Kassel & Planel Urgenta

Essa aí é de um chinês que a Revolução Cultural deixou escapar: Ai Weiwei (na Alemanha, pronuncia-se "Ai....Vai! Vai!!!", de preferência com fundo musical do Village People). A idéia é legalzinha. O cara pegou uma porção de portas centenárias de templos chineses e montou uma enorme porta giratória, no estilo dessas dos bancos modernões. Tipo assim: o mundo contemporâneo construído com os escombros da tradição, sacou? Pois muito bem. Tudo instaladinho, uma tempestade desabou sobre Kassel, e a instalação, coitadinha, veio abaixo:

Ai Weiwei não se fez de rogado. Disse que a instalação estava melhor agora do que antes - o mundo contemporâneo, que fora construído com os escombros da tradição, agora foi ele mesmo reduzido a escombros, sacou, meu? Irado...

Como diz a turma do Zeno, "lôko, né?".

Kassel e Planel urgenta

Não vá pensando em obscenidades, chefe. É só um protesto "pós-moderno" contra a Monsanto, pasme o senhor. O "artista" (como dizia vovó, "vê se pára de fazer arte, menino, ou o chinelo vai cantar na sua bunda!") montou um jardinzinho suspenso bem fubrega. Grande, é verdade - 17m. da ponta ao cabo. O que o senhor acha? Em matéria de Kassel, tamanha é documenta? Vai ver que é, né? Bom, mas o importante é que, no meio do jardinzinho, foi espetando plaquinhas como essa, com mensagens de protesto contra o agronegócio. (O senhor, perspicaz como é, deve estar começando perceber a existência de ligações profundas entre o Rodrigo Naves e o José Rainha.) 

Aposto que Rodrigão e Cia. farão tudo para convencer os amiguinhos curadores a trazer o jardinzinho para o Brasil. É engambelação embalada para presente, com laço de fita ideológico, sabe como é? Todo mundo ganha uma graninha preta em cima dessas baboseiras, e ainda saem com a fama de paladinos da justiça social num mundo globalizado. Eita...

Vocabulário: "Hausschwein", porco doméstico; "sus scrofa domestica", nome científico do bicho. Parece que a Monsanto andou patenteando porcos que se reproduzem como ratos. Desconfio que também deve ter feito a experiência com antas.

Do outro lado dos Andes

Enquanto isso no Chile...

É isso aí, Perozzi. Enquanto você coça o saco na Documenta, com meu dinheiro, seu canalha, a Michelle Bachelet assinou o Tratado de LIvre Comércio com o Japão no dia 14/08. Os japorongas vão receber 80% dos produtos chilenos com tarifa especial.

O Chile teve uma feliz seqüência de governos de esquerda, que sacaram há muito tempo que o caminho é produzir resultados, deixar de lado a discussão ideológica secundária e procurar crescer com estabilidade para melhorar a vida de sua gente. É um exemplo para todos nós, mas...

Do lado de cá, continuamos sonhando em liderar a América do Sul, quiça até a Latina, e cedendo mais e mais aos vizinhos. Liderar a AL é como querer dar voz de comando a um bando de bêbados às 3 de matina. Fica-se roco e ninguém escuta. Não dá, estamos cercados por escroques internacionais comandando países de menor importância para nós. Falo, claro, de Kirschner, Morales e Chavez. É perda de tempo, esses caras não cumprem nem promessa feita à mãe. Ficamos num debate interno improdutivo entre deixar ou não o Chavez entrar no Mercosul. O que afinal siginifca a Venezuela para nós? Porra nenhuma, o negócio deles é vender petróleo pros EUA, o resto é firula.

Então, o que deveríamos fazer? Fazer bons acordos bilaterais mundo afora (longe daquela bobagem feita com a China), modernizar nossa infra-estrutura pela privatização e concessão pública em larga escala, fazer nossa economia disparar. Depois de 10 anos de galope a gente pára para falar com os burricos à beira da estrada. Vai ser um papo bem diferente. Mas...

O mundo na Planície

                     

Perozzi, mais uma esculhambação da estética. Deu no Uol hoje: Grazzi ganha visual inspirado em Rita Hayworth e Katherine Hepburn. A menina dá um caldo e tanto, mas que pretensão!

