O Bode Arnold

O bom Platão vaticinava. Viveu como porco, irá reencarnar num suíno. Sempre tentando mostrar (pateticamente) que Tamanha não é Documenta, olhem só quem eu encontrei pastando numa instalação de Kassel. Ele mesmo. Arnold Bode, transfigurado num avatar. Dedicou sua vida passada a transformar a arte numa atividade de ruminantes. Agora, castigado pelos deuses, voltou à sua querida Kassel transformado num deles.

Mórbida Semelhança

                                                        

Perozzi, Nine Fingers disse ontem que seu governo só se compara ao de Getúlio. Quem escreve a Carta Testamento II, você ou eu?

Kassel & Planel Urgenta

Ia continuar a série, Sassa, mas cheguei à conclusão de que já encheu o saco. Demora um pouco, mas eu acabo engolindo a dose necessário de Simancol. Deixo com você, então, para que as devidas comparações sejam feitas, uma tela do Malecki (copyright do Nassif), e logo abaixo a foto de uma Droguinha da Mira (e atira) Schendel. Ela mesma pôs o nome, poupando-me o trabalho. Na verdade, teria sido um prazer.

Está sendo homenageada na Documenta. Orgulho para o Brasil? Vergonha para a humanidade. Minha Virgem Santa, que século equivocado!

Comparem:

 

Cinqüentona que deixou marido para viver com menino de 12 anos é presa na Argentina

 

Tá vendo só, Sassa? Nem as cinqüentonas nos querem mais...

Kassel & Planel Urgenta!!!

A picaretagem abaixo foi cometida pelo sr. Andrei Monastyrski, da Rússia. Pelo que li no catálogo, a lorota é a seguinte. Em Moscou, há uma fonte que simbolizava a amizade entre as antigas repúblicas socialistas soviéticas. Em volta da ponte, há 16 estátuas de mulheres simbolizando as 16 repúblicas. O que fez o renegado Monastyrski? Fotografou as 16 senhoras de costas, e montou uma fonte estilizada com as fotografias. Segundo o catálogo da Documenta, "os olhares das estátuas encontram-se no centro do círculo, já que a antiga união econômica e política não possui mais uma realidade comum". Profundo, né?

Frua, velho Sassa. Frua, que a filha é tua!

Não está enxergando, seu cegueta? Tome um binóculo. Olhe aí no buraquinho...

Pelourinho por dois dias, seguido de 30 chibatas. Depois, deportação para a Sibéria, com trabalhos forçados, para aprender a deixar de ser vagabundo.

Kerry James Marshall

Água Azul, Lua de Prata

ou

A Sereia

Tanta coisa bacana no mundo... Prá que ficar apelando para essas malditas instalações? Prá que misturar uma obra-prima como essa a picaretagens pós-modernosas?

Fraquejando em Kassel

Hoje me aconteceu uma coisa muito esquisita, chefe. Uma chinezinha chamada Hu Xiaoyuan fez uma instalação aqui chamada "Esta lembrancinha eu não posso dar". Nem tinha ido ver de que se tratava. Já estava furibundo com o título, procurando o computador mais próximo para iniciar a salva de torpedos. Como não encontrei nenhum, resolvi ir lá ver do que é que eu não havia gostado. Bordados, chefe. Pássaros, peixes, folhas, árvores. Expostos na armação de madeira em que foram feitos. Ao invés de linha, os longos cabelos de Hu Xiaoyuan.

A mocinha não é exatamente uma freira, como descobri depois, na Internet. Olhe só o que a sirigaita andou pintando numa Bíblia em braille:

Sei que eu deveria, agora, soltar uma piadinha, falar que o Carlos Zéfiro é mil vezes melhor, tal e coisa, cousa e lousa. Mas a imagem é forte, né, não, chefe? Fraquejei, confesso. Não paro de pensar nos longos cabelos de Hu Xiaoyuan...

Como pôr suas expectativas institucionais em outro nível e influenciar pessoas.

