremos

 

Taí, Sassaroli. Mais uma concordância. Também sou fã do Reis Velloso desde os tempos da ditadura. Vou querer o livro emprestado. Estou lendo Ilícito, do Moisés Naím. Antes que você comece a cuspir fel pelas ventas, deixe-me dar as credenciais do moço. Foi Ministro da Indústria e Comércio da Venezuela antes do Chavez, diretor-executivo do Banco Mundial e é editor da Foreign Policy. Perfeitamente deglutível, portanto, por pessoas (pessoas...) que votaram contra o desarmamento, e acham que os famélicos da Terra têm mais é que ter paciência e não encher o saco. O livro é de causar pesadelos, Sassa. É sobre os Marcolas, e sobre todos aqueles que estão acima dele e de quem não sabemos nem sequer os nomes.

Ademã, que eu vou de leve. Tenho um almoço marcado com o Juliano. Prometo não concordar mais. Beijo no seu bumbum.

Realismo, quando é demais, alucina

Tem gente (ouviu, Sassaroli?) que confunde futebol-arte com espetáculo circense. Como se o negócio fosse pegar a bola na entrada da área e começar a fazer embaixadinha, ou recomendar aos beques que troquem o chutão pelo chapeuzinho. Não é nada disso. No caso do Brasil, trata-se simplesmente de deixar os jogadores fazerem aquilo que eles sabem e estão acostumados a fazer desde moleques. Não reprimir o show, o espetáculo, desde que isso seja funcional para o time. Na defesa, seria um desastre. No meio-campo, o espetáculo é outro, mais cerebral. Mas, no ataque, o que temos que ter é mesmo o drible desconcertante do Robinho ou do Ronaldinho Gaúcho. Sem medo de ser feliz. Afinal de contas, eles não foram para a Europa numa turnê do circo Orlando Orfei. Foram contratados pelos maiores times do mundo para dar o espetáculo eficiente da sua genialidade. O Ronaldo já foi isso. Não é mais. Paciência, porra! O Robinho é, hoje, tão bom quanto o Ronaldo foi nos seus melhores dias. O Ronaldo é mantido no time porque é uma marca, e não pelas qualidades que exibe. Ser realista, neste caso, é pô-lo no banco. Copa do Mundo é na base do perdeu, tá fora. Não é lugar para fazer "tentativas", nem para "dar mais uma chance". Nem a Cicareli deu mais uma chance ao cara, por que é que o Parreira haveria de dar? Sai dessa, Sassaroli. Seja mais realista. Sonhe.

Disco Feminio da Madrugada
Helen Merril. Ela mais Clifford Brown, Jimmy Jones, Danny Bank, Barry Galbraith, Milton Hinton, Oscar Pettifond, Osie Johnson, Bobby Donaldson e arranjos de... Quincy Jones. Um timaço!
Disco da Madrugada

Besame Mucho com João Gilberto.

Nunca ouviu falar, Perozito? É uma gravação de um show feito no México. Papa fina.

Livro da Madrugada

O Último Trem para Paris, João Paulo dos Reis Veloso. Nova Fronteira.

Santa Maria Madalena, e temos Guido Mantega como ministro da economia hoje.

Alías, Perozzi, você leu o trecho de um texto do Guido que o Elio Gaspari publicou outro dia? Impagável.

Eu queria fazer uma antologia de frases do Mercadante, o enganador-mor do PT, como você sabe.

Leia Vellosinho, quem sabe você desiste do Ciro. Dúvido. Vício é difícil de largar.

Ciro Presidente, Perozzi Contente e o Brasil decadente

 

Xi, olha o Santo Daime chegando ao limite do efeito nefasto e demolidor da consciência da realidade.

  

Para quem é chegado num fracasso, Ciro é perfeito. Um político rancoroso, metido a sabichão, autoritário, um perigo para o Brasil. Nunca gostei do tipo, desde os tempos de ministro da fazenda.

 

Perozzi, é incrível como você procura soluções mágicas para esta merda deste país. Se fudeu com Lulinha e seus Rob Cats, aliás, se fudeu de verde e amarelo. Bem feito, eu avisei. Aí fica buscando milagre. Lança Padim Ciço para presidente!