Ripas do Sister abroad

Professor Sassaroli, o milionário chefe desta espelunca, incumbiu-me de vir até Kassel dar uma geral na tal Documenta. É aqui que tipinhos como o Naves e o Sister vêm buscar inspiração. É uma verdadeira epidemia internacional. Tudo igualzinho. Os artistas fazem o mesmo tipo de bobagem, e contam sempre com o mesmo tipo de verborragia melequenta de críticos especializados na busca de chifre em cabeça de cavalo. Olhem este aqui. O nome dele é Dierk Schmidt, e participa da Documenta com uma "obra" (no sentido entérico da palavra) chamada "A Divisão da Terra". Eis a "obra":

O texto, que deve ser da lavra de algum professor do nosso Rodrigo Naves é um primor:

The series Die Teilung der Erde (“The division of the world”) deals with the role of the German Empire in colonial history. The title quotes a newspaper article from the time of the Berlin Africa-Conference in 1884/85. Schmidt examines the question of whether colonial history, and its economic consequences and legal aspects, can be reversed and reveals the topicality of this question. He uses modernist abstract painting to depict a historical problem that cannot really be represented.

Anotou direitinho, chefe? O cara usa a pintura abstrata para retratar um problema histórico que, verdade verdadeira, mesmo, não pode ser representado, sacou? Nem eu. Mais uma coisa. Vê se me explica, no próximo post, o que é a "topicalidade de uma questão". Nâo seria "tropicalidade da questão", coisa de Caetanos e quejandos? Seja como for, este esforçado repórter foi pesquisar a obra de Herr Schmidt e encontrou mais esta jóia da patifaria contemporânea. O título é "Pense tudo; dê o fora". Fiz o que o Tocha mandou, chefe. Pensei uma porção de coisas impublicáveis, e dei o fora da exposição antes que passasse o efeito do Dramin. Fruam, fruam, por favor:

Sei que é de difícil compreensão, mas com o texto do Rodrigo Naves do Reno fica mais fácil. Ouça só. "Como conseguir uma forma polarizada de abstração, e ao mesmo tempo conservar uma objetualidade?" (Lembra do truque, chefe? Formula-se um problema que ninguém entende qual é, para em seguida mostrar que a porcaria à nossa frente oferece uma solução Tabajara para o mesmo.) "A tela contém contornos de não-formas, que na verdade são puras manchas amarelas com detalhes mínimos sugerindo direções de pensamento ao observador, mas que ao mesmo tempo escapam a qualquer interpretação definitiva. Não é mesmo a cara do Rodrigão?

Amanhã tem mais Documenta de Kassel e Planel... Agora, vou comer uma faxineira romena que conheci aqui na exposição. Ela me disse que estudou na mesma escola da Cicciolina, chefe. Parece que era muito aplicada. Aufviderzên, herr sassa, que life is short, e a muié é mesmo um treco de doido, sô... Inté...

Ripa na chulipa e pimba na gorducinha

 

A Ripologia do Sassa. Você tem um problema? A solução começa por cercá-lo.

 

 

Perozzi, santo deus! Li o texto do Rodrigo Naves. Tô em crise existencial. O mundo só tem “pobrema”.

 

O sujeito é daqueles intelectualóides que vêem problema em tudo. Tá certo, senão onde ele vai arranjar grana para sua Crush?

 

Problema pede solução

E nisso

Rodrigo Naves é bão

 

O texto é vazio, ainda que se pretenda complexo. Lembrou-me muito uns catálogos de vinho que recebo aqui em casa. Parece que há uma mania pseudo-intelectual na praça de se escrever textos com adjetivos em tom pastel, leves, supostamente elegantes, mas que não dizem nada. É uma espécie de texto antítese do tom bacharelesco que impera do outro lado do rio. Esse Rodrigo deve manter uma cara de gravidade permanente, testa franzida, voz sustenida. Como se pedir um café fosse um exercício intelectual que exigisse a eterna vigilância cerebral. Coisa de poucos. E há lugar onde impera mais a pseudo-intelectualidade do que nas artes.

 

Partes que adorei:

 

“Essa discussão contém verdades e incompreensões e traz para o debate estímulos e preconceitos”. Falô, mano. Até porque se não fosse assim, pra que discutir, é ou não é?

 

“O que interessa a esses trabalhos é justamente armar uma expectativa, a espera de transpor limite”. Dá para tomar uma Kaiser antes?

 

“Se a procura desses trabalhos fosse simplesmente delimitar o espaço, eles estariam colocados mais folgadamente na sala, e não apenas encostados às paredes, abrindo-se com pudor às três dimensões”. Ô, seu despudorado! É bem mais simples, a sala era pequena para tanta ripa, caralho.