Da turma do Kassel & Planel Urgenta:

In his conceptual work, Peter Friedl’s concern is often directed at social, political, cultural and aesthetic configurations of power and he develops artistic strategies with which to disarm them. The visual method of portraying complex artistic content and, in equal measure, the use of medial and stylistic categories is hereby critically examined.

The video installation Tiger oder Löwe Tiger or Lion (2000) alludes to the painting Tiger and Snake (ca. 1858), a late work by Eugene Delacroix on display in the Olympiasaal of the Hamburg Kunsthalle (DE). Friedl once took a real tiger and a stuffed snake into that room. In Delacroix’s painting, the tiger threatens the snake in the wilderness. Friedl’s comical homage is an ironic comment on the pathos in Delacroix’s painting or, as he says himself, serves to put “the institutional expectations on another level”.

Esse aí em cima, chefe, é o tal quadro do Delacroix, tá bom? Agora, sem maiores comentários, pois não quero me estressar, só quero que o senhor me responda uma coisa. É caso de pelourinho, ou não é?

Zofia Kulik

Lindo, né? Vendo o carinha ali na prancha, na pose em que Napoleão perdeu a guerra, contrastando com o porte majestático de sua dona, senhora e soberana absoluta, lembrei-me logo da Marta e do Eduardo. Ai, se eu soubesse usar o fotoshop... Não ficaria perfeito, Sassa?

Essa, sim. Domina a técnica, pensa no que está fazendo, e não se contenta com protestozinhos politicamente corretos de uma moça bem comportada.

Na exposição, tiveram a maravilhosa idéia de colocá-la ao lado de retratos de Rembrandt:

Ponto prá Documenta. Genial.

Tradutor Juramentado

Deu Zebra! (Óleo sobre Tela)

(Perozzi, esqueceu que fiz aulas de tupi-guarani na FFLCH? Assim, traduzir indiano é fácil, segura aí, meu chapa!)

Tinha Uma Zebra no meio do Caminho das Índias

No meio do Caminho das Índias tinha uma zebra

Também tinha um artista indiano boiólia (se não fosse seu Creysson, o que seria da rima?)

Sassa, que não tinha aparecido na história,

Surgiu qual um anjo torto de trás dos arbustos

Convenceu o indiano a ser gauche na vida e fugir com a zebra

Para então traçar as Índias no meio do caminho

Kassel & Planel Urgenta

O indiano Atul Dodiya faz coisas realmente bonitas, Sassa. Ele mora no norte da Índia, num estado chamado Gujarat. Selecionou poemas escritos na língua local, e transformou-os em quadros bem grandes, mais ou menos do tamanho de uma porta. Olhe só como o resultado é interessante:

O único problema é que, sem uma tradução dos poemas, e sem uma série de explicações adicionais, estes quadros não podem ser mais do que isto para um observador ocidental - curiosidades interessantes. Ficamos imaginando o que pode estar escrito ali, e que ligação isso pode ter com a zebra do desenho. Por que os curadores da Documenta não se preocupam em dar informações desse tipo? É simples, Sassa. Se derem, os visitantes podem se achar no direito de pedir explicações a respeito das OUTRAS obras, como o Leãozinho na Floresta de Bonsai. Aí, artistas, curadores e críticos estariam em apuros, né? Então, empurram tudo para o mesmo limbo de imprecisão calculada.

Corja maldita!!!!

 

Clube do TOC

Banho de mar anual do Clube dos Portadores de Transtorno Obsessivo Compulsivo.

Dê uma antes

                            

Sé, sé, séxô mê mêlhora a comunininini...xi gozei!

Perozzi, eureka!! Finalmente, achamos uma solução para sua habitual gagueira. Reinaldo Polito explica lá no UOLONLINE que fazer sexo antes de uma palestra melhora seu desempenho comunicativo.

Logo, basta você arranjar uma secretária bem jeitosinha e levá-la a tira-colo pelos congressos da vida que eu lhe financio. Ops, que a patroa não nos leia!

Sassa adverte: se o marido chegar falante e desenvolto, madame pode desconfiar. Aí teve!

Kassel & Planel Urgenta!!!!