 

Xuxu, vai perder feio, mas acho bom. Eu preferia Serra por dois motivos, como você sabe: pelo Serra e por ter muito mais chance de ganhar. Geraldo descobrirá de maneira amarga que cada um tem o seu momento, ele quis fazer o dele e acho que se fudeu. Mas tem a Dona Lu, e assim tudo fica melhor.Férias com Dona Lu e do peru.

 

Engraçado você falar em moralismo quando falo do mensalão, da Gamecorp, do Land Rover, da ex do Dirceu empregada, e vir criticar Dona Lu pelo decote que usava no entrerro do Covas. Caralho, e eu que sou moralista? Que valores são esses? Que inversão das coisas.

 

Alías, vocês petistas votavam no Lula porque era tudo puro, tudo gente 'do bem', ninguém garfava. Descobertos de cuecas no cofre do Congresso, acusados de formação de quadrilha pelo Procurador, onde está a pureza da militância, onde estão os ideais dos petistas. Conclusão: tudo era uma farsa! A pureza dos dirigentes e a suposta valorização desta pureza pela militância.

 

Já te falei: de esquerda é todo aquele que percebe que não leva jeito para o capitalismo e aí quer melar o jogo. É só isso, basta vislumbrarem uma boquinha que deixam os ideais rapidinho.

 

Se dermos sorte, acho que um segundo governo Lula pode ser a redenção do Brasil. A crise profunda, talvez, nos faça fazer a coisa certa. Que ela venha ,então, mas que seja como que um prenúncio do armagedão, que não fique pedra sobre pedra para contar a história, quem sabe começaremos então a fazer o que deve ser feito. Que assim seja.

 

Dia desses falarei sobre as vantagens da desgraça nacional para a história de um país.

 

Profeticamente me despeço e aviso que o que vejo não é nem bonito, nem bom, mas é inevitável. Logo, dormirei o sono dos justos.

 

Apocalipse Now!

Demoradas 3 – Nosso Futebol e o culto à pobreza.

Perozzi.

Desde quando você entende de basquete? Os americanos que dão show são os Globe Trotters, esses não disputam nada, só aparecem no Circo Orlando Orfei. Os americanos dão tanto show que já andaram perdendo Olimpíadas. E para acabar com este papo sobre basquete, você não pode usar nada dos Estados Unidos como bom exemplo, porque você odeia a América, então seja coerente e use Cuba, Venezulea ou URSS. Quem gosta dos EUA sou eu, só eu posso usar exemplos de lá. Sorry!

Sobre nosso futebol. Outro dia vi o grande jornalista planaltino Juca Kfouri confessar, não estava sob tortura, que no pênalti perdido pelo Baggio em 94, ele descobriu que sempre mentiu para si mesmo, pois naquele dia ficou muito feliz pela vitória, vibrou como um porco estrebuchando. Enfim, passou sua existência acreditando que o importante era dar show e descobriu que ganhar era o que importava. O que será que Perozzi e Juca têm em comum? Donde vêm este conceito tão forte.

Simples. Vocês são adeptos do catolicismo da pior espécie, que desembocou na teologia da libertação. Um dos primeiros fundamentos deste catolicismo é a ojeriza pela riqueza, pelo sucesso, pelo que dá certo. No fundo, é um outro lado do anticapitalismo ferrenho que vocês nutrem. Do antiamericanismo medular da esquerda mundial.

Bonito é ser puro de alma, ainda que se viva na desgraça. Bonito é ser pobre, pois deles será o reino dos céus. Ter sucesso é feio, jogar o jogo malandro da vida para chegar lá é feio. Temos que ser puros, ainda que isso nos traga a pobreza, por que ela é abençoada. Do que mais precisamos?

A esquerda toda sempre idolatrou Garrincha, porque dava alegria ao povo e, sobretudo, porque era um fracassado. Foi um homem que passou pela vida sem ambições, quando podia ter todas. Há algo mais bonito para um cristão que isso? Por mim, ele ganharia os céuspor ter agüentado aquela mala sem alça ensebada da Elza Soares.

Lá do outro lado, está Pelé. Foi perseguido pela esquerda na ditadura e depois dela, levantaram calúnias contra ele, só porque o negão teve sucesso. Taí até hoje, chamado pelo mundo todo, mas no Brasil se olha meio de lado para ele até hoje. Negro bom de bola vá lá, mas ter sucesso até hoje? O que é isso companheiro? Nem parte dos negros gosta dele.