 

“A maneira pela qual formulamos uma questão já determina em grande parte a resposta que obteremos, porque já há na pergunta uma seleção dos termos que serão investigados”. Corretíssimo, por exemplo, se você pergunta pro Edmundo se ele já tomou no cú hoje, você seguramente já terá selecionado os termos da resposta.

 

“Não poderemos transpor esses pórticos”. Claro, seu estúpido, você mesmo não disse que as ripas estavam encostadas na parede? Mas, tudo bem! Toma um boa distância que você vai transpor... a porta do Pronto Socorro do HC com a cabeça rachada, mané!

 

“O que elas prometem diz respeito à experiência de um risco, diante do qual é preciso conter a ansiedade. Todos que já tomaram decisões irreversíveis saberão reconhecer a força dessas obras”. Ah, tá, falô. Como quando fico na angústia entre soltar um pum ou ir ao banheiro, pois me aflige a certeza de que tudo que é sólido se desmancha no ar.

Ei-las: as tais ripas do Sister

 

Uma página inteira no Estadão de domingo. Elogios rasgados.  

Tenho razão, ou não tenho?

Em Tubando

Perozzi, comprei um CD duca. É de Floyd Cooley e se chama The Romantic Tuba. Beleza pura. A primeira peça é a Sonata de Bach (BMW1031-o único defeito é não trazer a numeração de catálogo, de modo que tive que ir à Ave! Amazon para descobrir ), originalmente composta para flauta e cravo, com arranjo para tuba e cravo feito por ele mesmo. Depois são quatro canções de Brahms. Em seguida, Trigon de Earl Zindars e, fechando, com Suite Concertante de Armand Russel.

Tuba é um instrumento que nem na cozinha da orquestra fica. Tá lá no puxadinho dos fundos, depois da lavanderia. Pena, pois é um som lindo. Vamos marcar aquela tradicional audição chez moi.

Não encontrei nada de Cooley no YouEntube, mas achei algumas coisas muito legais de Oystein Baaksvik (um italiano, como se vê).

Fnugg Blue

Carnival of Venice

As ripas do Sister (1)

De cara, deixe-me confessar, caro Sassa, que não tenho a mais remota idéia de quem seja Sérgio Sister. Pela foto, parece ser um bom sujeito. Também não tenho a menor disposição de ir até o Instituto Tomie Ohtake para ver a exposição das pinturas desse senhor. Sinceramente, prefiro ler um gibi. Mesmo assim, tenho elementos de sobra para achar que o texto do sr. Rodrigo Naves para o Estadão de hoje é nojento. Empulhação intelectual em estado bruto. Vale a pena percorrer essa seqüência de imposturas, pois ela é típica de um certo "tom" que baixou feito um Exu sobre os críticos há mais ou menos trinta anos, não havendo reza brava que o espante das redações.
Rodrigo Naves começa fazendo referência a um certo "impasse" a que teria chegado a pintura contemporânea. Todas as outras formas de arte estariam tentando (prepare-se - o bombardeio está prestes a começar...) "romper os limites que separam a arte da vida"; já a pintura, pobrezinha, manter-se-ia "dentro dos limites da arte tradicional, ligados à superfície, a suportes diferenciados, ao artesanal, e à relação contemplativa com o observador".

