Evento

Eu odeio a Bienal!

A grande força da "arte" dos que vêm expor na Bienal é não ter nenhuma pretensão de ser arte. As aspas são seu escudo. O sr. Antoní Miralda, por exemplo, faz uma exposição de pratos intitulada "Sabores e Línguas". O catalão visitou diversas cidades da América e distribuiu pratos brancos a pessoas que moram nessas cidades. As pessoas fizeram desenhos, colaram recortes, objetos, rabiscaram, fizeram qualquer coisa. O que lhes desse na veneta. Aí, o "artista" fez uma "seleção" dessa porcaria toda e resolveu expor o resultado aqui no Brasil. Não é muito diferente do que se vê no dia dos pais numa escolinha infantil, exceto pelo fato de que os pirralhos não ganham dinheiro com isso. Interpelado, o "artista" concordaria plenamente. Não é arte, mesmo, ele diria. É intervenção. A diferença com a exposição de garranchos do Parquinho Infantil está justamente no lugar que a exposição de pratos ocupa. No Parquinho, os garranchos não ganham a dimensão simbólica que possuem ali, no caixotão do Niemeyer. Para que a empulhação empulhe de maneira mais completa, o autor dissolve qualquer pretensão de autoria por meio de um chamamento à participação. Há um espaço reservado à intervenção dos visitantes, que podem fazer seus próprios rabiscos, deixar bilhetinhos com seus comentários, devaneios, impropérios (meu caso), filosofices, e assim por diante. O importante é que o inconsciente seja soberano absoluto. O conteúdo deve sempre brotar de uma espécie de sopa coletiva, mais ou menos como acontece num teste de Rorschach, em que a mancha aleatória é simples ocasião para que cada um exercite suas faculdades associativas. A imprensa, como não pensa, insensa. A Globo é especialista nisso. Entrevista visitantes embasbacados dando a entender que, por trás daquela justificadíssima estupefação, há na verdade um riquíssimo processo cognitivo em curso. O pobre visitante estaria tendo a oportunidade de "refletir sobre o mundo em que vive", de "ver a realidade sob um novo prisma", "pensar a respeito das fronteiras da arte", e por aí vai. É nojento. Na república dos meus sonhos, vocês já sabem o tratamento que seria dado a toda essa corja (foto). Neste caso, ao invés da tradicional saraivada de tomates, eu sugeriria que os supliciados tivessem as bundas rabiscadas por um batalhão de crianças munidas de pincéis atômicos e sorvetões do McDonalds. O resultado da criação coletiva ficaria exposto a tarde toda à visitação, como forma de levar as pessoas (supliciados, inclusive) a refletirem não só sobre os limites da arte, mas também, e sobretudo, sobre os limites da paciência alheia.

Abaixo a Bienal!

