Rapidinhas

Porra... Pensei que estivesse lá na fazenda, cara. Telefonei prá sua casa, nada. Pro celular, nada. De repente, ei-lo que ressurge das cinzas. E vem atirando prá tudo quanto é lado, que nem doido. Calma, Django...

Olhe, Sassa, depois do anúncio do acordo com o PMDB e da distribuição de cargos nos Correios, nem estava precisando dos seus argumentos para ficar abatido. Mas, já que você falou em política educacional, tentarei juntar os meus caquinhos para, aqui mesmo do chão, com a cara toda arrebentada, sussurrar no seu ouvido: "Chalita, Sassinha! Chalita, Sassinha! Chalita..."

E pode tirar o cavalinho da chuva, me'rmão. Pode ser até o Maluf. Pode ser até o Erasmo Dias. Ninguém mais se elege neste país sem prometer a continuidade dos programas sociais que, concordo com você, foram criados pelo Deodoro da Fonseca, mas só tiveram força para mexer nos números da distribuição de renda brasileira no governo Lula.

O Bolsa Escola dava sete reais por filho na escola, Sassa. É isso. Uma de cinco, com duas moedonas por cima. Nine-Fingers dá trinta pilas. E prá muito mais gente. É assistencialista? É claro que é. Tem que ter contrapartida? É claro que tem. Mas está quilômetros à frente de qualquer coisa que tenha sido feita no Brasil até hoje. Se a alternativa que me oferecem é o Alckmin, Sassa... Ah, meu velho, não tenho dúvidas.

Nem os tucanos gostam do Alckmin, Sassa... Eu lá vou gostar? Já viu isso? O cara está no começo da campanha, com menos chances de vitória nas eleições do que o Rubinho na Fórmula 1, e os bambambans do partido já estão se apressando em ressaltar que são contra a reeleição. É patético.

E não vem crise coisa nenhuma, como não veio no primeiro governo. Se vier, é por conta da Bolsa de Nova Iorque, e não do Bolsa Família.

Ontem, andei de trem de subúrbio. Calma, Sassa. Pode guardar o lenço. Não é introdução a um melodrama socialista. É só pela graça da coisa, mesmo.

Na ida, o trem estava com pouca gente, e pude assistir ao espetáculo dos ambulantes. Porra, quanta coisa roubada. Só faltava entrar alguém vendendo a Taça Jules Rimet.

Uma mulatona bem gorda, cega, andava de um lado para o outro com um gravador pendurado no pescoço. Som no último, só com o acompanhamento de guitarra, que ela deve ter pedido para algum vizinho gravar. E ela cantando, feito uma gralha. Se o demônio a ouvisse, contrataria na hora para trabalhar na salinha de tortura. Depois, passou um cara vendendo alarmes (???) por 5 reais e uns fascículos do tamanho de um gibi por um real. Os fascículos, segundo o Fulano apregoava, ensinariam qualquer um a "falar e escrever direito", além de multiplicar, dividir, extrair raiz quadrada e calcular juros simples e compostos. Na capa, a foto de um nordestino de beca, todo sorriso, brandindo um canudo de papel.

Na volta, o trem foi lotando. Lotando... Quando passamos o rio, já não dava mais para ninguém verificar se tinha dinheiro no bolso. Bem na minha frente, um moleque dos seus quinze, dessesseis anos encoxava uma mulher com saiona de crente, na faixa dos cinqüenta - dessas que, como você diz, ainda dão um caldo. Pela cara dele, se já não tivesse dado, estava por um triz. Antes que você se engrace, seu velhaco, deixe-me ir logo dizendo que fiz a viagem toda sentado. Saí incólume. Puro como um anjo.

Sassa, às vezes, eu confesso, tenho vontade de virar tucano. Mas onde é que eu vou arranjar um petista assim bacana como eu para discutir?

Sai capeta!

 

 

Desisto de salvar sua alma, que o capeta vermelho faça bom uso dela.

 

Ciao.

 

O Schubert toca e Perozzi se acalma.