Então temos que almejar apenas o puro êxtase, né? Voltou a tomar chá de Santo Daime, seu desgraçado? Já mandei parar com isso. Temos que jogar para ganhar, se der para dar show, vá lá; se não vai ser na canelada mesmo. Vitória é o que interessa. Deixe de ter medo do sucesso e volte a fumar Hollywood.

Esse seu coração romântico-cristão deixa você meio bobão. Apenas o êxtase! PQP, o êxtase é a vitória, meu velho.

Por fim, Ronaldo Fenomenal lá na frente, paradão mesmo. Com bolhas mesmo! Com tonturas mesmo. Mas sempre lembrando ao nine fingers qual o lugar dele, o porão!

Tchau.

Demoradas 2 - George, meu velho!

Você sabe que eu sou o único que defende o Bush. E não é por afinidade, não. Embora tenhamos algumas. É por solidariedade. Virou mania culpar o cara por tudo, eu, por pura sacanagem, defendo.

New Orleans: o mundo ficou malhando o Bush, mas ninguém falou do prefeito (que é negro) e da governadora (que é mulher). A incompetência é só do Bush. Ta!

Passaram anos enchendo o saco com o alistamento dele na guerra do Vietnã, aí se descobriu que havia documentos forjados e todo mundo se cala. Do dedo mínimo da mão esquerda ninguém fala, ninguém levanta suspeitas. E se faz bem, afinal é coisa mínima mesmo.

Gosto do cara, sobretudo pela fúria que ele provoca no mundo, que ficou mais interessante depois dele. Clinton já estava cansando e Hilary é uma baranga.

Meu candidato a presidente dos Estados Unidos? Minha amada Condy. Urrrr, adoro essa mulher. Condoleesa para presidente.

Todo este intróito para falar de Guantanamo. Foram mexer com o Império? Então, que se fodam. Das prisões do Sadam, das explosões de budas pelo Taleban, ninguém reclamou, nenhum líder muçulmano abriu a boca, agora querem invocar os costumes ocidentais para se proteger. Senta e pela, mano!

Por fim, podiam colocar Fidel e sua quadrilha, lá também é quadrilha, em Guantanamo, é preciso otimizar o uso das instalações. Coisas de capitalista.

E viva Condy! Com Condy ninguém pode!

 

Demoradas 1 - Chaves é uma porta

Ai, ai. Perozzi,

Você não gosta da idéia do Chavés, mas quer controlar as Tvs. Tá certo, Conselho de Jornalistas, controle disso, controle daquilo. Ah, a esquerda, sempre se achando acima do bem e do mal. A causa pode tudo. Tá certo. Grande sociedade vocês estão construindo. Vão em frente que eu fico aqui mesmo, parado, só vendo a trombada.

No fundo a fonte de tudo é a mesma velha idéia de que o povo não sabe escolher e que o governo precisa controlar tudo em seu nome. Tinha um pintor de bigodinho que achava isso também, deu um trabalho danado para convencê-lo do contrário.

Isso me cansa, vocês não aprendem, não sabem o que é uma democracia. Mas me perguntarão: democracia para quem?

Esquerda, nunca muda, exceto para pior.

Fui

Rapidinhas

1

O Chavez vai fincar o botinão na TV venezuelana a partir de 2008, quando terminam as concessões. OK, Sassa. Também não gosto da idéia, e gosto menos ainda de quem a teve. Mas aproveito para dizer que só vão trocar o comando. TV tem uma dimensão pública inegável. Tem que ter ombudsman. Obrigatório, nos rigores da lei. Toda noite, em horário nobre, pelo menos quinze minutinhos.

2

Você viu hoje a pressão do PMDB para emplacar um cupincha no Ministério da Saúde? Há petistas que resistem, dizendo que o cara é ligado a lobistas. O detalhe é que ele já é presidente da Agência Nacional de Saúde. Devem saber do que estão falando.

3

Guantánamo fica tão distante assim de Havana?

4

Na defesa, um exército. No meio-campo, sábios. No ataque, artistas. E chega de futebol de resultados. Os Estados Unidos têm um basquete artístico com excelentes resultados, e o Brasil não tem motivo nenhum para ser diferente. Repito. Quem quer resultados é a Costa do Marfim. Nós não temos o direito de almejar nada que esteja aquém do puro êxtase.

5

Ciro Gomes prá presidente! Se não der, serve o Gabeira.

