Eleitoreiras

Ei, você aí...

O Lula disse que não pretende repetir os erros cometidos no primeiro mandato. Ato contínuo, fecha acordo com o PTB e amplia o espaço do PMDB no governo. Se entendi bem, resolveu repetir os "acertos". Só falta, agora, discutir a porcentagem.

Se ele não fosse o bundão que é...

Seria fácil atacá-lo no ponto em que você parece estar mais frágil. Meus marqueteiros me recomendaram que fizesse isso, e até treinamos bastante, na frente de um espelho, as expressões que eu deveria fazer em cada ocasião, as palavras que deveria utilizar, as coisas que não deveria dizer de maneira alguma, e por aí vai. Mas, olhe, meu velho, eu não dou para isso. Se tentasse, soaria falso, e essa maquininha maldita que nos leva à casa das pessoas é craque em detectar pequenas mentiras, pequenos deslizes. Magnifica tudo, você sabe. É um inferno. Há pessoas que conseguem mentir com perfeição diante das câmeras - você é um deles, aliás. Eu simplesmente não consigo. Não sou ator, como disse o FHC, esse aliado que, ao dizer que me apóia, mente, você sabe. Mas convence. Até nisso vocês dois são parecidos. Como não tenho talento para a coisa, vou me contentar em dizer toda a verdade, e deixar que as pessoas julguem quem é a melhor opção para o país neste momento.

Não sei se você tem alguma coisa a ver com esse dossiê, ou não. Desconfio que tenha, sim. Decisões sobre como usar 2 milhões de reais não são tomadas por "meninos", nem muito menos por "aloprados". Dois milhões é um bocado de dinheiro, meu caro. A cúpula do partido, e possivelmente você mesmo, em pessoa, estejam por trás dessa tramóia. Mas não vou posar de santo, até porque ninguém ali do outro lado acreditaria, mesmo. Eleições custam uma dinheirama, principalmente quando envolvem produções televisivas cheias de maquiagens e efeitos especiais. Tanto vocês quanto nós tivemos que recorrer a essas pirotectnias, e tivemos que correr atrás da grana prá pagar a conta. E você sabe como essa grana é arrecadada, no seu partido e no meu. Passamos o chapéu entre os empresários, e depois atendemos aos "pleitos" dos deputados ligados a cada um deles. Os cargos nas estatais, afinal de contas, estão aí para isso. O doador recebe o investimento multiplicado. Lucra ele, lucramos nós, e só mesmo o povo que está nos assistindo é que não lucra nada. Pagam a conta, coitados. Tenho alguns téoricos amigos que diriam que este é, afinal, o preço da democracia. Não é, não, Lula. E você sabe disso. Pode ter feito o que for, mas a verdade é que tem sido o único a defender uma reforma das regras de financiamento de campanha que poria fim a esse balacobaco todo: o financiamento exclusivamente público, com penas severas para quem for passar a sacolinha fora do combinado. Meu partido, você sabe, é contra. É contra principalmente porque aliou-se ao PFL, que vive às custas desse sistema por esse Brasil afora, nas prefeituras e nos governos estaduais em que conseguiu se estabelecer. Mas eu já disse que não vim aqui hoje para enrolar ninguém. Nâo tenho nada a perder, meu caro. Você está praticamente eleito, e o máximo que eu posso esperar, em 2010, é uma disputa da vaga para o Senado. Então, quero dizer que o apóio nessa proposta. Assumo aqui o compromisso de lutarmos juntos para mudar as regras do financimento de campanhas, e de não pensar nas vantagens que a minha turminha leva pela adoção destas regras, e não daquelas. Temos que acabar com essa safadeza que não é sua, nem minha, nem do FHC, nem do Collor, nem do Maluf. É uma safadeza do próprio jogo. Tem que acabar. Para você, para mim, pra todos.