Poucas coisas conseguem me deixar mais irritados do que uma visita à Bienal. Uma delas é ler o que se diz na imprensa a respeito da Bienal. A Bienal, como se sabe, é um amontoado de porcaria, de estrume, de empulhação e de impostura, onde, de vez em quando, pode-se encontrar uma coisinha ou outra que valha a pena ser vista. Já o que se diz na imprensa a respeito da Bienal é bem pior. É o elogio descarado da porcaria, do estrume, da empulhação e da impostura. Na república de meus sonhos, artistas e críticos passariam uma bela tarde de sol no pelourinho instalado na Praça da Sé. Seria a melhor instalação já feita em toda a história da arte contemporânea, com direito à fruição participativa do público, a quem eu franquearia acesso a uma farta provisão de tomates maduros dispostos em cestos de vime confeccionados por índios guajajara, sublinhando assim o caráter primitivo e livre do gesto que rompe os limites da cultura e afirma o primado do indivíduo. No final da tarde, os artistas seguriam algemados para Cumbica, enquanto os críticos, pela gravidade das faltas, teriam que suportar ainda uma sessão de dez chibatadas na bunda, a serem aplicadas por moradores de rua embriagados, exibindo assim o caráter opressor do discurso dominante, mas sugerindo, ao mesmo tempo, modalidades possíveis de revide. Escute só esta, Sassa. Está no site da Bienal. É sobre a performance a ser realizada por uma "artista" chamada Maria Teresa Hincapié - em bom português, Maria Teresa "Cabeça-Dura". Ela vai botar roupa de japonês em duas dúzias de figurantes, que desfilarão placidamente pelas ruas barulhentas de São Paulo. Só isso. Veio da Colômbia para o Brasil para fazer isso. Comentário do site: "A obra Peregrinos é uma espécie de procissão que propõe um momento de pausa, uma quietude para o ato de olhar que incita a delicadeza e a doçura. A performance, com o simples ato de uma peregrinação coletiva, busca a reflexão das pessoas para a dor do mundo. A idéia da contemplação no momento do caminhada como uma possibilidade de levar as pessoas a perceber sensações, atribuir valores simbólicos, enfim observar e sentir o mundo." Pois na minha modesta opinião não é nada disso. A "obra" (no sentido intestinal do termo) utiliza um clichê mais gasto que havaiana de andarilho para produzir um contraste mais pobre que o andarilho da havaiana. Só isso. Dona Cabeça-Dura não é artista. É oportunista. Conseguiu, sabe-se lá como, entrar para a patota que organiza essas megabobagens internacionais, e convenceu alguma empresa a financiar sua impostura em troca de isenções fiscais. Aposto uma Chimay como, no final das contas, deixaram de equipar uma escola rural na Colômbia para que Dona Cabeça-Dura pudesse montar no Brasil essa baboseira.

 

Olhe só o retratinho de nossa turma de Faculdade, Sassa: um frade maconheiro, um juiz de bridge, um cineasta maldito, um cabo eleitoral da ZL, um sósia do Lião da Saúde (você), e esta força da natureza que vos fala. Todos já meio carecas, enchendo a pança de feijoada, ouvindo um chorinho no Rasgueira. Ninguém trabalhando demais, reparou nisso? Todos optaram pela vida mansa. Os que não viraram blogueiros, como nós, dão a desculpa da preguiça. Nós éramos muito esquisitos, Sassa. Continuamos, né? Cada vez mais...

Não sei quem tocando não sei onde

Data: 16/06/2006 - Hora: 23:30 + ou -

Local: Bar desconhecido

Bar na Vila Romana. Indicação do Nassif, mas já não me lembro o nome. Três mesas ocupadas, uma delas por amigos dos caras do conjunto. Violão, pandeiro e... UMA GAITA. Solando músicas do Abel Ferreira, Severino Araújo, por aí vai. São Paulo tem dessas coisas, né? Bebi muito. Good night, chap.

Nhoque ao pesto

Se pensa que, depois dos raviólis, veio uma saladinha, enganou-se, meu velho. Sobrou pesto, num potinho, e resolvi bisar um nhoque que comi em Pisa. Eu e a digníssima comemoramos assim o Dia dos Namorados: empanturramo-nos. Depois, não houve clima para mais nada. Dormimos que nem anjinhos, com as barrigas sob o edredon desenhando um lombo de camelo. O amor é lindo.

 

Calibrei meus pneuzinhos, velho Sassa. Hoje no almoço fiz uns raviolões com recheio de cream cheese e nozes, cobertos com um pesto bem levezinho. Dá umas 800Kcal por unidade, mais ou menos. Se comer olhando prá barriga, você vê a bichona estufando. As coronárias, depois dessa, não desentopem nem com injeção de Diabo Verde. Nem ligo. Sou neto do velho Gallerani, que morreu de lazanha. O médico havia dito que, se comesse, morreria. Não teve dúvidas. Comeu metade de uma travessa, deitou-se na cama, roncou um pouquinho e morreu. Evoé, Gallerani! Os que vão comer te saúdam!

[ ver mensagens anteriores ]