Como não tenho coisa melhor para fazer, vai aí a letra completa de "Mon amour, meu bem, me femme". Sem a música, o efeito não é o mesmo. Com ela, é bem pior.

Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme

by Reginaldo Rossi

 

Nesse corpo meigo e tão pequeno

Há uma espécie de veneno

Bem gostoso de provar

 

Como pode haver tanto desejo

Nos seus olhos, nos seus beijos

No seu jeito de abraçar

 

E foi com isso que você me conquistou

Com esse jeito de menina

E esse gosto de mulher

 

E nada existe em você que eu não ame

Sou metade sem você

Mon amour, meu bem, ma femme

Mon amour, meu bem, ma femme

Mon amour, meu bem, ma femme...

(repetido indefinidamente, em diminuendo, com uma guitarrinha vagabunda ao fundo)

Show "Vexame na Brasa"

Classificação:

Meu consciente é fino e sofisticado, Sassaroli, mas meu inconsciente, você bem sabe, é completamente brega. Assim, movido pelas formidáveis forças ocultas que trago dentro do peito, fui assistir ao show da Banda Vexame. Meu intelecto não gostou. As piadas são as mesmas, as músicas são quase as mesmas e, onde eles resolveram modificar, erraram feio. Daí a nota sofrível que ponderadamente dei ao espetáculo.

Mas não se engane, Sassaroli. Inconsciente não pondera, exige. Seu amigo, no fundo, adorou ouvir pela undécima vez a Maralu Menezes (Marisa Orth) e o Malcon Ewerson (Pazetto) cantando "Siga seu rumo", que tem aquele arremate imortal:

Esqueça de mim

Porque para esquecer

Você tem experiência

Adorei também cantar junto com a banda "Mon amour, meu bem, ma femme", de Reginaldo Rossi, com suas rimas, já não diria ricas, mas biliardárias:

E nada existe em você que eu não ame

Para mim você é tudo

Mon amour, meu bem, ma femme

Nota um pro show, portanto, e nota menos um para mim, que gostei tanto.


Deixo-o com um chiste recolhido no espetáculo. Sabe qual é a semelhança entre uma cobertura em Cubatão e o 69, Sassaroli? É que, nos dois casos, a vista é um cu.

Arrivederci, caro mio. Stai bene.

Pernacchia!

O eu profundo

As Quadras ao Gosto Popular, do Fernando Pessoa. Missão cumprida, misturo tudo e saem essas pérolas que podem ser lidas aqui no blog, numa perfeita integração de matéria e forma.

Era uma vez um menino

Que adorava fazer gol.

Um dia, levou um corno

E nunca mais acordou.

Olha aí, Sassaroli. Deu no jornal:

 

Apesar do aumento do interesse feminino nos últimos anos, a Copa do Mundo e o futebol é um território masculino. Não por nada a Alemanha "importou" do Leste Europeu mais de 40 mil prostitutas, que estão fazendo hora-extra para relaxar torcedores no pré-jogo e festejar no pós-jogo e pós-bebedeira. Organizações feministas da Suécia e dos EUA chegaram a pedir às seleções locais para que não disputassem o torneio porque o país-sede legalizou a prostituição em 2002 e as aproximadamente 400 mil profissionais têm direito ao seguro público de saúde.

 

Porra, a Alemanha dá carteira assinada prás mocinhas, e as feministas ficam bravas? Ah, mas é muita cara-de-pau! Contra a Casa da Olga, só se manifestam prá cumprir tabela, sacumé? Tipo "ninguém pode dizer que não tentamos". Agora, se as mocinhas conseguem, a duras penas, o direito de serem vistas como trabalhadoras honestas, ganhando o pão com o suor, não só do rosto, mas do corpo inteiro, ah, aí não pode.

"Vai ter que viver lá na sargeta, sua desgraçada, de preferência com AIDs, prá morrer bem devagarinho, pagando por cada pecadinho que você cometeu na vida!"

Eta gente ruim!!!!

Quadrinha abaixo da linha da cintura....

               

O Chuchu vai levar trolha

O Ronaldo é uma piada

Sassaroli só se fode

E o Perozzi dá risada

Vinte e cinco anos vamos festejar de união...

Sassaroli, meu velho, acho que só o Art Tatum nos une. E o gosto de discordar, também, antes que eu me esqueça. Prefere o Ronaldo ao Robinho, o Parreira ao Telê Santana, o Reinaldo Azevedo ao Nassif, o segundo FHC ao Lula, a Raica à Cicareli, e ainda de quebra é fã do Bento XVI. Cazzo! Por onde eu começo?