Outra coisa, Lula. Quero reconhecer de público que seus programas de transferência de renda são um marco na história do Brasil. Pela primeira vez, foi dada à miséria do país a dimensão que ela realmente tem. Tudo bem, os programas foram desenhados no governo do FHC. Mas a escala dada a eles no seu governo não é um detalhe irrelevante. Nesta semana, a Veja (a Veja, veja bem!!!) entrevistou uma família do interior do Maranhão que irá votar em você. Recebem 100 pilas por mês. O chefe da família disse que vota no Lula porque pela primeira vez na vida pôde comer carne todos os dias. Tá errado? Errado estava quando votava em não sei quem em troca de uma cesta básica, ou de uma dentadura. Agora, vota, porque tem interesse nisso. Não o condeno de maneira alguma. Eu gostaria de dizer a ele apenas uma coisa. Se continuarmos marcando passo, e crescendo menos que todo mundo, daqui a pouco não haverá dinheiro nem mesmo para distribuir dentaduras e cestas básicas. A população cresce, e o país também precisa crescer. Além disso, quando perdemos mercados, as fábricas fecham, e os impostos diminuem. E o dinheiro do Bolsa Família sai dos impostos pagos. Não cai do céu.

Você não desarmou a armadilha dos juros, Lula. Esse foi o seu grande erro. Ou, melhor, não foi só seu, não. Foi nosso também. Não vou dizer aqui que os tucanos punham todas as esperanças no José Serra porque achavam que ele iria deixar tudo como estava no final do segundo mandato do Fernandão. Dentro do próprio PSDB, o Serra era a esperança de que as coisas mudassem. Havia a percepção de que aquela política do "deixa como está para ver como é que fica" estava nos levando ao buraco que você ajudou a cavar um pouquinho mais. Besteira sua ficar vomitando números, Lula. Se tivesse enfrentado as crises que o Fernandão enfrentou (cinco, uma depois da outra, lembra?), os números seriam outros. Melhores que os nossos? Isso só Deus sabe. Provavelmente, não. Igualmente medíocres, eu acho. Será que não?

Vou fazer, então, um apelo. Quem for votar em mim, não vote porque acha que eu sou "ético", e que o Lula não é. Isso é balela. Tanto eu quanto ele, pessoalmente, somos bons sujeitos. Gostamos do poder, gostamos de governar, mas damos um sentido maior a esse gosto. Mal ou bem, temos um plano para a nação. Votem porque acreditam nesse plano, ou pelo menos, acreditam em nossa capacidade de levar esse plano adiante. O Brasil, atualmente, tem três grandes problemas, e eles estão relacionados entre si: a miséria, a dívida pública e a violência urbana. Vou começar a falar a respeito de quais são minhas propostas para a solução desses problemas. Estou convencido de que tenho um plano muito melhor que o do Lula, e que tenho uma equipe muito mais qualificada para levar esse plano adiante. Escutem...

Futebolísticas

Meu caro, que bom que você assumiu seu petismo explicitamente. Era chato vê-lo cheio de muxoxos com aquela cara de culpa durante o mensalão, mas é claro que tudo era uma questão de tempo para a ideologia barata do partido voltar a funcionar sobre as consciências de sua gente e, hoje, todos já voltaram à praça das ilusões e do maniqueísmo leninista, sempre em defesa do povo sofrido, como deve ser, enquanto os companheiros se lambuzam na vida dos "piores" valores da burguesia.

Só assisti ao primeiro debate, e foi muito bom. Até mesmo o Xuxu, o cuzão, o bundão, o fraco, o merda, o coitado (termos usados por vocês petistas) conseguiu emparedar o Lula, que só sabia tomar água, e como tomava. Aquilo foi lindo, pois mostrou a farsa histórica que é o nine desde o nascimento, passando pela tão exaltada vida sofrida e terminando na orgia de corrupção que foi seu governo. Foi lindo ver Lula fazendo pipi nas calças, apavorado pelo primeiro homem que não lhe aceitou o argumento cristão-barato da origem humilde como base da valoração do mundo. A arrogância costumeira, a presunção da superioridade ética do bom operário foram pelo ralo e o cara suou como um porco velho na fila para o abate.