Eis um dos lances favoritos desse tipo de "crítica": criar um falso problema, embalá-lo numa retórica retorcida, para em seguida perguntar por "saídas", "soluções" para o "impasse". Quando fala em "romper os limites entre a arte e a vida", esse escrevinhador não está pensando na "arte contemporânea" em geral. Está pensando nos lixos expostos nas Bienais da vida - as tais "instalações". Arte participativa, em que o objeto artístico é apenas uma sugestão de transcendência, e se recusa a ser mero objeto de consumo pronto para oferecer-se à fruição de um expectador passivo, sacou? Sem a imaginação do Zé Mané que caiu no conto do vigário, nada feito. Com distribuição de ácido lisérgico, suponho que a qualidade das obras fosse aumentar significativamente. Tudo bem. Vamos dar de barato que a arte contemporânea (e não exclusivamente a "arte" marota das Bienais) esteja mesmo tentando "romper os limites que separam a arte da vida". Por que é que isto representaria, por si só, um "impasse" para a pintura? Por que é que um pintor, para produzir obras de qualidade, deveria ser uma maria-vai-com-as-outras, embarcando na última onda do momento? Naves explica. A pintura teria ficado "ligada à superfície". (Mas, Sassa, até onde consigo enxergar, quem pinta pinta necessariamente sobre uma superfície. Pode ser a superfície de uma tela, de uma xícara, ou do bumbum de uma chacrete, mas tem que ter superfície. Estou errado? Ajude-me, pelo amor do Santo Cristo!) A pintura teria ficado "ligada ao artesanal". (Mas, até onde minhas luzes alcançam, Sassa, ser artesão não é demérito para ninguém. Ser empulhador, isto sim é que deveria ser uma vergonha. Por que cargas d'água o fato de alguém se apresentar como "artesão" deveria ser motivo para anátema?) A pintura teria ficado ligada a uma "relação contemplativa com o observador". (Bem, se não me engano, o grande problema, aqui, é aquele aviso que encontramos nos museus - "não toque nos quadros". O argumento parece reconhecer grande importância à tese de que a arte deve ser "interativa". Não sei bem que grande porcaria se entende por isto. Quando leio um romance, interajo com ele na medida em que ele me faz pensar. Que outra interação eu deveria ter com um romance, mamma mia? Será que para "fruir participativamente" devo limpar a bunda com as páginas?)

Temos aí o impasse. Os pintores têm pintado sobre telas (ou "superfícies"), enquanto os instaladores trabalham no espaço tridimensional. São artesãos, enquanto os instaladores são sabe-se lá o quê. E, anátema dos anátemas, produzem obras que devem ser "contempladas", e não penetradas, manipuladas, usadas, esfregadas na parede e chamadas de lagartixa. Finalmente, devemos reconhecer aqui a existência de um problemão. Se "todos" (sempre os mesmos...) fazem, os pintores também devem fazer, certo? Pois é...

As ripas do Sister (2)
Reconhecido o estatuto de "problema" a todo esse amontoado de lixo, o sr. Rodrigo Naves está prontinho para fazer o elogio de seu protegé. Quem é Sérgio Sister? É alguém que ENFRENTOU corajosamente esse "problemão". Alguém que tem sabido (por favor, senhores, sacos de vômito a postos...) "responder a essas questões sem ressentimento nem subserviência". Ah... Legal. E como é que ele tem feito isso? Incorporando o espaço tridimensional ao seu trabalho. (Rompeu com a superfície, sacou, Sassa? Vou explicando, pois sei que você é meio lerdo das idéias...) Como exatamente? Expondo ripas coloridas que imitam molduras, mas que não são molduras, pois não têm absolutamente nada dentro delas. Só o espaço vazio. É isso aí, meu velho. Ripas coloridas. Não é mesmo genial?
Rodrigo Naves, porém, não é dogmático. Seu único dogma é o vale-tudo. Quem quiser fazer pinturas em superfícies, tudo bem, viu, gente? Afinal (lá vem bomba...) "a realidade sempre terá superfícies, e cabe à pintura problematizá-las". Num momento de transição como este pelo qual passamos (há mais de cem anos, diga-se de passagem...) "a melhor atitude está em deixar-se permear pelas discussões que se apresentam, sem perder de vista suas próprias indagações" (arrrrrggghhhhhh!!!!!).
As ripas do Sister (3)
Bom, mas como o dia é de fazer o elogio das "ripas" do Sister, o negócio é voltar a elas, recheando um pouquinho mais esse empadão indigesto de sofismas. Aposto que você pensou que, neste ponto, ele irá ligar a tridimensionalidade das "ripas" à ilusão de tridimensionalidade buscada pelos ranascentistas, né, Sassa? Se pensou, acertou. É isso mesmo que o Rodrigo vai fazer agora. É preciso inserir as Ripas do Sister numa longa tradição artística, que remonta ao Renascimento, sacou? Se bobear, a conclusão será que o Sister deu um passo adiante em relação ao Masaccio. Ao invés de termos apenas a ILUSÃO de um buraco na parede, agora temos, pasme você, O PRÓPRIO BURACO!!!! Não é do caralho, Sassa? Tá bom. Serei honesto. Não é exatamente isso que ele diz. Mas é quase. Nas pinturas renascentistas, como havia a ilusão de profundidade, a moldura fazia as vezes dos caixilhos de uma janela. Ninguém é besta de achar que aquilo era mesmo uma janela, tudo bem. NO entanto, segundo Naves, é preciso que a arte DENUNCIE essa falsa janela. E é isso que fazem as ripas do Sister. Diz o Naves (preparar, apontar...): "Se não aceitarmos o convite para essa aventura que cunduz do plano à profundidade, e vice-versa, não faremos a experiência da pintura, inclusive da pintura moderna, que procurou ao máximo reverter aquela tradição ilusionista." Ou seja, enfiar a cabeça por entre as ripas do Sister é "fazer a experiência da pintura". Pelo jeito, não é pouca coisa. Eu, que não passei, nem tive, nem muito menos (que Deus me livre e guarde!) "fiz" a experiência da pintura, devo ser mesmo um ignorantão, incapaz de penetrar nos segredos da arte contemporânea. Em todo caso, apesar da idade, ainda não estou com o miolo mole, e sou capaz de jurar por este sol que me alumia que a moldura em torno da Monalisa é uma moldura, e não um caixilho. Não preciso que o Rodrigo Naves, ou o Sérgio Sister me instruam a respeito disso.
Mas, segundo o Naves, estou perdendo, sim, um bocado de coisas recusando-me a visitar a exposição de seu dileto amigo. Segundo ele, enfiar a cabeça por entre as ripas do Sister é "entrar diretamente em contato com ... a transposição de regiões diferentes e inesperadas". As tais ripas, diz o Naves, não lembram apenas molduras. Lembram mais. Lembram pórticos, batentes e, pasmem, até mesmo um gol - tudos eles, "símbolos da passagem". Com isso, criar-se-ia uma expectativa no incauto visitante da exposição: a expectativa de "transpor um limite". Só se for da porta de saída, com a devida devolução do valor do ingresso. Como dizia minha avó, "meu filho, tenha juízo!" O sr. Rodrigo Naves comporta-se diante das ripas do Sister como se estivesse diante de um teste de Rorschach. Surpreende-me que não tenha visto um passarinho por entre as ripas.
As ripas do Sister (4)