Começo pela Copa de 2002, e pelo seu "futebol de resultados". A Copa de 2002 não existiu, meu caro. Ela foi só um pênalti e uma declaração de amor. Isso não é copa. Quem quer ser campeão do mundo é a Costa do Marfim. No futebol, o Brasil só tem o direito de ter uma ambição: continuar a ser divino. Um brinde a Franz Schubert!

P.S.: Enfiei a poesia do Murilo Mendes por dois motivos. 1. Melhorar o nível do blog. Ninguém agüentava mais minhas quadrinhas. 2. "Cai no álbum de retratos" é um achado. Um achado é pouco. É do caralho. Mais um brinde a Franz Schubert.

Tá bom?

Alguém andou reclamando que eu estava escrevendo pouco para o blog?

Heloisa Helena. Fácil, mato em poucas palavras. É o Lula de 20 anos atrás, sem barba, com óculos, e de saia. HH encarna o que de pior o PT tinha e ainda tem. O fascismo vermelho ou o stalinismo mais atrasado e anti-democrático que há. Ela debocha do Congresso, como todo candidato a ditador, mas esta lá mamando. Ruim sem Congresso, pior sem ele. Lembro-me bem dela defendendo os funcionários da casa, enquanto os caras não conseguiam sequer controlar o tempo na CPI e o Delcídio ficava louco. HH é atraso puro. Essa gente não quer democracia, quer acabar com ela. PT, PSOL,MST, MLST, PCC e tantos outros só querem é colocar o estado de quatro.

HH é como o idiota do Chomsky. Desce o cacete na sociedade americana, na universidade americana, no capitalismo, mas tem lá sua cátedra bem gostosinha para encher o bolso. Odeia tanto o sistema que não consegue largar a teta. Não entendo por que ele não vai viver em El Salvador, na Rocinha, em Botswana (ainda existe?).

Enfim, quer votar na HH, vote, no Brasil em se plantando tudo dá... em merda.

E digo mais, há algo mais idiota do que Dimenstein dizendo toda manhã: Heródoto, vou falar de uma experiência que vai mudar a cara de São Paulo, mas é tão importante, tão importante que até esqueci. Esse cara falando é o supra sumo da babaquice. É a má consciência tentando uma saída para a culpa cristã a qualquer custo.

Um sujeito de esquerda é aquele aspirante a capitalista que no seu íntimo já percebeu que não leva jeito, aí quer virar a regra do jogo.

Grande entrevista com Cristovan Buarque na CBN ontem de manhã. Sair do PT faz bem para qualquer um.

Perozzi, você foi contra o impeachment do Collor só por que você estava endividado até o pescoço e o Plano da Zélia (que bela substituição daquela Zélia pela Duncan) livrou sua cara.

Um abraço de antanho.

PS: ano que vem nossa amizade faz 25 anos. Proponho que a gente troque presentes de prata, chinesa é claro. Vamos sonegar, assim o Brasil quebra mais rápido.Falo da solução de nossos problemas pela quebra do país dias desses.

Pré-história

 

Mamãe vestida de rendas

Tocava piano no caos.

Uma noite abriu as asas

Cansada de tanto som,

Equilibrou-se no azul,

De tonta não mais olhou

Para mim, para ninguém!

Cai no álbum de retratos.

Murilo Mendes

Ainda Art Tatum

Oscar Peterson contou que quando disse ao pai que queria ser pianista, o pai lhe deu uns bolachões do Art Tatum e disse: se você quer ser pianista, saiba que precisa tocar como este cara, menos que isso eu não aceito. Isso é pai, o resto passa a mão na cabeça do filho e o transforma num médio, como Nassif, Juca, Dimenstein, Dines e tantos outros cabeças de nossa brilhante imprensa.

Já que estou falando mal de todo mundo, vi que Antônio Fagundes deu entrevista na Folha e falou sobre sua arrogância. Deviam ter perguntado quando que vai finalmente fazer um curso de interpretação. O cara faz qualquer papel, de papa a motorista de táxi, com a mesma cara, voz e jeito. Perto de Paulo Autran, Marília Pêra e mesmo de Matheus Nachtergale, que acabou de começar, ele é tão bom quanto o Zezinho da portaria tentando em convencer que não estava dormindo. Mas no Brasil mediano, é pedir demais

Ah, outra mala de atriz é Fernanda Montenegro. Mulherzinha malaca e falsa. Foi lá para a festa do Oscar, fez todo o mis-en-scene e, depois que tomou um pé na bunda, declarou que era um festa caipira. Pior, sem lei Rouanet.