 

Chapa fechada do Perozzi:

 

Presidente: Lula

Governador: Mercadante

Senador: Suplicy

Deputado Federal: Genoino

Deputado Estadual: Prof. Luizinho

Síndico: Zé Dirceu

Sub-síndico para TV por Assinatura: João Paulo Cunha

Sub-síndico para Finanças: Delúbio

Sub-síndico para Carrões: Silvinho

Sub-síndico para versões fantasiosas: Márcio Contumaz Bastos o que já fiz

Sub-síndico da Não Contabilidade: Marcos Valério

Sub-síndico para da Jogatina: Ideli

 

 

Vai ouvir Schubert, meu velho, que você não tem jeito.

 

Pedagogia do Comprimido2

Vê se aprende, pentelho!

Criar um plano de carreira para os professores e um plano de médio prazo para recuperação de salário

Aulas de 01 de fevereiro a 30 de junho e de 01 agosto a 15 de dezembro. Aumentar o número de horas diárias de aula no médio prazo.

Aulas de reforço para os que estiverem com dificuldade.

Fim da progressão continuada. Estudou passou, não estudou faz tudo de novo, vagabundo!

O aluno pode levar uma dependência para o ano seguinte.

Aulas de dependência serão depois das aulas normais ou aos sábados.

 

 

Tá bom assim, Perozito?

 

Qual seu problema com os mauricinhos do Porto Seguro? Vai dividir a sociedade em bonzinhos pobres e maléficos ricos, seu maniqueísta? O rancor da esquerda não se segura. Se aquela moçada está lá é por que seus pais ralaram para lhes dar isso, pagam impostos e têm o direito de pôr seus filhos onde quiserem. Lá vem a tara ideológica das comadres!

Mas é claro que a esquerda se entusiama muito mais com a capacidade administrativa do Marcola ou do Fernandinho Beira-mar do que com a capacidade de um bom advogado, de um bom administrador, de um bom médico, de um bom dentista ou de um bom empresário (este com certeza roubou, na visão da pentelhada).

 

E você acha que o nine fingers vai implantar um projeto pedagógico que busque a qualidade do ensino? Grande engano, meu velho. Primeiro que Lula e a esquerda (cristão primitivos que são) não acreditam em ciência e em educação, acreditam no bom homem natural, na grandeza da simplicidade, na pureza dos pobres. A boa escola para essa gente não forma bons profissionais, isso é pretensão burguesa, a boa escola para a esquerda forma bons militantes. O que foi que o MST quis ao fundar a excrescência que é sua universidade?

 

E o MST nem precisava disso, pois nas Universidades brasileiras o que mais se forma são militantes. A visão é basicamente marxista em quase todos os cursos de humanas e em parte dos outros. Não é por outro motivo que nine fingers contratou 30mil novos funcionários públicos, onde colocar tantos militantes saídos das nossas grandes universidades? Onde acomodar tantos acomodados?

 

 

Pedagogia do Compromido 1

Ah, que pena. A aula é à distância!

 

Seu projeto pegadógico deve ter sido preparado pelo Zé Graziano, aquele do projeto fome zero. Ilusões e preconceitos, só isso. Aulas à distância? Se com a professora presente já não funciona, imagine sem ela. Meu projeto:

 

Dos Direitos

Dos Deveres (There’s no free lunch, baby)

Famílias pobres receberão X reais/mês por filho na escola, limitado ao máximo de 3X reais/mês.

Filho fora da escola, desde que haja escola, é crime punido com trabalho comunitário de divulgação da importância da educação.

Mães grávidas terão que ir ao posto de saúde segundo a freqüência determinada pelo Min. da Saúde

Cada filho que completar o primeiro grau receberá um bônus de 3X reais.

Cada filho que completar o segundo grau receberá um bônus de 5X reais.

Se um filho abandonar a escola antes de completar o primeiro grau, a família terá um desconto de 50% na bolsa dos demais filhos.

Se abandonar no segundo grau, o desconto será de 25%.

Cada professor receberá um computador financiado pelo estado, 50% do valor será descontado em 36 meses diretamente do salário, o restante será do estado.

Os professores terão que acompanhar programas de aperfeiçoamento via internet e fazer provas regulares sobre os assuntos.

 

Continua

Brasil, falta pouco para virar o cu do mundo.

