Juva é Saddam desde pequenininho

Ossama na alturas.

O que é isso, companheiro Juva? Ficou com dó do Saddam? Não vi o filme que roda por aí, odeio realismos desnecessários, tipo pai bocomoco filmar nascimento do filho. Argh!

Aliás, filmes de casamento também são um saco, o casal coloca no maior entusiasmo, e olha que já viram 11 vezes, e você, por educação ou pena, fica com aquela cara de pastel amanhecido assistindo àquelas cenas deprimentes. Opa, e sempre botam a gente sentado na cara da TV e ficam um de cada lado, impossível desviar o olhar da telinha. Porra, se ainda me deixassem dar umas paradas para observar melhor os decotes de algumas convidadas vá lá, mas que nada, justamente nas mulheres gostosas a coisa passa rápido, afinal, a rainha da noite é a noiva.

Revistas masculinas, então, viraram verdadeiros manuais de ginecologia, só falta o ultrassom do útero das meninas. Ah, que saudades das revistas da minha adolescência quando a gente até virara a foto de lado para ver se via algo mais. O mundo perdeu a sutileza, meu velho. Bem, se até a Xuxa já precisa vir em dose dupla, imagina o resto.

Em homenagem ao Iraque, vi nesta semana a um filme dirigido por John Ford, de 1934, chamado A Patrulha Perdida. A história se passa em 1917 na Mesopotâmia, lá pelas tantas um cavalho precisa ser sacrificado. Um oficial chega dá um revólver ao cabo, todos se afastam, vem um close no cabo com o revólver na mão e o cavalo deitado ao lado, pronto, nada mais, nem imagem nem som. Cena seguinte, maestro. Se fosse filmado hoje, ficariam todos discutindo se mata ou não mata, seriam onze tiros explodindo nas caixas do romiçiater, o sangue espirraria em todo mundo, um cara vomitaria na câmera e o close final seria na cabeça toda perfurada e sangrando do coitado com aquele olho de...cavalo morto, você esperava o quê?

Bem, dei toda essa volta para chegar ao cavalo e colocá-lo ao lado do outro animal do dia. Pessoalmente, ao ver as fotos de Saddam na forca senti certa pena. Normal, minha mãe me deu uma educação cristã, da qual nunca consegui me livrar totalmente, e isso é como nicotinha, a gente sente o cheiro do cigarro e alguma sensação sempre volta. Mas fico pensando num xiita que sofreu por anos a perseguição do canalha, sei não, acho que teria tripudiado também.

Juva, olha só (uma homenagem ao cariocas), os americanos erraram feio com Saddam. Era muito mais simples, teriam evitado um monte de problemas, se tivessem adotada a tática sassaroliana de se lidar com ditadores: uma pequena azeitona resolve tudo. Bastava uma granada naquela cova cinco estrelas em que ele estava, pronto. Tinham que usar a mesma técnica adotada para os filhos da puta dos filhos do canalha.

Mas neste mundo carente de sutileza, tinham que dar espetáculo para o mundo, tinham que mostrar um grande prêmio ao povo cedendo por sangue, já que o Ossama tchuns! Para quê atiçar os muçulmanos com aquele julgamento longo e chato? George Keep Walker, velho amigo de guerra, que me desculpe, mas cagou e sentou em cima, como dizemos no interior. Bastava mostrar a cova, o corpo e pronto. Evitariam este monte de dor de cabeça, o cara morreu em combate.

Lembra-se da Romênia? Lá foram mais inteligentes: sabiam que o Ceaucescu era perigo, pois ele vivo poderia ser motivo para a resistência dos orgãos de segurança à queda do regime, aí caçaram o canalha, fizeram aquele julgamento expresso à la corte de pequenas causas (eu nem isso teria feito) e bimba, tudo resolvido.

PS: filmes familiares só vejo do meu baixinho, mas sem nenhum convidado, só os pais vêem graça naquilo.

Respeito é bom, e Saddam também gosta...

Segundo um porta-voz do governo americano, "se o enforcamento tivesse sido conduzido por nós, nada disso teria acontecido." No caso em apreço, "isso" foi a troca de insultos entre Saddam e alguns xiitas que foram assistir ao edificante espetáculo de um velhinho sunita tendo um ataque epilético na vertical.  Para o governo norte-americano, o horror esteve justamente aí - na falta de compostura da platéia. Se tivessem assistido a tudo em silêncio, rindo apenas por dentro, teria sido uma execução "civilizada". Mas resolveram tirar uma da cara do condenado. Tripudiaram. Fizeram troça. Dizem que tinha xiita comendo pipoca durante o espetáculo. De boca aberta, vejam só. Fazendo barulho, incomodando quem estava na poltrona ao lado. Não pode, minha gente. Não pode. Depois, em casa, bebendo com os amigos, tudo bem soltar umas gargalhadas enquanto relembra algum detalhe mais excitante. Mas, ali, enquanto o cara veste a gravata derradeira, é preciso demonstrar um pouquinho mais de respeito. Tem que segurar a onda, pô...

Mais Clássicos

Carlos Kleiber e seu tesouro

Uma das Sinfonias do Beetho que mais gosto, depois da Nona, é a Sétima. E aí não há rival para a gravação de Carlos Kleiber de 1975 com a Filarmônica de Viena. Quando o Perozzi coçava o saco na costa mediterrânea com meu dinheiro, mandei-lhe este CD da Deutsche Gramophon para as muitas horas vagas que ele tinha. Aliás, disse-me um agente infiltrado na cidade, que o Perozzi só tinha horas vagas. Deve ser por isso que voltou uns 20 kilos mais gordo um ano depois de ter partido.