Perozzi, como você sabe odeio atores e atrizes.Gente de grande sensibidade, mas fraquinha.

Tchau.

 

Para Esquecer o Brasil

Perozzi,

Para esquecer o Brasil de Lula a Juca, de Berzoini a Nassif, de Dirceu a Dimenstein, de Genoino a Dines, de Genro a Marcelo Coelho(este é tão ruim que precisa do nome todo), resumindo da merda à merda, só mesmo ouvindo The Piano God, Art Tatum. Caralho, volto a acreditar no mundo, com Bush é claro, que aliás foi fazer turismo no Iraque.

Dizem que certo dia, Fats Waller (outro grande do piano) estava tocando num bar e entrou o Art. Antes de começar a música seguinte ele comentou: pessoa, sou um pianista, tem feito isso a minha vida toda para lá e para cá, mas preciso informar-lhe que deus acaba de chegar e está entra nós.

Que homenagem!

Grana de Campanha

Xiii, Perozzi!

Quando você vem com este papo de que o problema do mensalão é o sistema partidário brasileiro  e que todo mundo faz, fico com sono. Nem o Lula acredita mais nesta história. Mensalão não é campanha, é compra de maioria no Congresso. Usando o bordão do nine fingers, nunca nesse país se fez algo com tamanha técnica.

Já sei que quando você começa a reclamar do sistema partidário, concordo que é uma merda, vai arrematar com a gracinha do financiamento público de campanha. Isso é uma barbaridade, vamos dar dinheiro para este bando de canalhas e ele continuarão roubando da mesma maneira. Só sua crença na bondade inerente do ser humano pode justificar esta crença. Anota aí meu velho: os gatunos pegarão dinheiro público e ainda vão armar esquemas de arrecadação.

Solução? Hoje tô sem saco de falar sobre isso, aliás é o Brasil que me enche o saco. Porque que meu bisavô Heinrich e meu avô Archangelo não ficaram pela Europa, era dar mais um tempinho e tudo melhorava. Tá, teve a 1.ª e 2.ª guerra, mas até isso passa, já o Brasil não passa, só enche o saco.

Quer saber mais, que todos do Oiapoque ao Chuí morram no inferno ardente com o capeta rolando de rir.

E tem mais, viva Ronaldo, o fenômeno, o melhor em campo hoje e por todas as partidas da copa, mesmo que não as jogue. Depois de mandar o recado para nosso ébrio líder e botá-lo na medíocre lugrazinho que lhe é devido, ele pode tudo, até se separar da Raica. Mas podia mandar uma fotinha dela peladinha para nós publicarmos no blog.

E claro que o engajado Juca Kfouri desceu o pau em Ronaldo, mas este é mais um dos jornalistas a serviço do PT, o que se pode esperar do jornalismo brasileiro? É médio de medíocre, como diriam nossos mestres de outrora.Se ele tivesse feito um gol, o parvo diria que ele não estava bem, mas definiu o jogo como sempre.

Sobre Helóisa Helena falo mais tarde. Vou tomar um trago que você realmente é caso sério. Gostou dela, então casa com ela para você ve o que é bom para a tosse.

Fui.

 PS: recebemos nossos dois primeiros comentários hoje, deve ser alguém entrou por engano, justo agora que eu estava para escrever um belo texto sobre a possibilidade da solidão na net. Estava feliz com o anonimato, nem o gugou nos descobriu ainda. Sabia? O tonto do Juca Kfouri gosta de escrever assim, ele usa sítio no lugar de site, nossa que genial, ele fefende nossa língua e os amigos do planalto. O Cara é amissíssimo de Aldo Rebelo, precisa dizer mais?

Fotos Pessoais

Ei, Perozzino,

Você quebrou uma de nossas regras elementares com este foto da barriguinha. Combinamos que não iríamos publicar fotos pessoais, para não pensarem que estamos querendo nos promover.

Te peguei, hein?

Só porque rimou...

 

Muita gente vota em Lula

Outros votam no chuchu

Prefiro a Heloísa Helena

Que é o cu do curucucu.