 

Perozzi, você delira mesmo. Dizer que o Lula criou o Bolsa Família é demais. Não, meu caro, ele piorou o Bolsa Escola e outros programas do FHC e aumentou a sua distribuição. Se fosse um não petista, vocês diriam que é esmola, como é Lula, é tudo de bom. Os seus famélicos não estão votando em causa própria, estão votando na perpetuação de sua pobreza e, pior de tudo, na de seus filhos. Dá um tempo e você verá o que vai acontecer no Nordeste. Maior informalidade de emprego, maior taxa de natalidade, mães cada vez mais jovens, queda na já baixa taxa de escolaridade, em suma, um futuro pior os aguarda. Nem vou perder meu tempo explicando o porquê disso.

 

Pois é, você quer um trato do seu candidato com o povaréu imundo? Primeiro, vejo que você é preconceituoso, agora pobre é sinônimo de imundice? Beleza, então o bolsa família deixa você feliz. E os bisnetos que se fodam, certo? O problema da esquerda é basicamente que o rancor com o resto do mundo, com a sociedade que dá certo, impede que ela perceba como funciona a economia. Vocês ainda acreditam no homem puro, simples e sem estes sentimentos capitalistas decadentes.

 

O cara típico de esquerdista, aquele que comunga desta realidade ideal construída ao longo de séculos, que sei que não é o seu caso, tem uma atitude típica de comadre: você viu que fulano de tal comprou um carro novo? Você viu que ele comprou um apartamento no Guarujá? Se alguém tem, só deve ter sido roubado. Vamos distribuir. O que é um militante petista básico? É um cara encostado num empreguinho público, acomodado na vida, praticante de um cristianismo primitivo, cheio de taras ideológicas construídas deste os tempos da revolução francesa (a revolução por excelência dos tarados), que vive de botar olho gordo nos outros, que vive de reclamar dos EUA, que vive repetindo os velhos chavões de sempre, sem sentido, mas que dão sentido a uma vida de ilusões. Em resumo: UMA TOUPEIRA!

 

(espera, ainda não acabei!)

Fantasia, escolha a sua!

Fantasias há para todos os gostos!

 

Hoje, mais que nunca, sabemos que o compromisso do PT sempre foi consigo mesmo, nunca foi com o Brasil, com a construção de um país melhor. O negócio do PT era conquistar o poder e instalar sua gente, criar uma grande comunidade alternativa às custas de nossos impostos. É claro que a ética muito própria do partido recomenda que se disfarce ao máximo o estado de bem estar partidário, mantendo a informalidade dos trajes, o jeitão alternativo misturando hippies e yuppies, o escracho em público com a sociedade de consumo, só se assiste a filmes alternativos (essas merda iranianas, por exemplo), Guerra nas Estrelas só depois que a família tiver ido dormir, frequenta-se restaurantes com jeitão de cozinha da vovó, só se hospeda em pousadas bacaninhas, feira de antiguidade só a do Bixiga e a da Benedito Calixto. Tudo é culpa da exclusão social, a democracia só vale para a elite, precisamos mudar tudo isso que está aí, os homens são todos iguais (para mim a pior herença cristã que recebemos), temos uma história de lutas socias e contra a ditadura, e por aí vai. No fundo essa gente quer é se arranjar. Coloque dinheiro sobre a mesa e você verá como um cara de esquerda se transforma num capitalista dos mais selvagens. É só isso. Estão aí as reparações milionárias aos perseguidos pela ditadura, está aí Cony recebendo 19 mil reais por mês. Um puta cara de esquerda, um revolucionário mala do caralho que só ele.

 

Mas o deslize é imperdoável, Silvinho Pereira mostra que a ética petista não perdoa. Tudo bem, teve o Romanee Conti, mas o grande mestre pode tudo. Tá bom, tem as contas no exterior, mas ninguém é de ferro, certo.