Não vi os outros debates, Xuxu voltou a ser o que era e isso não me interessa. Tanto faz quem ganha, meu velho, o que importa é quem manda. Anota aí, que o Sassa dá conselhos de graça.

Como discutir com militantes que entenderam que o Alckmin propôs a invasão da Bolívia? Quando na verdade ele cobrava um atitude descente e não ideológico-vagabunda do tipo: eles são mais sofridos e podem nos bater a carteira. E é bom a petistalha preparar a bundinha com muita vaselina, pois o companheiro Evo vem com mais nabo, sempre assessorado pelo outro de seus ídolos, Chavez.

Tá chegando a hora... rs...

A revanche é amanhã, né?

Menino... Vou assistir deitado numa rede, com uma agüinha de coco na mão...

Vai apanhar até ficar cru, o coitado...

Olêêê Olê Olê Olááá

Rá rááá... rá rááá...

Nine-Fingers e o telecatch

Lembra do Fantomas, Sassa? As regras da luta-livre, como diria o Arnaldo, eram claras. Não permitiam que o adversário fosse espancado nas cordas, o que fazia com que a luta ficasse pitorescamente próxima das brincadeiras de pega-pega; não permitiam os chamados "golpes sujos", como o "dedo-nos-olhos", e esmagamento de joelho, o catiripapo na fuça e o chute no saco. Não havia regras explícitas quanto ao karatê, mas uma jurisprudência aceita até mesmo pelos juízes honestos, como Armando Bueno, admitia que o golpe era proibido, por analogia, talvez, com o soco, considerado próprio do boxe, e não do telechatch.

Fantomas tinha uma deficiência física. Seus joelhos não dobravam. Ou seja, metade dos golpes "permitidos" pela luta-livre estavam fora do seu alcance. Não era capaz de dar "double-nelsons" (também conhecido como "dãblinélson", na curiosa pronúncia do locutor da época), nem tesouras voadoras. Estava restrito à imobilização do adversário, o que acabava acontecendo na maioria dos casos. Pior ainda, se caísse, não seria capaz de levantar, ficando à mercê do adversário, indefeso.

Sua arma secreta era o karatê. Se desferisse um golpe, a luta acabaria no mesmo instante, com o adversário desacordado no chão. Aplicava seus golpes de karatê com tranqüilidade, sem pressa, sabendo que, a partir dali, o resultado era certo. Geralmente, a luta acabava com um karatê na testa, considerado perigosíssimo pelos locutores, que davam a entender que o adversário que se expunha àquilo corria risco de vida.

Fantomas era honesto, mas não era besta. Entrava no ringue para jogar limpo. Jamais daria um karatê na testa de Teddy Boy Marino, por exemplo. E também não dava karatês em Aquiles, o Matador, desde que o juiz interviesse para impedir o celerado de aplicar golpes de corrente, enforcar nas cordas, jogar areia nos olhos, e coisinhas simpáticas desse tipo. Era obediente às regras, enfim, desde que HOUVESSE regras.

Acontece que quando Isidoro de Cária entrava no ringue, as regras entravam em férias. O sujeito chegava a pegar propina ali mesmo, no ringue, com os segundos do lutador mau. (O principal desses segundos usava um turbante de pirata na cabeça, e tinha um bigodão de português.... Pena que não me lembro do nome do sujeito.) Isidoro detestava Fantomas. Mais ainda do que os outros bonzinhos. Detestava-o porque, de vez em quando, se ele enchesse muito o saco e tentasse impedir a derrota de Aquiles a qualquer custo, Fantomas não hesitava em lhe dar uns petardos no meio da testa. Diversas vezes, o pobre Isidoro de Cária saiu carregado do ringue, nocauteado juntamente com o lutador mau que ele tentara proteger.

Revistava Fantomas de modo irritantemente minucioso. Mandava que ele desamarrasse as sapatilhas, Fantomas obedecia. Tinha que encostar-se nas cordas para levar uma "geral" humilhante, enquanto Aquiles, no outro lado do ringue, escondia uma pedra numa das mãos, para castigar o adversário. Fantomas, vendo aquilo, reclamava, e Isidoro ia cinicamente perguntar ao Aquiles se era verdade, ou não. Aquiles fazia que não com a cabeça, e Isidoro aceitava a palavra de honra do filho-da-puta.