Nhoque ao pesto

Se pensa que, depois dos raviólis, veio uma saladinha, enganou-se, meu velho. Sobrou pesto, num potinho, e resolvi bisar um nhoque que comi em Pisa. Eu e a digníssima comemoramos assim o Dia dos Namorados: empanturramo-nos. Depois, não houve clima para mais nada. Dormimos que nem anjinhos, com as barrigas sob o edredon desenhando um lombo de camelo. O amor é lindo.

Estou de quatro, mas sou feliz

 

A ressaca está chegando. Cada vez mais forte, caro Sassa. Desde o começo, eu disse que essa coisa ia dar merda. Cadê as cobranças moralistas? Estão cada vez mais tímidas, cada vez mais miúdas, cada vez mais convencidas do erro de fundo contido nessa história toda: os crimes ligados aos financiamentos de campanha (e ao dinheirinho extra que corre por fora nesse contexto) refletem a lógica do sistema político brasileiro, e não uma suposta "falta de ética" do governo de plantão. Fui contra o impeachment do Collor exatamente por isso, quando a classe média, mordida na poupança, descontava na bunda do boyzinho. Até rima, veja só: prá cada cara-pintada, conte um corte na mesada. Deixaram de ir ao rodízio no final de semana, e saíram às ruas, arrotando aquele moralismo babaca. No sistema de financiamento de campanhas, que estava por trás daquilo tudo, pouco se falou, e nada se fez. Caralho, será que é tão difícil assim perceber que empresário não desembolsa um Cherokee na campanha, se não tiver a certeza de que há um BMW esperando por ele na outra esquina? É esse dinheiro que financia cada segundo das campanhas milionárias de televisão. Sem isso, ninguém se elege. Ergo... Vou vociferar esta ladainha até o fim, meu caro. Ou começamos a bater no lugar certo, sem oportunismo, ou esta merda de país não anda.

Enquanto isso, o Brasil está parado há uma década, fazendo aquilo que a Mírian Leitão costuma chamar de "dever de casa": provando ao mundo que somos bonzinhos, e que ninguém precisa se assustar, pois continuaremos pagando os juros mais altos do planeta achando que isso é perfeitamente normal. Me enraba, que eu gosto!

Classificados

É o self-service da literatura de banheiro: you take what you eat. Fórmulas de shampoo costumam pecar por falta. Obrigam a voltar insistentemente sobre os mesmos componentes, ou então a montar joguinhos, como o de repetir mentalmente, de cor, coisinhas como "cloreto de cinamidopropiltrimônio", ou "butilcarbamato de iodopropinila". Voltarei ao tema. Já as crônicas de jornal costumam pecar por excesso. Nem sempre compensam o desconforto da poltrona oca e das costas arqueadas, e geralmente ficam lidas pela metade. Classificados, não. Você vai pinçando itens ao acaso - carros, apartamentos, empregos e putas - até sentir que já é hora de voltar ao mundo exterior. Larga o jornal ali mesmo, sem culpa alguma, e, na sala, já não será capaz de enumerar as coisas que acabou de ler. Como se trata de um clássico, terei que explorar o tema sob diversos ângulos, dando ao leitor (no caso, você, Sassaroli, pois este blog só tem dois) uma visão mais aprofundada sobre o assunto.

Explode Desgraçado!

Perozzi,

Vocês está escrotalhando nosso blog. Eu coloco uma bundinha maravilhosa, um cofrinho dos deuses para a gente se deliciar e você vem com esta barriga de porco em dia de festa no arraiá.

Vai te catá.

Um abraço adiposo.

 

Calibrei meus pneuzinhos, velho Sassa. Hoje no almoço fiz uns raviolões com recheio de cream cheese e nozes, cobertos com um pesto bem levezinho. Dá umas 800Kcal por unidade, mais ou menos. Se comer olhando prá barriga, você vê a bichona estufando. As coronárias, depois dessa, não desentopem nem com injeção de Diabo Verde. Nem ligo. Sou neto do velho Gallerani, que morreu de lazanha. O médico havia dito que, se comesse, morreria. Não teve dúvidas. Comeu metade de uma travessa, deitou-se na cama, roncou um pouquinho e morreu. Evoé, Gallerani! Os que vão comer te saúdam!