 

Quer votar no nine fingers, problema seu, vai lá vota e depois não reclama. Quem sabe agora a crise aguda vem. Tomara que venha. Primeiro, que esta idéia de famélicos brasileiros é mais uma construção da máquina de propaganda da esquerda. Famélicos há na Africa, meu velho. Amigos que já estiveram na África e que estão fazendo pesquisa com pobres do nordeste, favelados nordestinos, não paulistanos, me disseram que os pobres que eles encontraram no interior da Bahia e de Tocantins são classe média na África. Então nossos pobres vivem bem? Claro que não, falo isso só para afastar esta linguagem populista que vocês usam, que eche o saco.

 

(se segura que já volto)

Gentlemen

Da Arte Petista de Fazer Política .

 

Perozzi,

 

Peguei um vírus de merda e fiquei afônico, daí que sumi daqui por uns dias. E basta dar uma folga que você já delira. Vamos por partes.

 

Acho que o Roberto Rodrigues nunca devia ter aceitado o ministério, deveria ter deixado na mão do MST, como de resto todos os ministérios e o BC deveriam ter sido entregues a petistas.Por exemplo, o ministério da Agricultura eu teria entregado para o gênio que é Plínio Sampaio. O BC eu daria para o Mercadante. Tucanos e pefelistas nunca deveriam ter emprestado sua credibilidade ao governo Lula. Em resumo, deixa fuder, eles não passaram 30 anos se dizendo campões das soluções mágicas e da ética e detonando a nossa nascente redemocratização? Agora era hora de ligar o foda-se. Ah, vocês sabem como resolver tudo? É fácil? Basta vontade política? Então, tó, se vira garotão!!

 

O Brasil, como já disse aqui, precisa de uma crise aguda, tipo arrasa quarteirão, o governo Lula foi nossa chance, virou uma continuidade do governo FHC, no que ele tinha de mais limitado. Uma pena!

 

Roberto Rodrigues saiu quieto porque não é do estilo dele, é um homem educado. Mas sei que vocês petistas não sabem o que é isso, pois se acham revolucionários, mas são atores infantis da política. Aí o Brasil lhes é dado e vocês fazem bico, choramingam e escrevem a carta ao povo brasileiro e pedem ajuda à oposição. Nem sabem onde fica a fechadura do Planalto. Quando chamei o Malan de gentleman aqui, você zombou, é também o caso de Roberto Rodrigues. Mas, é claro, que isso é um comportamento burguês, ainda mais usando um termo inglês. Pelo que Malan teve que ouvir calado de Mercadante (referência do mais baixo nível a que um petista pode chegar) no Congresso, acho que ele é quase um destes cristãos ferrenhos, sempre dá a outra face. Se é comigo, depois de sair do Ministério chamava o canalha para um embate no punho.

 

(já volto)

 

Nós e o quadrado mágico

 

Sabe por que é tão difícil aceitar o desastre do Brasil na Copa, Sassa? Porque, todos nós temos um pouquinho de responsabilidade por ele. Todos nós embarcamos na lorota do tal "quadrado mágico". Os anunciantes precisavam de seus garotos-propaganda na ribalta, e não no banco. Parreira, outrora defensor de um futebol de resultados, formou um time em que estava implícita a promessa do espetáculo. A Globo, Galvão Bueno à frente, explicitou o sonho. E nós todos compramos, sorridentes.

Agora, me diga, Sassa. Suponha que o Verdão, ao invés de estar chafurdando na lama, estivesse nadando em dinheiro. E imagine que anunciasse a compra simultânea de Ronaldo, Ronaldinho, Adriano e Cacá para formar um grande time (com Robinho no banco, de lambuja). Alguém deixaria de duvidar da sanidade mental de quem fez isso? Não, ninguém. Seria tão idiota quanto contratar onze goleiros geniais e tentar formar um timaço a partir daí. Mas é exatamente essa a idéia que está por trás do "quadrado". Idéia que nós todos, cansados de futebol chinfrim, aplaudimos de pé. Agora, não dá prá entender o que aconteceu. Não dá prá entender, eu acho, porque é sempre duro entender nossos próprios erros. Aconteceu exatamente aquilo que nós todos quisemos que acontecesse. E que era uma estupidez sem tamanho desde o início.

Rapidinhas

 

Leu o editorial de hoje do Estadão a respeito da saída do Ministro da Agricultura? Pois concordo em gênero, número e grau. Deveria ter saído à la Django: arrasando quarteirão. Voto em Nine-Fingers, você sabe. Mas é difícil imaginar alguém que me irrite mais do que ele. Tratarei do dilema amanhã na terapia.