Carlos Kleiber (1930-2004) era um sujeito admirável. Bom demais no que fazia, muito respeitado por todos, praticamente não aparecia na mídia, odiava exposição. Só regia como convidado, há décadas não era titular de nenhuma orquestra. Vivia recluso. Deve ter sido um sujeito feliz, reger bem lhe bastava. Nada de badalação. Era o perfeccionista, certa feita ensaiou 34 vezes antes de apresentar uma ópera.

Fuçando o Youtube para achar uma boa gravação da Ode à Alegria pela volta do Perozzito, encontrei estes vídeos com Kleiber à frente da Concertgebouw de Amsterdã regendo a Sétima Sinfonia do Beethoven. Não é aquela gravação com a Filamônica de Viena, mas também é muito bela. O que me deixou louco neste vídeo é que a imagem fica muito tempo em Kleiber e é uma experiência deliciosa observar seus movimentos e ouvir a reação da orquestra. Bem, a diversidade dos seus gestos ao reger é outra curiosidade.

-7.ª Sinfonia Beethoven Movimento 1-parte1

http://www.youtube.com/watch?v=s1qAWcd4rr0

- 7.ª Sinfonia Beethoven Movimento 1-parte2

http://www.youtube.com/watch?v=MzHt-_i_FcE&mode=related&search=

- 7.ª Sinfonia Beethoven Movimento 2

http://www.youtube.com/watch?v=bqtPVEuAbzM&mode=related&search=

- 7.ª Sinfonia Beethoven Movimento 3

http://www.youtube.com/watch?v=Td3mRRne39I&mode=related&search=

- 7.ª Sinfonia Beethoven Movimento 4

http://www.youtube.com/watch?v=VLkZvsp62iU&mode=related&search=

Apocalipse daqui a pouco

Tudo bem, o cara era mesmo o cão. Ninguém nega. Quando vi o vídeo, fiquei o tempo todo um passo aquém da pena. Mereceu que aquele nó gigantesco lhe desse um inimaginável murro na cara, que o destroncou como um frango. Mereceu até mesmo a merda pingando no sapato, por dentro da calça. Mas me digam se é possível governar aquela zona étnico-religiosa com alguma coisa mais suave que um porrete. Dona Rice diz que sim. Acha que não, como eu, mas por dever de ofício diz que sim. Falou até que não quer papo com o Irã, nem com a Síria, pois ambos são uma ameaça à democracia libanesa. Sei. Devem ser também uma ameaça à democracia israelense, onde a tortura é legalizada e cada cabeça é um voto (desde que use o bonezinho adequado). Só faltou dizer que são uma ameaça à democracia na Arábia Saudita. Pelas barbas do profeta... Vai mentir assim pro teu marido, e veja se ele acredita, meu anjo. Comigo, não. Se aprume.

Se tivessem um pinguinho de vergonha, fariam como o coronel Kurz, e mergulhariam na barbárie como Sadam mergulhou naquele cadafalso - de cara limpa, e olhos bem abertos. Ao invés de terceirizar a tortura, mandando prisioneiros para serem amputados em infernos aliados, assumiriam o controle da situação pela força, sem meias medidas, nem meias palavras. Quando se invade um país, deve-se estar disposto a fazer isso. A alternativa é voltar para casa com o rabinho entre as pernas. Eventualmente, com as botas borradas de cocô.

Malditos.

Anauê!

Perozzi is back

Sassa é só alegria, desde cedo

Alegria, alegria. Perozzi reapareceu. Eu estava macambuzio, cabisbaixo, comecei a falar de médicos, bom sinal não é. Mas eis que ele voltou, então, para comemorar a volta do amigo, aqui vai um link do Youtube com o mestre Karajan regendo a Wierner Phihlarmoniker Orchestrer executando a o 4.º Movimento da Nona de Beethoven com a Ode à Alegria. Tenho uma cinco gravações da Nona, nunca consigo ouvi-la sem chorar, como é lindo.

(4.º Movimento-1.ª parte)

http://www.youtube.com/watch?v=BYOQeGCDWsY&mode=related&search=

(4.º Movimento-2.ª parte-Coral)

http://www.youtube.com/watch?v=d2UgkAYV2yQ&mode=related&search=

(4.º Movimento-3.ª parte-Coral)

http://www.youtube.com/watch?v=WwcciAPOhjA&mode=related&search=

(4.º Movimento-4.ª parte-Coral)

http://www.youtube.com/watch?v=Mu_pa9CXq4o&mode=related&search=

Agora, já pode...

 

Antes de sair a reportagem da Economist, a gente não podia levantar a suspeita (suspeita, vejam bem) de que o Kirchner talvez estivesse mesmo no caminho certo. Lá vinha cara feia do outro lado. O Bresser Pereira afirma na Folha de hoje que um artigo seu defendendo a política econômica argentina foi recusado pelo Le Monde (o Le Monde, vejam bem), sob o argumento de que punha azeitona na empada do "populismo do Kirchner". Tem gente que acha a Economist de direita. Sei lá. Deve ser. Mas é, de longe, a revista que eu mais gosto de ler. Até a seção de cartas dos leitores é maravilhosa. Defenderam a descriminalização das drogas com todos os pingos nos is, lembram? Foi um orgasmo. Todos os argumentos sensatos estavam ali.

Uma recomendação: o artigo a respeito dos aeroportos russos. É de rachar o bico. A gente acaba de ler e tem vontade de ir tomar um cafezinho em Congonhas. Com apagão e tudo.

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