Na hora da luta, não dava outra. Num dos rounds, Fantomas levava uma pedrada na testa, e quase perdia. No round seguinte, pegava o adversário pelos cabelos, sob os protestos de Isidoro de Cária, e perguntava ao público presente se eles aprovariam o uso do karatê naquela situação extrema. Eu, no colo do meu pai, pedia que ele mandasse as regras às favas, e acabasse logo com aquela palhaçada. Em poucos segundos, o corpão gorde de Aquiles desabava como uma jaca no tablado, para delírio da platéia.

O Brasil é Lula desde criancinha, Sassa... Foi uma delícia assistir, aqui da Bahia, à surra que Nine Fingers deu no cuzão ontem à noite. Nem precisou de karatê. Pimpinela caiu sob uma saraivada de dãblinélsons. Perfeitamente legais. Hehehehehe.....

Petista sem causa

É que a política, nosso grande tema, perdeu a graça. Sento aqui, olho para a telinha, ela olha para mim, e tudo que me ocorre parece banal, inútil, sem osso, sem tempero. Vou deletando todas as linhas que escrevo. Se eu ao menos fosse votar no Pimpinela, como você, as coisas seriam mais fáceis. Haveria espaço para a indignação, para o xingamento, para a porrada. Mas, não. Estou reduzido a este papel estúpido de situacionista hesitante. Você também tem seus dramas, eu sei. Quando apertar a tecla "CONFIRMA", ficará aliviado com o desaparecimento instantâneo daquele sorrisinho estúpido na tela. Mas, pelo menos, tem assunto, já que a turminha do Nine Fingers não passa uma semana sem dar uma canja nas páginas policiais. Mas é tudo falso, Sassa. Se o Pimpinela tivesse chances reais de êxito, você perceberia imediatamente que é tudo mentira, auto-engano. Estaria, como eu, caladinho, amuado, sem discurso. Esperando, para ver no que dá. A esta altura do campeonato, a única coisa que me entusiasmaria, de verdade, seria saber que o Jáder Barbalho está com pedras nos rins, ou que o Nei Suassuna caiu num poço de ariranhas. Mas nada acontece. Vai dar Lula, e a turminha do mal continuará infernizando a nossa vida, incólume. Acho que vou beber, Sassa. Ou fumar maconha, sei lá. Tô de bode. Vou comer um chocolate Laka prá ver se melhoro. Inté.

O Medo ataca

Sassa apavora, como sempre.

Em 2002, a lírica dos 20 anos petista encantava o mundo infantilóide com a fábula da esperança vencendo o medo. Mitos, uma especialidade petista. A esperança virou uma fumaça, Chico Oliveira rodou a baiana, Marilena parou de ler jornais (sujava as mãos, eu acho), ninefingers continuou tomando sua caninha (no que faz muito bem) e Delúbio criou o neologismo "recursos não contabilizados" para dinheiro sujo, vejam que eram recursos não dinheiro, sútil diferença.

Em 2006, no desespero de perder as eleições, injustificado para mim, pois sempre disse aqui que Chuchu não emplaca, depois do desastre do debate, que acho que muda muito pouco, a petistalha muda de tática. Da 'esperança vencendo o medo', agora adotaram 'a esperança vendendo pelo medo', sútil diferença.

Até tia Marilena (especialista em ética petista, aquela que é a posteriori, ética é punir quando se descobre, como disse nine) espalhou que com Alckmin o ensino superior será entregue a empresas estrangeiras.

Nada como um dia depois do outro e mais outro para que a máscara petista caia. Vivemos tempos pedagógicos.

Perozzi, usa mais um de seus pseudônimos anôminos para me pentelhar (a CIA me disse que é o segundo maior índice de pseudônimos do hotmail, o primeiro é Bin Laden). Atacando de Mada (o grande amigo já foi mais criativo e masculino) acha que vou chorar com a vitória da guangue do ninefingers. Erro gosseiro, Sassa só chora por coisas importantes, o destino do Brasil em nada me emociona. Faço a minha parte, e como faço, o resto que se lasque.