Sassa, o que me surpreende é que o ilustre periódico no qual escreve o "Filósofo da Cidade de São Paulo" (recomendações à patroa!) dê também lugar a esse lixo em forma de texto, a essa sopa de letras que, bem analisada, não diz coisa nenhuma, embora dê o tempo todo a impressão de estar dizendo coisas importantes e profundas. O que gente como o Rodrigo Naves sabe fazer é brincar de equilibrista nos limites da sintaxe, "fazendo a experiência" disto e daquilo, "pondo-se em contato" com transposições, transformando um "lugar de passagem" numa "região problemática", e por aí vai. Os jovens lêem, acham que é bonito e chique escrever assim, e depois passam anos levando cascudo na universidade até perceberem que gente de bem não escreve desse jeito. O Estadão, porém, faz questão de dar lugar de honra a esse tipo de baboseira. Duvido que o editor babão que enfia esse tipo de texto nas edições dominicais seja capaz de explicar minimamente que sentido ou interesse podem ter um texto como esse. Se inquirido, creio que o babão reagiria pedindo que não lhe encham o saco. Tudo o que eu queria é ter um megafone para gritar à criançada - "Não acreditem nisso. Nâo é assim que se escreve. Nâo é assim que se pensa. Acreditem em seus olhos. Vocês não estão vendo coisa nenhuma nessa exposição porque NÃO HÁ COISA NENHUMA PARA SER VISTA AÍ!!!"
Esse cara estragou meu domingo, Sassa...

Fábula

 

Sinal pro recreio. Bob sai correndo para o pátio. Zezinho também quer sair, mas a professora, dona Miriam Leitão protesta: "Ainda não fez o dever de casa, Zezinho. Nada de recreio!". Emburrado, mas obediente, Zezinho fica fazendo as continhas que a professora pôs na lousa. Meia hora depois, terminou o exercício. Dona Miriam diz a ele "Muito bem, Zezinho. Agora, pode descer." Mas, nesse momento, toca o sinal. "Ihhh, Zezinho... Não deu. Mas não tem nada, não. Amanhã, você come o seu lanchinho, tá?" Bob passa pelo Zezinho arrotando hambúrguer e dá-lhe um chute na canela. "Estudou muito, seu otário?"

Moral da história:

É verdade, Sassa. A Lusitana roda. Mas, lanchinho, só amanhã, tá?

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