Tá bom. Vamos tentar pôr um pouco de racionalidade nesta bagunça. Por que voto em Nine-Fingers? Porque não há nada melhor no cardápio, em primeiro lugar. E porque tenho a impressão de que, certos ou errados, os famélicos da terra lotados aqui em Pindorama estarão votando pela primeira vez em causa própria. Ele nos deu o bolsa-família, a gente retribui. Melhor do que votar em troca de dentadura, não é, não, Sassa?

Prá mim, candidato que se preze tem que fazer um trato bem claro com o povaréu imundo. Essa história de "olha, temos um plano genial que, se der certo, transformará a vida dos seus bisnetos num paraíso" não dá mais.

Se fosse eu, dizia assim: "olha, sua vida vai ser uma merda, mesmo, não tem jeito, mas eu posso lhe garantir que se o seu filhinho de cinco anos tiver talento irá competir de igual prá igual no vestibular com o filho de um barão". Nada de esperar. Ensino à distância de alta qualidade para a elite das favelas e dos igarapés. O mesmo a que qualquer aluno do Porto Seguro tem acesso. Com alemão e tudo. E com bolsa de estudo, prá eles serem tão bacaninhas no pedaço quanto qualquer olheiro do tráfico. Só para a elite do tutano, com altíssimas doses de darwinismo. Bombou, tá fora. Em dez anos, um exército de milhões de brasileirinhos e brasileirinhas prontos prá botar os mauricinhos e patricinhas no chinelo. E ensino técnico sem frescura (e, acima de tudo, sem pedagogos) para o resto. É pedir muito? Enquanto ninguém se apresenta, vou de Nine-Fingers, mesmo. Com mensalão e tudo.

Cê vota em mim, Sassa? Diz que vota, vai. Meu ego tá numa penúria de dar dó...

Tá bom. Vou ouvir Franz Schubert e não encho mais o saco.

Cristina Aguilera inspira-se em Marilyn para capa do novo CD.

 

É o tal negócio. O macarrão que eu faço, abandonado à própria sorte, é bem passável. Mas se eu disser que me inspirei no do Massimo, ele vira um grude.

Às vezes dá!

 

Perozzi,

Adoro uma estória bem contada. Na minha cidade, lá no interior, quando era adolescente, às vezes tinha que pegar um táxi no ponto (único da cidade) e ficava sentado na farmácia de meu primo Berto até que o táxi da vez fosse o do Seo Aristides. Assim que tomávamos nosso caminho, eu elogiava o estado de seu Opala azul claro, e o indagava: mas como que o Sr. conseguiu encontrar um carro tão bom? Ele, então, começava a contar a longa estória da compra do carro, levava uns 40 minutos, tempo de chegar em casa. Tempo dele, porque eu sempre fiz em 20 minutos e olhe lá. Era uma delícia ficar ouvindo ele contar pausadamente aquela história. Nem sei quantas vezes ouvi aquela mesma história, mas sempre era demais, eu me ajeitava no banco curtia a paisagem e ia ouvindo aquele homem falar sem pressa e nos mínimos detalhes. Era sempre a mesma história, exatamente a mesma.

Eis que hoje à noite fui ao Pão de Açúcar aqui do Bairro. Desço do carro e sou abordado por um senhor de uns 70 anos, desdentado, cabelos brancos, 1,60m, uma figura.

- Moço, por favor, não é dinheiro não. Acabei de ter gêmeos, estão no Hospital Vergueiro, e...

Cara, ele contou a história com tamanha dramaticidade e riqueza de detalhes que quase cheguei a pensar que ele fosse um obstetra. Mas ele não choramingou, falou com alegria e entusiasmo de seus gêmeos. Pediu um pacote de fraldas, veja só.

Pacote entregue, ele ensaiou outra história sobre sua moradia atual.

Tenho absoluta certeza de que ele teve gêmeos, talvez seja avô. Pai, jamais. De qualquer maneira o sujeito é um grande contador de histórias, que talento! Não dou dinheiro para ninguém na rua, nem para crianças, mas este mereceu.