Outro dia troquei meu olho de vidro por um novo super hightech. Era tão perfeito que ninguém conseguiu acertar qual era um qual era outro. Aí fiz a besteira de desafiar o Conde Maschetti e não é que o FDP acertou. Diante de meu espanto, ele disse: fácil, meu velho, conheço-o muito bem e percebi que um dos olhos tinha um pouquinho de calor humano, bingo! era o de vidro.

Ninefingers por si só já é muito divertido, tenho que admitir. Só INRI, outro que acha que é a encarnação pós-moderna do crucificado, me diverte mais; verdade é que também me causa inveja com aquele séquito de moçoilas a reverenciá-lo. Já os fiéis seguidores do nine são ainda mais engraçados que ele.Ou seja, será nine lá e nós aqui, uma piada atrás da outra, adoro a livre concorrência, embora nine leve a vantagem de ter uma mãe que nasceu analfabeta, mas não me entrego nem diante de uma desvantagem comunal como essa, vamos pro pau.

Além do mais, tenho a leve desconfiança de que nos próximos 4 anos de nine on the rocks teremos um pequena crise internacional, questão de probabilidade, e acho que vou me divertir muito vendo Guido Mantegna, uma topeira bem paga, e sua turma tentando sair da sinuca de bico.

 

Ninefingers filosofa e Sassa interpreta

O candidato do Perozzi diz que a onça vai beber água

 

Ou será que a jurupoca vai piar?

George Keep Walker me ligou hoje para dizer que se a jurupoca piar antes de 31 de outubro, a vaca vai para o brejo.

O dilema de Sassaroli

"Vencendo o Nine Fingers, 2010 tá no papo. Mas, se o Pimpinela ganhar, fodeu!!! A esta altura do campeonato, porém, tenho que continuar mantendo a pose, ou o Perozzi come o meu fígado neste maldito blog... O que é que eu faço, meu Deus???"

É no que dá você ficar falando mal da dona Lu, Sassa. A musa da tucanalha intimidou-se, coitada. Cadê aquele decote estonteante que a digníssima exibiu no velório do Covas? Cadê aquela carinha de starlet sorrindo deslumbrada para os flashs? Cadê o batonzinho cor de pecado quase manchando a lapela do Amaury? Acabou-se o que era doce, meu velho. Na Veja desta semana, fez questão de aparecer envergando uma camisa sóbria, discreta, branca como a asinha de um anjo. Nem a Heloísa Helena seria tão comedida nos trajes e badulaques - a camisa dela, pelo menos, tem um babadinho de enfeite. Sorria embecevecida para o maridão careca, como quem pensa - "meu herói!". O pimpinela, ao telefone, dava um soquinho no ar de contentamento, como se tivesse acabado de ganhar uma partida de botão. Devem ter brindado com ponche. Bem família, sacumé? Beijinho casto na testa, dizendo "parabéns, meu amor, você merece". Ninguém agüenta mais isso, Sassa. Em nome do fã-clube de dona Lu, eu imploro - deixe a menina em paz. Se a Daslu lhe dá uma coleção de presente, que mal há? Invejoso. Tá querendo ganhar uns terninhos da Armani, tá? Os que o Jorge Matos lhe envia não bastam? Olhão gordo! Caluda, Sassa! Caluda!

No fundo, no fundo, será que o Serra, o Aécio e o FHC não estão torcendo pela vitória de Nine Fingers? No fundo? Acho que até mesmo no raso... Cê num acha, não, Sassa?

E se...

Reproduzo, aqui, a perguntinha inocente feita pelo Luís Weiss no Estadão de hoje: e se o Lula resolver copiar a estratégia do FHC, mandando para o Congresso uma emenda que permita a SEGUNDA reeleição? Certo, Sassa, já sei que, se isto acontecer, você considerará seriamente a possibilidade de se estabelecer com a família numa ilha deserta no sul do Pacífico. Mesmo assim, ficaria no ar a pergunta: de que argumentos "formais" um tucano poderia se valer?