Brasil, um país de todos... os bundões

Caro Perozzi,

 

Na escala das festas mais interessantes, temos o carnaval, o bumba-meu-boi e, disputando o terceiro lugar, estão a pajelança e as festas de aniversário infantil. Então é preciso encontrar uma distração para que o tempo se esvaía. Eis que fui numa destas neste fim de semana. Ah, como a maternidade faz bem às mulheres. Belas mães e algumas avós de entusiasmar o neto capetinha que há em cada um de nós. Formosas bundas vão, apetitosos seios vêm e a tarde passa deliciosamente. Quem precisa de bolo e salgadinho?

 

Acho que Vinícius quase acertou: que me desculpem as varetas, mas bunda é fundamental.

 

Em homenagem ao tesouro nacional, esta abundância de todo tipo pelo país afora, registro minha primeira foto para a sessão: Brasil um país de todos... os bundões.

  

Perozzi, veja lá em cima que coisa maravilhosa. Enquanto você brindava ao seu pupilo na PUC e dormia bêbado numa barraca, pelo menos não era do MLST, eu me divertia com os derrières alheios. Se você visse este em pé caminhando, saberia que este singelo cofrinho guarda um grande e rebolante tesouro.

 

Sem maldade, mas eu imagino que a última imagem parecida que você viu nos últimos 6 meses foi aquela foto do bumbum do Ronaldinho Gaúcho. Só bebendo.

 

Mas continua aí enchendo a cara com cerveja importada. Aliás, depois de ficar bêbado, assustar as criancinhas e dar trabalho ao segurança, só mesmo indo ver a Banda Vexame. Santo Deus, é pensar que tem gente pra cacete neste mundo que sabe que você é meu amigo.

 

Viva a natureza glútea e meu dedo indicador, rápido como só ele.

 

 

Viajando no azulejo

Não é literatura, eu sei, mas também é um exercício de imaginação. Envolve cenas, enredos, episódios , personagens. Refiro-me ao tabuleiro dos azulejos do meu banheiro. Às vezes, são quadras de uma cidade vista do avião. Pode haver uma perseguição de carros, ou duas pessoas caminhando que quase se encontram nos sulcos do rejunte. Pode ser a representação esquemática de uma rede de trilhas no meio da floresta, ou uma penitenciária de segurança máxima, com seus pavilhões e celas, ou dezenas de jogos bizarros de tabuleiro. Em alguns, as pedras apenas se movem, sem se comerem entre si, noutros há duas disputas simultâneas e relacionadas, uma sobre os quadrados, e outra sobre as encruzilhadas. Há tabuleiros compridos, subindo pela parede. Nesses, o jogo é quase sempre uma espécie de corrida associada a uma trinca de dados. Em todos esses casos, os azulejos cumprem bastante bem a missão que costumo atribuir aos livros: criar uma dissociação entre o que se está pensando e o que o organismo está fazendo. Deixo que o corpo desempenhe suas funções sem qualquer interferência do mundo interior, absorto em outros planos. Sei que os azulejos são esquemáticos demais, o que me obriga a projetar inúmeros elementos sobre a parede. Ideais, mesmo, são aquelas paredes texturizadas, que permitem um jogo semelhante ao que fazemos com as nuvens do céu, procurando (ou criando?) formas naquele labirinto de sulcos e protuberâncias. Como o banheiro de minha casa é azulejado, sou obrigado a suprir com projeções arbitrárias a falta de elementos objetivos de sugestão. Às vezes utilizo também bolinhas de papel higiênico, que podem ser pessoas, carros, peças, alvos, sinalizações num mapa, bombas prontas a explodir. Está rindo de quê, Sassaroli? Maledetto... Até parece que ele é muito normal...

Se essa rua fosse minha

Eu mandava levantar

Um muro alto de pedra

Pr'ocê não poder passar

 

Agarradinha ao pescoço

Do seu novo namorado.

Se fizer isso de novo,

Eu mato esse desgraçado!

Livro recém-comprado

Pode ser qualquer um. Lugar de namorar livro novo é no banheiro. Meu intestino já sabe. Mal entro com o carro na garagem, e ele já levanta a bola na área.

Minha digníssima compreende que, nessas horas, todas as outras tarefas da agenda passaram para um segundo plano longínquo. É solidária. Se o telefone toca, eu não estou.

O equilibrista sentou-se

Na corda prá dar risada

Pois viu o leão beijando

Os pés da mulher barbada.

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