E voltei para casa pensando no que ele irá fazer com aquelas fraldas?

 

Ciao, dentuço.

 

O que eles têm em comum, além do nome?

Vingança nacional.

Perozzi, já pensou que bonito seria se o avião da Varig não tivesse gasosa para levantar vôo da Alemanha? Aí mandávamos todos de volta pelo Lloyd Aéreo Boliviano, com direito a uma escala em La Paz e outra em Cochabamba, apenas para lembrar ao jogadores que é preciso ter fibra quando se joga com a amarelinha, perder faz parte, perder sem lutar vão todos, que amoleceram, para a puta que os pariu.

Desmascarado

Relutei muito antes de aceitar os fatos, Sassaroli, mas já não tenho mais dúvidas. Ronaldo era um agente infiltrado.

Regina, continuo amando você, mas desta vez fudeuu!

 

Perozzi, estava no interior e de lá assistis ao passeio que demos em campo no sábado, poucos entraram para jogar.

 

Vamos tomar este fernet com 51. Eu sou a favor de futebol de resultados, mas de futebol. Isso que nós fizemos contra a França não é futebol. Foi um grupo de bananas em campo, com exceção do Lucio e do Juan, ninguém fez nada. Uns bundões, sem amor à camisa e se achando. Um amigo já havia me chamado à atenção para o fato de não comemorarmos as vitórias, contra Gana foi assim, ganhamos e saímos sem nem dar um tchauzinho.

 

Salto alto, meu velho. Esses babacas se acham, como se ninguém pudesse ganhar da gente. Futebol de resultados é jogar feio quando necessário, mas sempre suar a camisa.

 

O Renato Maurício Prado, que faz um excelente dobradinha com o Juca no CBN Sport Clube, disse bem: os principais jogadores estavam atrás de seus recordes pessoais e não se formou um grupo. Por isso, acho que o ideal é que a seleção fizesse contrato com empresas com a condição de que elas não fizessem contratos com os jogadores, senão o conflito de interesse é óbvio. A empresa que paga à seleção vai ter cacife para forçar a escalação de seu contratado, que é o que todos dizem sobre a Nike na seleção. Vou propor este projeto para meu deputado em Brasília. Caralho, qual é mesmo meu deputado? Nem me lembro em que FDP votei.

 

Mas, Perozzi, você ficou triste mesmo com a derrota, ficou sem forças para tripudiar sobre minhas idéias futebolísticas, pensei que você viesse muito mais pesado. O que é isso cara, ficar triste por causa de uma merda dessas. Deixa prá lá, encha a cara e dê um cata na digníssima.

 

Bossanová

 

Ontem, no Tocador de Bolacha (r. Patizal, 72), um francês trincando de tão bêbado pedia insistentemente que a Jane do Bandolim tocasse um pouquinho de "bossanová". Ela, um pouco a contragosto, interrompeu a seleção de chorinhos e mandou um Samba do Avião. Mas o francês não ficou contente. Continuava pedindo "bossanová", que, para ele, deve ser sinônimo de "garrôta dipanéme". Foi-se criando um climão. Quando o gaulês foi ao banheiro sozinho, temi pela sua vida, mas ele voltou são e salvo (mais salvo do que são, na verdade), e continuou enchendo o saco (e o caneco). Dois caras, no balcão, mamados que deus me livre, estavam de olhos fixos na jugular do gajo. Foi aí que aconteceu. Um cara entrou de fininho no bar, violão em punho, viu a cena, sentou-se de costas para todo mundo, dobrou o corpo sobre o violão e começou a estraçalhar. O que ele e o Lula, no 7 cordas, fizeram foi inesquecível. Passaram a bossa-nova em revista, num show de improvisação que durou mais de uma hora. O francês calou o bico. Fosse "bossanová", "sambá", ou "macumbá", era obviamente maravilhoso. Senti, é claro, a garganta secar, mas foi menos de um segundo. Tomei um gole, me contive, e voltei a abrir um sorrisão de contentamento. Mais uns goles, e a derrota foi se dissolvendo, se dissolvendo, até sumir. O Brasil é do cacete, não é, não, Sassa?

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