Nem sempre é culpa dos arteiros convidados, Sassa. Eles até fazem a parte deles. Mandam um trabalhinho passável, coisa e tal. Com um pouquinho de boa vontade, poderíamos até achar bonito. Só que, eis que senão quando, entram em cena os "catalogueiros", louquinhos prá dar uma "explicação" das obras expostas. Aí, como dizia minha finada tia Wanda, fudeu... Veja só este quadro, todo jeitosinho, pintado por um sobrinho chileno do Martinho da Vila, radicado na Austrália desde os primeiros tempos do Pinochet. O nome do arteiro é Juan Davilas, e o quadro recebeu um título bem descontraído: O Cu do Mundo. Fruam, senhores, fruam:

 Fruíram bastante? Estão satisfeitos? Pois é. Como devem ter reparado, sem uma explicaçãozinha, nada feito. É aí que entra o escrevinhador da Documenta. Vejam só o que o Fulano tem a nos dizer:

In dimension and form, Davila’s painting The Arse End of the World (1994) – like his Schreber’s Semblance (1993) on the first upper floor – is reminiscent of history painting. Both works comprise a psychoanalytic reading of national identity and affiliations. The former painting links the Australian mythic tale of the nineteenth-century explorers Burke and Wills, who died trying to cross the desert, with a 1990s political wrangle between the then-prime minister and his predecessor. Both works revolve around a perverse relationship to the land: uprootedness and ambivalence.

Tudo bem. Legal saber que Burke e Wills tentaram cruzar o deserto no século XIX, e acabaram morrendo. Legal saber que o retratinho ali embaixo, ao lado do coração, é de dois políticos australianos quase partindo prás vias de fato. Mas, seria muito perguntar o que é que o cu tem a ver com as calças? Porra... Começou a explicar, termine, é, ou não é? Ao invés disso, a Trisha alinhava seu textículo com essa babação-de-ovo a respeito de "relações perversas", "ambivalência" e "desenraizamento". Mas, ora, vá te catar, sô!!!

- Bicha, não, sua ordinária! TRISHA!!!!

Please, Sassa... Vá até lá, e dê uma espiadinha. Companhia de balé de dona Trisha Brown. Lembra muito brincadeira de criança, exceto pelo fato de que é tudo marmanjo. Como de costume, uma caixa de Chimay para quem souber me explicar minimamente que raios essa gente está fazendo em cima dessa rede...

 http://www.youtube.com/watch?v=g9QT07VLJis

 

Kassel & Planel Urgenta

Título: O leão na floresta de bonsai. (Parece nome de fantasia do Clóvis Bornai, não parece, não, chefe?)

Autora: Cosima von Bonin

Pelo amor de Deus, chefe! Quié quié isso?????? Misprica, quieuá choquitô ficando nóião...

Kassel & Planel Urgenta

Está bem. Ontem, eu estava de mau humor, e o pobre do Ai Weiwei acabou pagando o pato. Veja porém, caro chefe, o caso desta outra expositora da "Tamanha é Documenta". Eleanor Antin. Está exponto uma caixa contendo cem frasquinhos com amostras de sangue de cem artistas famosos. A moral da história, o senhor, do alto de sua sagacidade, já deve estar adivinhando. Isso mesmo, dear boss. O senhor é mesmo um gênio. Atirou na bosta, e acertou na mosca. "Artista também é gente." É a instalação de estréia de dona Eleanor, feita lá nos idos de 68, enquanto eu ainda curtia o Vigilante Rodoviário na hora do almoço.

O pior é que a mulher tem talento, Sassa. Fez uma série de fotografias intitulada "Os Últimos Dias de Pompéia" que é realmente um primor (FOTO DE ARRIBA). Tem uma outra série de fotografias chamada "As Cem Botinas" que também é interessante (FOTO AÍ EMBAIXO). O texto dos críticos é um nojo, como sempre, as reflexões dessa simpática senhora a respeito daquilo que fez são de deixar um monge budista exasperado, mas, em todo caso, e é isso que importa, o resultado é bacaninha. Não é não, chefe?

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