Nem Jefferson, nem Barbalho

Não acho que o PT seja mais ou menos ético que o PSDB, Sassa. Se me perdoar uma expressão monstruosa, eu diria que ambos têm um "subtexto" diferente. Subtexto é aquilo que os atores pensam enquanto estão em cena - aquilo que está por trás de suas palavras, e que compõe o lado interno do personagem. Fulano traído está diante do Sicrano traidor, e tem que, naquela cena, limitar-se a dizer "bom dia" de maneira polida. Ao mesmo tempo, tem que passar ao público seus sentimentos. Então, diz o seu "bom dia" protocolar, pensando "ainda te pego na curva, seu safado filho de uma puta". Assim como o público do teatro é perfeitamente capaz de escutar o subtexto de um bom ator, os telespectadores do Jornal Nacional escutam com nitidez o subtexto de políticos talentosos como Lula, Maluf e FHC. De maneira mais ou menos articulada, põem os subtextos em confronto, e fazem sua opção.

Quando disse que o PSDB é o partido da legalidade e o PT é o partido da ética, eu queria me referir a isto. A justificativa de fundo do PSDB é de natureza formal, legalista. A do PT é de natureza fundamentalmente ética, e não tem nada a ver com a ética dos bandos e quadrilhas. É uma postura ética que se dirige não apenas aos membros do partido, mas a toda a nação. Você pode concordar ou não com ela, mas ela está se apresentando ao seu julgamento, como cidadão, e não apenas ao julgamento dos componentes do bando. Quando o PCC mata um membro de um bando rival, não pretende que sua atitude possa ser justificada do ponto de vista de quem lê o noticiário policial. Quando um sanguessuga garfa uma beirada da grana da saúde, também não. O subtexto de um membro da máfia das ambulâncias não tem nada a ver com projetos nacionais, ou coisas do tipo. Lá no seu íntimo, o que o larápio está dizendo é algo como - "xi, cacete, me pegaram com a boca na botija!".

Acho que, quando o PSDB optou por reproduzir o ramerrão ético do PT de antanho, errou duplamente. Errou, em primeiro lugar, porque encarnou o sujo falando do esfarrapado. A população percebeu isso imediatamente. Ver o Bornhausen fazendo pregações éticas na TV é algo que suscita reações que transitam no espectro que vai da gargalhada ao vômito. Acima de tudo, porém, o PSDB errou porque essa discurseira ética pegajosa tira o foco daquilo que é essencial. Ao invés de discutir a ética na política como se ela devesse ser uma espécie de eflúvio de subjetividades virtuosas, deveríamos estar discutindo a construção de condições objetivas para que a formação de maiorias no Congresso não tenha que passar necessariamente pelo loteamento do Estado.

Lula fez um governo com altos e baixos, exatamente como FHC. Nenhum dos pontos mais baixos do governo Lula está sendo tematizado nas críticas feitas a ele. Educação, segurança e política externa são bons exemplos, para não falar no crescimento econômico pífio. O Bolsa Família foi, de longe, a maior realização desse governo. Votei no Barbudo na esperança de que a situação das famílias atendidas pelo programa melhorasse um pouco - que as pessoas tivessem o que comer, onde morar, e coisinhas básicas desse tipo. Concordo que o país tem que crescer, e que o ideal é que, no futuro, ninguém mais precise dessa ajuda. Enquanto o futuro não chega, porém, as pessoas têm que ter condições mínimas de levar a vida com dignidade.

Enfim, não voto no Nine Fingers achando que o mensalão é uma coisa maravilhosa. Voto apesar do mensalão, e esperando sinceramente que políticos bem intencionados como o Lula, o FHC, o Suplicy e o Serra consigam unir-se em torno de uma fórmula que permita jogar o jogo sem entregar a Sudam nas mãos do Jáder Barbalho, nem o botim das estatais nas mãos do Roberto Jefferson.

