Marluf vem aí, lá lá lá lá lá lá

Nada como um dia depois do outro

No filme O Que É Isso, Companheiro!, Paulo (codinome de Fernando Gabeira, interpretado por Pedro Cardoso) cruza com um velho amigo que virou ator e está encenando a Casa das Bonecas de Ibsen. O amigo sabe que ele está envolvido no sequestro do embaixador dos EUA, o recrimina dizendo que sequestrar embaixador é como atirar no soldado que segura a bandeira branca e finaliza mais ou menos assim:

- No fundo, vocês da esquerda são a outra ponta da ferradura, numa ponta os milicos, na outra vocês.

Que premonição! Primeiro, pela ferradura. Depois, pelo que vemos 30 e tantos anos mais tarde.

Na foto acima, numa ponta da ferradura está Paulo Maluf, ligado aos mais pesados senhores da linha dura militar (aos quais até Geisel desce o cacete em seu livro-depoimento) e na outra ponta da sandália eqüina está Cândido Vacarezza, braço direito da revolucionária Marta Suplicy. Do que tratam eles? Ora, de uma chapinha daqui, ó! Marta sai para a prefeitura e Maluf indica o vice. Eu escolho Celso Pitta, acho que dão um par perfeito. É o Fura Fila do Pitta entalando nos túneis da Rebouças da Marta.

Quando Marta estava na prefeitura, os seus procuradores cometeram algumas barbeiragens, digamos assim, que favoreceram Maluf naqueles processos lá na Suíça. Os bens informados sabem o quanto custou aquilo. Quanto? Ué, custou muito desssgassstê para ela, só isso.

Na verdade, não vai haver um vice de Maluf, são tudo, menos burros. Pegaria mal e impediria os votos dos pobres petistas que ainda acreditam que o partido é a fonte da pureza e da redenção nacionais. Vai ser coisa de gaveta, não declarada, eles adoram isso. E assim o petista típico poderá defeder com unhas e dentes o partido e o seu "vamos mudar tudo isso qua está aí."

Xii, e o PIB do LULA óóóóó

IBGE confirma o que D. Marisa já sabia, PIB de Lula é japonês

O Brasil já foi melhor. Por décadas, nossa saudável obsessão nacional eram os derrières. Quantos desejos, sonhos, exercícios físicos e mentais nasciam de uma simples foto da Rose Di Primo. Pioramos tanto que, de um gostosa hostess do capeta, ela virou evangélica puritana. E continuamos ladeira abaixo até com o Real chegamos ao fundo do poço com a nova obsessão nacional, o crescimento do PIB. Só mesmo um intelectual de porte como FHC no 'puder' para nos incutir um típico complexo freudiano como esse. Esses caras sempre acreditam em tudo que lêem.

Alguém já leu alguma coisa de Freud sobre o back office feminino? Que eu saiba Herr Doctor jamais abordou o assunto. A tomada do poder pela bem criada e rechonchuda intelectualidade nacional (com FHC uma metade, com Lula a outra metade, logo temos que (-meio) + (meio)=zero) nos deixou esta herança. Esta, sim, maldita. Estes freudianos depravados enfalicaram o sonho nacional.

Hoje só se fala nisso: O PIB cresceu! Nosso PIB encolheu! Esse PIB não sobe nem a pau! Empresários exigem um PIB maior! Sindicalistas acham o PIB pequeno demais! PIB brasileiro é uma vergonha, diz Boris Casoy! Esse nosso PIB é uma grachinha, diz a Hebe! Campanha da Fraternidade: pôr um PIB Grande! Precisamos destravar o crescimento do PIB!  O PIB brasileiro é como rabo de cavalho, só cresce para baixo! (Joemir Beting). Delfim diz que depois que PIB crescer, vai repartir! Apesar dos estímulos, PIB brasileiro não reage. Presidente quer PIB maior! Primeira Dama, então, nem se fala. Os arcanos do PIB são inteiramente outros! (no Café filosófico). PIB brasileiro não cresce nem com aquecimento global! 

Meu analista me ensinou: Nunca fale do falo. Falo é poder e poder não se discute, exercita-se diariamente. Lembre-se, quanto mais se fala do poder menos falo vai phoder.

Como se vê no gráfico, nosso PIB ficou abaixo da metade da média. Assim não vamos catar ninguém, caralho! E Cuba leva o prêmio "Jorjão Pé de Mesa" pelo maior PIB da região.

E digo mais, se Lula não tivesse mandado nossa gente contaminar o pobre Haiti com este maldito complexo do PIB nacional pequeno, nosso PIB teria recebido o troféu "Tatu da Ilha da Fantasia" pelo menor PIB da região. Que neste ano vai para a terra dos Tontão Macute.

Que raiva! Até a Bolívia, onde os caras vivem chapados mascando folha de coca, o PIB cresce mais que o nosso.

Questiúnculas

Ségô Consulta suas Bases Conceituais

A cultura francesa é um legado universal, mas já há algumas décadas que sua relevância vem caindo. Uma pena! Os franceses cada vez mais perdem tempo com questões menores, se engalfinham em discussões de importância duvidosa. É clássica a mania francesa, e também latina, por detalhes tão pequenos de nós dois. Enquanto isso, os anglo-saxões estão nadando de braçada há séculos com sua irritante objetividade prática.

Eis que ontem a Folha publicou artigo de Bernard-Henry Levy comentando um bate papo com Ségolène Royal, a candidata do PS à Presidência da França. À certa altura a conversa descamba para o rebuscado e improdutivo debate conceitual, uma tara da intelectualidade local que parece ter contaminado a cultura gaulesa.

Bem, em vez de apreciar o bom vinho nacional, os dois passam a discutir se a expressão "direitos do homem" é a mesa coisa que "direitos humanos". Dá para tomar uma kaiser antes? Ségolène argumenta que 'direitos do homem' indica o direito do homem em oposição ao direito da mulher. Argh! Vai ser politicamente correta assim lá nos esgotos parisienses, aliás, tubulação de escoamento dejetativo. E completa a candidata Ségô: um dia, eu estava conversando com uma mulher de um vilarejo no Mali. Para ela, era exatamente tão simples assim: se você diz 'direitos do homem', ela entende que são direitos da população masculina, que domina nessa região há séculos. Então eu escolhi o ponto de vista dela, que, por sinal, é o mesmo de qualquer criança que se encontra na rua."

Como diria Paulo Francis: Wall!

Só nos resta o refrão eleitoral do momento: Ô, ôô, ô, ô, allez Sarkô!!!!

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