Sem palavras

O PSDB, Sassaroli, é o partido da legalidade. O PT é o partido da ética.

Abraçado ao travesseiro (mordendo a fronha, de raiva), o tucano diz o seguinte para si mesmo: "Tudo bem. Trocamos votos no Congresso por cargos e liberação de emendas. Compramos um votinho aqui, outro ali, mas foi só para fechar as contas. Meia dúzia, no máximo. Corrupção episódica, e não sistêmica, como bem ressaltou nosso doctor subtilis. Está certo. Ninguém é besta. Todo mundo sabe por que os cargos e as emendas são tão disputados. Mas foi tudo feito dentro da lei, respeitando as instituições. Se os favorecidos usaram as indicações para achacar fornecedores, superfaturar campanhas de publicidade, ou tirar uma "beirada" das emendas, o problema já não é nosso. É do Judiciário. Fora da Lei, mesmo, só teve o caixa 2, que é crime eleitoral, e não crime comum. Além disso, só envolve dinheiro privado (sei...), e não dinheiro público."

O petista diz o seguinte: "Roubar, não roubamos. Fizemos o jogo que tinha que ser feito para governar o Brasil com as regras que estão aí. Se alguém embolsou algum dinheiro, merece nosso desprezo. Nossos heróis são o Delúbio, com seu sitiozinho modesdo, o Genoíno, que trabalha de havaianas, e até mesmo o Waldomiro Diniz, que, mesmo podendo ficar milionário pedindo os 10% de praxe, só pedia 1%, para o leite da família. Legal não é, mas até aí morreu o Neves. Essa legislação foi feita por corruptos para corruptos. É uma legalidade imoral. A única maneira de mantermos a postura ética correta, nessa situação, era andar pelas brechas do sistema, e usar os quatro anos no poder para levar um pouco de justiça ao povo. Fizemos, continuaremos fazendo, e faríamos dez mil vezes novamente, se preciso fosse."

Os dois discursos andam de muleta sobre a areia fofa, para dizer o mínimo. Mas o discurso petista, menos formal, menos ligado a instituições abstratas, e mais recheado de sentimentos éticos, tem um apelo muito mais direto junto à maioria das pessoas. Partir para a condenação ética foi a pior cagada que os tucanos fizeram. Já era hipócrita na boca do FHC. Na do Bornhausen, ficou beirando o nonsense.

Só queria que algum sociólogo explicasse um dia como é que coisas que nunca são ditas acabam sendo ouvidas com tanta distinção.

Premonitório mesmo foi o lançamento do livro "Mosca Azul", do quase-padre, quase-militante, quase-intelectual Frei Beto, prova cabal da pobreza intelectual brasileira, representante da Teologia da Libertação ou Miséria do Cristinanismo, alguns acham que é miséria com cristianismo.

Querendo dar mais uma desculpa esfarrapada para o vexame petista no Planalto, Beto, os malidicentes dizem que com a ajuda de Ênio, tentou emplacar a idéia de que no poder todos mudam, até mesmo os homens naturalmente bons (que é como esses rousseaunianos de araque vêem um operário). No chamado 'poder sem Detefon' todos são picados pela mosca azul. Tá, falô, papa hóstias!

Mas o título foi revelador. Este blog consultou 7 entomologistas de 8 países e todos confirmaram nossos piores pressentimentos: mosca azul só freqüenta ambiente onde há muita merda e de alta qualidade.

Dólar Petista

Os Verdoin e suas Verdoinhas

Meu Jeito é Diferente

Engata 1.ª...agora dá uma rézinha...1.ª de novo

Não há coisa mais inócua, e chata, nesta campanha do que a frase que o Alckmin martela a todo instante: meu jeito é diferente.

Nádia Campeão

Estranheza Eleitoral: Nádia Campeão é vice... de Mercadante.

Tio do Doce Again

Tio do Doce adverte: se não não for eleito, é marmelada.

Tio do Doce

Exclusivo: descobri que o sonho de infância do Tio do Doce era entrar para a Aeronáutica e virar Brigadeiro.

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